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Dr.Geraldo Mendes dos Santos ( * )
É
latejante a onda de indignação do povo brasileiro
por causa das fraudes e roubos perpetrados em altos escalões
do governo. A situação é grave e parece
abranger não mais apenas casos isolados, desta ou
daquela autoridade, mas de órgãos públicos
e dos poderes constituídos da República.
Não
se trata portanto, de uma enfermidade superficial ou localizada,
mas de uma epidemia aguda e profunda e cujo quadro sintomático
se manifesta por atos execráveis e insanos, como
a violação do painel de votação
do Senado, o surrupio do dinheiro do povo, a entrega irresponsável
e indecorosa do patrimônio público às
empresas particulares em nome da privatização
dos negócios e a subordinação oficial
e ostensiva dos interesses da Pátria ao
Fundo Monetário Internacional.
A
imprensa não dá conta de tantos escândalos
e encrencas. Dizem alguns analistas que o aumento do número
destes casos se deve à maior transparência
das ações governamentais, à participação
mais ativa da mídia ou mesmo ao maior poder de controle
do povo: - verdade?! - Não importam os argumentos,
pois no mundo político, há sempre respostas
para tudo e ao final dos embates, todos proclamam acerto,
desculpa ou razão. Também, o
problema central não é exatamente esse. Não
se trata de comparar o presente com o passado, esta ou aquela
situação e nem mesmo o número absoluto
de casos, os nomes exatos dos "artistas" ou montante
vitimado pela roubalheira. Desmando no Brasil e mesmo em
outros países, até os considerados como primeiro
mundo é um vício crônico, parece fazer
parte da sociedade e da natureza humana. O que mais choca
a opinião pública é a
frieza, insensibilidade, falta de brio e decoro desses vetustos
senhores quando são pegos em flagrante ou, como se
diz na gíria, com a mão-na-cumbuca ou mesmo
com a corda no pescoço.
Mesmo diante da denúncia contundente de seus delitos,
eles sempre se comportam como super-heróis! - mantém
uma calma invejável e quando a verdade é descoberta,
não admitem o erro ou a culpa, juram inocência
por todos os santos. São pétreos!: Diante
das evidências, testemunhas ou delações,
não se abalam, enrubescem ou se acanham. Perderam
totalmente a vergonha. Frente às câmaras, a
postura é sempre altiva, mesmo sem compostura nenhuma.
São camaleônicos!: A voz, as feições
e os trejeitos são meticulosamente escolhidos, em
função do momento e até as cores das
vestes são de acordo com as circunstâncias.
São caras-de-pau!: Diante da alienação
e da passividade do povo são os coronéis manda-chuva,
mas se a nação é assombrada pelos seus
delitos, abandonam a malvedeza e tornam-se mansos. Em nenhum
caso, porém, perdem a pose e estão sempre
prontos para os holofotes da mídia. Ao deixar um
partido ou governo, pulam para o próximo ou para
qualquer outro. Dizem os gurus do marketing político
que a adoção desse
tipo de atitude é uma praxe, sinal de experiência,
competência, demonstração de conhecimento
e militância no ramo. É realmente essa a política
séria, cívica e humana? Não imagino
que seja! Se for, que vergonha!
Na evolução das sociedades estas aberrações
políticas certamente serão enfrentadas e corrigidas,
mas em todas as etapas do processo devem ser combatidas
incessantemente, sobretudo pela participação
dos intelectuais, da juventude e da imprensa. Talvez os
palácios não sejam os recintos mais apropriados
para esta tarefa redentora, nem as instâncias mais
confiáveis, para se exercer a prática da cidadania
e vislumbrar exemplos edificantes de
dignidade e justiça. Mesmo que ainda sob o jugo infame
dos Fundos monetários e sofrendo o implacável
e infame ditame dos países desenvolvidos, ainda estamos
sob o amparo da Democracia. Caso ela subsista a esse marasmo
de lama, uma alternativa interessante para este triste estado
de coisas no setor público é o brado das praças,
o clamor das ruas.
É preciso que haja uma reação vigorosa
e coletiva para que o lamaçal, ainda restrito a certos
setores não se espalhe como areia movediça,
contaminando, cobrindo e sufocando a todos. Jovens caras-pintadas:
- a longo prazo, a participação de vocês
é a esperança salvadora do pátria.
A curto prazo, no entanto, se faz necessário o grito
de protesto, as saudáveis carreatas.
Isso
é uma questão de dever e direito. Abram o
verbo para estancar o lamaçal! Senhores governantes:
- um pouco mais de seriedade e decência. O mau exemplo
dos senhores pode se alastrar pela sociedade de modo incontrolável.
Cuidado! Esse é o grande perigo das suas vis atitudes.
Não se esqueçam de que o povo brasileiro,
apesar de sofrido e massacrado, é
digno e merece respeito!
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