Samaúma
 

 

 

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( * ) Dr.Geraldo Mendes dos Santos, pesquisador
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia -INPA
Coordenação de Pesquisas em Biologia Aquática-CPBA
Av.André Araújo, 2936, Cx.P.478, Bairro Petrópolis Manaus- AM 69060-001
Tel.(092) 643.3235/324o/3244
ou 6442051
e-mail:gsantos@inpa.gov.br

O POVO É DIGNO E MERECE RESPEITO!


Dr.Geraldo Mendes dos Santos ( * )

 

É latejante a onda de indignação do povo brasileiro por causa das fraudes e roubos perpetrados em altos escalões do governo. A situação é grave e parece abranger não mais apenas casos isolados, desta ou daquela autoridade, mas de órgãos públicos e dos poderes constituídos da República.

Não se trata portanto, de uma enfermidade superficial ou localizada, mas de uma epidemia aguda e profunda e cujo quadro sintomático se manifesta por atos execráveis e insanos, como a violação do painel de votação do Senado, o surrupio do dinheiro do povo, a entrega irresponsável e indecorosa do patrimônio público às empresas particulares em nome da privatização dos negócios e a subordinação oficial e ostensiva dos interesses da Pátria ao
Fundo Monetário Internacional.

A imprensa não dá conta de tantos escândalos e encrencas. Dizem alguns analistas que o aumento do número destes casos se deve à maior transparência das ações governamentais, à participação mais ativa da mídia ou mesmo ao maior poder de controle do povo: - verdade?! - Não importam os argumentos, pois no mundo político, há sempre respostas para tudo e ao final dos embates, todos proclamam acerto, desculpa ou razão. Também, o
problema central não é exatamente esse. Não se trata de comparar o presente com o passado, esta ou aquela situação e nem mesmo o número absoluto de casos, os nomes exatos dos "artistas" ou montante vitimado pela roubalheira. Desmando no Brasil e mesmo em outros países, até os considerados como primeiro mundo é um vício crônico, parece fazer parte da sociedade e da natureza humana. O que mais choca a opinião pública é a
frieza, insensibilidade, falta de brio e decoro desses vetustos senhores quando são pegos em flagrante ou, como se diz na gíria, com a mão-na-cumbuca ou mesmo com a corda no pescoço.
Mesmo diante da denúncia contundente de seus delitos, eles sempre se comportam como super-heróis! - mantém uma calma invejável e quando a verdade é descoberta, não admitem o erro ou a culpa, juram inocência por todos os santos. São pétreos!: Diante das evidências, testemunhas ou delações, não se abalam, enrubescem ou se acanham. Perderam totalmente a vergonha. Frente às câmaras, a postura é sempre altiva, mesmo sem compostura nenhuma. São camaleônicos!: A voz, as feições e os trejeitos são meticulosamente escolhidos, em função do momento e até as cores das vestes são de acordo com as circunstâncias. São caras-de-pau!: Diante da alienação e da passividade do povo são os coronéis manda-chuva, mas se a nação é assombrada pelos seus delitos, abandonam a malvedeza e tornam-se mansos. Em nenhum caso, porém, perdem a pose e estão sempre prontos para os holofotes da mídia. Ao deixar um partido ou governo, pulam para o próximo ou para qualquer outro. Dizem os gurus do marketing político que a adoção desse
tipo de atitude é uma praxe, sinal de experiência, competência, demonstração de conhecimento e militância no ramo. É realmente essa a política séria, cívica e humana? Não imagino que seja! Se for, que vergonha!
Na evolução das sociedades estas aberrações políticas certamente serão enfrentadas e corrigidas, mas em todas as etapas do processo devem ser combatidas incessantemente, sobretudo pela participação dos intelectuais, da juventude e da imprensa. Talvez os palácios não sejam os recintos mais apropriados para esta tarefa redentora, nem as instâncias mais confiáveis, para se exercer a prática da cidadania e vislumbrar exemplos edificantes de
dignidade e justiça. Mesmo que ainda sob o jugo infame dos Fundos monetários e sofrendo o implacável e infame ditame dos países desenvolvidos, ainda estamos sob o amparo da Democracia. Caso ela subsista a esse marasmo de lama, uma alternativa interessante para este triste estado de coisas no setor público é o brado das praças, o clamor das ruas.
É preciso que haja uma reação vigorosa e coletiva para que o lamaçal, ainda restrito a certos setores não se espalhe como areia movediça, contaminando, cobrindo e sufocando a todos. Jovens caras-pintadas: - a longo prazo, a participação de vocês é a esperança salvadora do pátria. A curto prazo, no entanto, se faz necessário o grito de protesto, as saudáveis carreatas.

Isso é uma questão de dever e direito. Abram o verbo para estancar o lamaçal! Senhores governantes: - um pouco mais de seriedade e decência. O mau exemplo dos senhores pode se alastrar pela sociedade de modo incontrolável. Cuidado! Esse é o grande perigo das suas vis atitudes. Não se esqueçam de que o povo brasileiro, apesar de sofrido e massacrado, é
digno e merece respeito!

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