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Dr.Geraldo Mendes dos Santos ( * )
Há claras evidências
de que a sociedade moderna, em especial a brasileira, está
padecendo de um triste e grave mal, o qual pode ser chamado
de Normopatia. Trata-se de uma letargia inexplicável,
doentio imobilismo, cruel apatia, verdadeiro espasmo psíquico,
onde tudo parece aceitável e normal, até mesmo
as mais brutais degenerescências, as mais extravagantes
aberrações, nefastas excrescências,
as mais terríveis anomalias humanas.
Observa-se por toda parte um certo senso de indignação,
descrença e perplexidade de todos frente à
pobreza, violência, injustiça, corrupção,
politicagem e outras mazelas sociais, entretanto, nada de
profundo e eficaz se faz para reverter esta situação.
Todos parecem vítimas silenciosas, por todos os lados
impera o pacto da nulidade e da inoperância. Não
mais ocorrem manifestações arrojadas e empolgantes,
movimentos populares entusiasmantes. Tem-se a impressão
que a sociedade está atônita, inerte, engessada,
semi-morta, tonta.
O egoísmo é um sentimento crescente e as pessoas
parecem estar perdendo o senso da compaixão e comunhão
com o sofrimento alheio, prostituição e exclusão,
abate da floresta e dos cerrados e perda dos solos, com
contaminação das águas, com a destruição
do meio. A brutal violência, diariamente estampada
nos jornais, bate-papo da rua e nos programas de televisão
quando muito despertam apenas curiosidade, não mais
espanto, nada de comiseração.
A Normopatia parece ser uma doença contagiosa, provocada
principalmente pela insensatez e ganância embutidos
nos programas econômicos, na alternância estonteante
dos padrões tecnológicos e nas violentas modificações
dos paradigmas éticos e morais. Conseqüências
mais imediatas e visíveis de seu quadro clínico
são a falta de assistência aos necessitados,
o terror das drogas, o empobrecimento dos assalariados e
trabalhadores, a banalização da violência.
Seu principal agente infeccioso é o capitalismo neo-liberal,
destruidor da produção em pequena escala,
gerador da concentração da riqueza nas mãos
dos poucos espertalhões, sem endereço, nome
ou cara.
Os veículos de propagação desse mal
são as lideranças políticas e seus
apaniguados que traem os interesses do povo, vendem o patrimônio
da nação e aderem cinicamente ao mercado internacional
globalizante, insensível, selvagem e humilhante e
onde a ordem é tirar o máximo lucro, mesmo
que à custa da degradação ambiental,
a dor, a doença, a fome.
Neste sistema político, a tecnologia parece ser apanágio
de modernidade e salvação coletiva, mas os
consumidores se deparam constantemente com placebos em lugar
de remédios, automóveis e instrumentos fabricados
com absoluta e baixíssima previsão de longevidade,
além de montanhas de sucatas e lixo atômico,
alimentos inseguros e perigosos com o pomposo nome de transgênicos.
No universo virtual, as pessoas pouco produzem e descansam,
pois como escravos, passam dias e noites debruçadas
em micros, navegando em busca de negócios, dados,
notícias ou meras distrações. No mundo
da economia, a ordem é compra/venda, de preferência
com máximo lucro! E também não importa
o que se negocia, se supérfluos, drogas, venenos,
órgãos humanos, orgias, promessas de beleza
e sucesso, salvação da alma, levianas utopias!
Ciência do momento, além da informática
é o marketing, que cria expectativa e necessidade,
vende imagem de progresso, transforma assassino em vítima,
bandido em mocinho, malfeitor em boa-gente. O normopata
é normalmente acomodado, passivo, intransigente,
orgulhoso, sem muita esperança, criatividade para
nada. Seu jargão predileto é aquele que diz
"tá bom demais, se melhorar estraga!".
Ao mesmo tempo é uma criatura fraca, que se deixa
levar facilmente pelos apelos da mídia, pelas benesses
dos privilégios, ações dos maus políticos,
pelas tentações da gula, da rede e da cama.
Não precisa ser médico, filósofo ou
humanista para perceber que se faz necessária a aplicação
de poderosos remédios e práticas eficazes
para combater esse terrível mal que aflige a humanidade,
sobretudo a sociedade capitalista, a geradora de Babéis,
Gomorras, Favelas e Sodomas. SOS!
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