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Dr.Geraldo Mendes dos Santos ( * )
E A INTEGRIDADE DO SERVIDOR
No nosso
calendário cívico existe um dia consagrado
ao "Servidor Público", comemorado amanhã,
(hoje) dia 28. Nada mais apropriado, portanto, que explorar
um pouco o significado destas duas palavras e o papel desse
personagem na sociedade.
Servidor
(do latim servitore): profissional que, pertencendo ou não
ao quadro do funcionalismo, exerce atividade pública
e portanto, tem a função de servir à
coletividade. O termo é um pouco mais genérico
e atualmente vem sendo utilizado até mesmo para computador
provedor de listas, internet ou outras redes no mundo da
informática.
Público
(do latim publicus): que é pertencente, destinado
ou relativo ao povo. Há várias conotações,
desdobramentos e derivações da palavra, como
por exemplo em público, público externo e
interno, público-alvo, etc, mas fundamentalmente
se aplica a algo relacionado ao uso, domínio ou interesse
comum, de todos. Servidor público, portanto, é
aquela pessoa que exerce a função de servir,
tanto nos setores governamentais, empresariais ou mesmo
pessoais e tendo como fundamento subjacente o interesse
comum, o bem geral.
Se
é a missão de servir à coletividade
que caracteriza esse profissional, por que então
a separação inconsistente e inconseqüente
entre servidor público e privado? Primeiramente,
devemos reconhecer que o ser humano, por natureza, é
um ser extremamente complexo e complexista demais. Assim,
ele normalmente tem uma mania congênita, ou melhor,
uma necessidade atávica, de separar e classificar
as coisas, fatos, pedras, plantas e animais.
Talvez
por isso, tenha ido tão longe a ponto de separar
os servidores e as empresas nas quais atuam nestas duas
classes. Mas qual o sentido e o mérito dessa segregação
discricionária?
Sem
ser letrado em normatização trabalhista, administração
de empresas ou defensor de doutrinas humanísticas,
quero analisar essa situação num contexto
de fraternidade e portanto, fazendo uma apologia ao senso
da harmonia entre estas duas categorias, ou seja,o púbico
e privado. De chofre, defendo a idéia de que elas
contêm um só elemento, possui uma única
unidade, pelo simples fato de que tanto uma como outra visa
servir à coletividade. Se assim não fora,
por que, por exemplo, considerar o profissional que ensina
e pesquisa no quadro da Universidade do Amazonas, como servidor
público e na Universidade Luterana, como privado?
Igualmente,
por que essa discriminação também para
os motoristas, guardas,
bibliotecários, agentes de segurança e outros
profissionais que exercem as mesmíssimas funções
em empresas e instituições taxadas de púbicas
e privadas?
Servidor
não é aquele que tem responsabilidade cívica,
visa satisfazer o cliente, servir ao povo e prestar serviço
à comunidade? Entendo que o alcance da obra de todo
profissional está na natureza e mérito de
seu trabalho e não na categoria à qual está
vinculado. O importante é a sua honestidade e competência
e portanto, o bom servidor é aquele capaz de
enxergar o alcance de sua obra além do egoísmo,
da própria fama, do próprio bolso, dos interesses
pessoais.
O
bom servidor é laborioso e tem atitude correta, não
somente por necessidade, pressão ou pressa, mas sobretudo
pela consciência e conscientização,
pelo senso de cidadania e do dever cívico, pelo clamor
da vocação.
Enfatizo
a grandeza dos profissionais que atuam em campos específicos,
mas são capazes de perceber a inter-relação
de seus atos com as demais ações coletivas.
Enfatizo ainda mais os que fazem do trabalho, mesmo que
trivial, uma experiência inovadora e saudável,
uma manifestação de gratidão e alegria
pelos talentos que possuem e uma fé imorredoura nos
desígnios da Vida.
Enfatizo,
por último, o operário que opera com entusiasmo,
responsabilidade e galhardia, independentemente dos ganhos
financeiros, do clima institucional e de outras idiossincrasias.
O trabalhador não deve ser categorizado em público
e privado, pois a
missão de ambos no campo social é grande e
tem idêntica natureza. Além disso, também
é idêntica a missão de ambos, isto é,
o crescimento pessoal, a grandeza da empresa e o bem-estar
geral. Nessa visão, os termos público e privado
deveriam ser condensados em algo mais uníssono e
unitário, talvez sob o título de comunitário.
Seja como for, tanto o trabalhador público como privado
são seres humanos capacitados, têm uma grandiosa
missão a exercer, devem viver para servir, tanto
quanto servir para viver. Assim sendo, abaixo a noção
separatista entre público e privado quando o assunto
é a satisfação do cliente e a construção
da sociedade. Viva, portanto o servidor e a sua integridade.
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