Samaúma
 

 

 

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( * ) Dr.Geraldo Mendes dos Santos, pesquisador
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia -INPA
Coordenação de Pesquisas em Biologia Aquática-CPBA
Av.André Araújo, 2936, Cx.P.478, Bairro Petrópolis Manaus- AM 69060-001
Tel.(092) 643.3235/324o/3244
ou 6442051
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HOLISMO COMO PARADIGMA DA VIRADA


Dr.Geraldo Mendes dos Santos ( * )



Pronto! o ano novo surgiu.

Chegamos ao tão esperado e decantado milênio; estamos em pleno 2001. As festas de confraternização já passaram, a agenda de metas, projetos e propósitos está preparada, é chegada a hora de agir.

Ano novo não é para ser comemorado apenas na passagem de uma data para outra, no frenesi de shoppings, férias, viagens e compras, mas na vivência dos dias seguintes e em tudo que advém a partir dalí. Eis porque, uma vez baixada a poeira festiva, é na volta à normalidade do quotidiano que se dá conta da realidade e onde se recomeçam, de fato, a verdadeira virada, momento da reconstrução do presente e preparação do porvir.

Certamente muitas evocações e preces foram feitas, mas não é demais invocar que nesta nova fase milenar os políticos estejam mais imbuídos de suas reais responsabilidades; os intelectuais mais afinados com as aspirações dos seres humanos; os profissionais, mais atentos à sua missão social; os cidadãos, mais cuidadosos com seus atos cívicos e as pessoas mais conscientes de suas atitudes e mais sensíveis aos essenciais valores da vida.

Em tudo e em todos há o que melhorar, mas destaco a necessidade de aprimoramento na atitude dos governantes, a quem a sociedade concede o direito e o poder de decidir e mandar. Assim, por exemplo, é de se esperar que a prática vergonhosa e ultrajante da instalação de outdoors para fazer propaganda de logotipos e de obras públicas realizadas com dinheiro do contribuinte, seja de uma vez por todas abolida. A invenção de números e dados forjados, para dar idéia de realizações e melhorias tem que acabar. A compra de votos, a censura à imprensa... nem pensar!

Que os governantes sejam mais responsáveis e sensatos, que estejam realmente interessados na realização de serviços públicos; que nunca se utilizem do posto que ocupam para espoliar, perseguir, praticar o ilícito, roubar. O poder é demais fugaz e tentador e por isso, ao invés da sociedade ficar esperando passivamente este tal aperfeiçoamento do agente administrador, talvez seja mais prudente instigar a consciência cívica dos cidadãos, apelar para o senso de cidadania de cada eleitor.

Nesse sentido, os intelectuais, empresários, artistas e outros profissionais de gabarito têm uma responsabilidade imensa, pois é a eles que compete a análise e a crítica, a motivação para as mudanças, abertura de novos caminhos, dilatação dos horizontes, adoção de novos paradigmas. Assim, creio ter chegada a hora de se abrir a mão dos jargões deturpados e das noções deformadas de progresso nacional, crescimento do bolo econômico, desenvolvimento sustentável e outros artifícios do gênero.

Urge refletir sobre o atual e condenável processo civilizatório, onde a virtude é centrada na competição e no lucro e adotar uma revolucionária doutrina cooperativa, calcada na fraternidade, na justiça e na ética. Não da fraternidade como noção de piedade ou esmola; da justiça cartorial do estado ou da ética desta ou daquela profissão, mas da suas essências, ou seja, uma profunda concepção holística, de total respeito ao ser humano, ao meio ambiente, ao planeta terra.

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