SAMAÚMA
 

 

 

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( * ) Dr.Geraldo Mendes dos Santos, pesquisador
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia -INPA
Coordenação de Pesquisas em Biologia Aquática-CPBA
Av.André Araújo, 2936, Cx.P.478, Bairro Petrópolis Manaus- AM 69060-001
Tel.(092) 643.3235/324o/3244
ou 6442051
e-mail:gsantos@inpa.gov.br

 




 

GAIA: TEORIA DA CIÊNCIA


Dr.Geraldo Mendes dos Santos ( * )



E INFLUÊNCIA DO MITO

A teoria de Gaia vem sendo utilizada com muita freqüência depois do trabalho desenvolvido pelo geoquímico britânico James Lovelock e sua colega Lynnn Margulies, microbiologista norte-americana. Ela se fundamenta no fato de que o planeta Terra atua como um super-organismo vivo complexo, organizado e ato-regulável e cujo equilíbrio, dinâmico e sutil, vem sendo bastante ameaçado nas últimas décadas.

Na verdade, não somente o nome, mas também a própria acepção da palavra Gaia remonta aos velhos mitos greco-romanos, onde Gaîa (Tellus em latim) era a deusa que representava a Terra, entidade concreta e estável, surgida depois do estágio inicial em que imperava o caos (Káos), considerado um abismo vazio e ermo e onde nada existia. Gaia era a natureza coberta de águas, terras, bichos, montanhas e grutas subterrâneas.

No imaginário greco-romano, que fomentou a cultura ocidental, o mistério da Terra era ainda representado por duas outras figuras mitológicas:
Deméter (Ceres), que simbolizava a deusa das sementeiras, a terra destinada ao cultivo e à produção de alimentos; dela advém o nome cereais, que tanto conhecemos. A outra era Héstia (Vesta), que simbolizava a parte da terra destinada ao recolhimento e descanso, à edificação do recinto para moradia. Na mitologia, a Terra era concebida como entidade venerável, mâe-natureza, pancha-mama, magna-mater. Hoje, esta mesma visão é compartilhada pela Ecologia que estuda a inter-relação dos seres e sua interação com o mundo.

Observa-se, portanto, que tanto os mitos como os princípios ecológicos têm muito em comum, defendem os mesmos valores, comungam dos mesmos ideais. Observa-se, também, que ao contrário da Mitologia que foi relegada, a ciência é atualmente um grande fetiche, a marca do saber. A dicotomia existente entre essas duas fontes de conhecimento, como de resto ocorre entre o espiritualismo e o racionalismo, o senso e a lógica e entre as ciências consideradas "duras" e "moles", é uma visão míope e tendenciosa, uma intolerância descabida e um artifício mental-ideológico sem mérito.

Na busca de uma visão mais ampla e integrativa da realidade que nos cerca e onde a diversidade sócio-cultural e física parece ser o melhor modelo, é justo afirmar que os conhecimentos embutidos tanto nos princípios mitológicos como científicos devem ser considerados com idêntico cuidado e respeito, pois via de regra eles contém as mesmas "verdades", apesar destas serem vistas por diferentes prismas e portanto, percebidas de diferentes maneiras