Dr.Geraldo Mendes dos Santos ( * )
Pronto! o ano novo
surgiu.
Chegamos ao tão esperado
e decantado milênio; estamos em pleno 2001. As festas
de confraternização já passaram, a
agenda de metas, projetos e propósitos está
preparada, é chegada a hora de agir.
Ano novo não é
para ser comemorado apenas na passagem de uma data para
outra, no frenesi de shoppings, férias, viagens e
compras, mas na vivência dos dias seguintes e em tudo
que advém a partir dalí. Eis porque, uma vez
baixada a poeira festiva, é na volta à normalidade
do quotidiano que se dá conta da realidade e onde
se recomeçam, de fato, a verdadeira virada, momento
da reconstrução do presente e preparação
do porvir.
Certamente muitas evocações e preces foram
feitas, mas não é demais invocar que nesta
nova fase milenar os políticos estejam mais imbuídos
de suas reais responsabilidades; os intelectuais mais afinados
com as aspirações dos seres humanos; os profissionais,
mais atentos à sua missão social; os cidadãos,
mais cuidadosos com seus atos cívicos e as pessoas
mais conscientes de suas atitudes e mais sensíveis
aos essenciais valores da vida.
Em tudo e em todos há o que melhorar, mas destaco
a necessidade de aprimoramento na atitude dos governantes,
a quem a sociedade concede o direito e o poder de decidir
e mandar. Assim, por exemplo, é de se esperar que
a prática vergonhosa e ultrajante da instalação
de outdoors para fazer propaganda de logotipos e de obras
públicas realizadas com dinheiro do contribuinte,
seja de uma vez por todas abolida. A invenção
de números e dados forjados, para dar idéia
de realizações e melhorias tem que acabar.
A compra de votos, a censura à imprensa... nem pensar!
Que os governantes sejam mais responsáveis e sensatos,
que estejam realmente interessados na realização
de serviços públicos; que nunca se utilizem
do posto que ocupam para espoliar, perseguir, praticar o
ilícito, roubar. O poder é demais fugaz
e tentador e por isso, ao invés da sociedade ficar
esperando passivamente este tal aperfeiçoamento do
agente administrador, talvez seja mais prudente instigar
a consciência cívica dos cidadãos, apelar
para o senso de
cidadania de cada eleitor.
Nesse sentido, os intelectuais, empresários, artistas
e outros profissionais de gabarito têm uma responsabilidade
imensa, pois é a eles que compete a análise
e a crítica, a motivação para
as mudanças, abertura de novos caminhos, dilatação
dos horizontes, adoção de novos paradigmas.
Assim, creio ter chegada a hora de se abrir a mão
dos jargões deturpados e das noções
deformadas de progresso nacional, crescimento do bolo econômico,
desenvolvimento sustentável e outros artifícios
do gênero.
Urge refletir sobre o atual e condenável processo
civilizatório, onde a virtude é centrada na
competição e no lucro e adotar uma revolucionária
doutrina cooperativa, calcada na fraternidade, na justiça
e na ética. Não da fraternidade como noção
de piedade ou esmola; da justiça cartorial do estado
ou da ética desta ou daquela profissão, mas
da suas essências, ou seja, uma profunda concepção
holística, de total respeito ao ser humano, ao meio
ambiente, ao planeta terra. |