Samaúma
 

 

 

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( * ) Dr.Geraldo Mendes dos Santos, pesquisador
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia -INPA
Coordenação de Pesquisas em Biologia Aquática-CPBA
Av.André Araújo, 2936, Cx.P.478, Bairro Petrópolis Manaus- AM 69060-001
Tel.(092) 643.3235/324o/3244
ou 6442051
e-mail:gsantos@inpa.gov.br

A NOÇÃO DE PÚBLICO & PRIVADO


Dr.Geraldo Mendes dos Santos ( * )


E A INTEGRIDADE DO SERVIDOR

No nosso calendário cívico existe um dia consagrado ao "Servidor Público", comemorado amanhã, (hoje) dia 28. Nada mais apropriado, portanto, que explorar um pouco o significado destas duas palavras e o papel desse personagem na sociedade.

Servidor (do latim servitore): profissional que, pertencendo ou não ao quadro do funcionalismo, exerce atividade pública e portanto, tem a função de servir à coletividade. O termo é um pouco mais genérico e atualmente vem sendo utilizado até mesmo para computador provedor de listas, internet ou outras redes no mundo da informática.

Público (do latim publicus): que é pertencente, destinado ou relativo ao povo. Há várias conotações, desdobramentos e derivações da palavra, como por exemplo em público, público externo e interno, público-alvo, etc, mas fundamentalmente se aplica a algo relacionado ao uso, domínio ou interesse comum, de todos. Servidor público, portanto, é aquela pessoa que exerce a função de servir, tanto nos setores governamentais, empresariais ou mesmo pessoais e tendo como fundamento subjacente o interesse comum, o bem geral.

Se é a missão de servir à coletividade que caracteriza esse profissional, por que então a separação inconsistente e inconseqüente entre servidor público e privado? Primeiramente, devemos reconhecer que o ser humano, por natureza, é um ser extremamente complexo e complexista demais. Assim, ele normalmente tem uma mania congênita, ou melhor, uma necessidade atávica, de separar e classificar as coisas, fatos, pedras, plantas e animais.

Talvez por isso, tenha ido tão longe a ponto de separar os servidores e as empresas nas quais atuam nestas duas classes. Mas qual o sentido e o mérito dessa segregação discricionária?

Sem ser letrado em normatização trabalhista, administração de empresas ou defensor de doutrinas humanísticas, quero analisar essa situação num contexto de fraternidade e portanto, fazendo uma apologia ao senso da harmonia entre estas duas categorias, ou seja,o púbico e privado. De chofre, defendo a idéia de que elas contêm um só elemento, possui uma única unidade, pelo simples fato de que tanto uma como outra visa servir à coletividade. Se assim não fora, por que, por exemplo, considerar o profissional que ensina e pesquisa no quadro da Universidade do Amazonas, como servidor público e na Universidade Luterana, como privado?

Igualmente, por que essa discriminação também para os motoristas, guardas,
bibliotecários, agentes de segurança e outros profissionais que exercem as mesmíssimas funções em empresas e instituições taxadas de púbicas e privadas?

Servidor não é aquele que tem responsabilidade cívica, visa satisfazer o cliente, servir ao povo e prestar serviço à comunidade? Entendo que o alcance da obra de todo profissional está na natureza e mérito de seu trabalho e não na categoria à qual está vinculado. O importante é a sua honestidade e competência e portanto, o bom servidor é aquele capaz de
enxergar o alcance de sua obra além do egoísmo, da própria fama, do próprio bolso, dos interesses pessoais.

O bom servidor é laborioso e tem atitude correta, não somente por necessidade, pressão ou pressa, mas sobretudo pela consciência e conscientização, pelo senso de cidadania e do dever cívico, pelo clamor da vocação.

Enfatizo a grandeza dos profissionais que atuam em campos específicos, mas são capazes de perceber a inter-relação de seus atos com as demais ações coletivas. Enfatizo ainda mais os que fazem do trabalho, mesmo que trivial, uma experiência inovadora e saudável, uma manifestação de gratidão e alegria pelos talentos que possuem e uma fé imorredoura nos desígnios da Vida.

Enfatizo, por último, o operário que opera com entusiasmo, responsabilidade e galhardia, independentemente dos ganhos financeiros, do clima institucional e de outras idiossincrasias. O trabalhador não deve ser categorizado em público e privado, pois a
missão de ambos no campo social é grande e tem idêntica natureza. Além disso, também é idêntica a missão de ambos, isto é, o crescimento pessoal, a grandeza da empresa e o bem-estar geral. Nessa visão, os termos público e privado deveriam ser condensados em algo mais uníssono e unitário, talvez sob o título de comunitário. Seja como for, tanto o trabalhador público como privado são seres humanos capacitados, têm uma grandiosa missão a exercer, devem viver para servir, tanto quanto servir para viver. Assim sendo, abaixo a noção separatista entre público e privado quando o assunto é a satisfação do cliente e a construção da sociedade. Viva, portanto o servidor e a sua integridade.

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