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Dr.Geraldo Mendes dos Santos ( * )
E INFLUÊNCIA
DO MITO
A teoria de Gaia vem sendo
utilizada com muita freqüência depois do trabalho
desenvolvido pelo geoquímico britânico James
Lovelock e sua colega Lynnn Margulies, microbiologista norte-americana.
Ela se fundamenta no fato de que o planeta Terra atua como
um super-organismo vivo complexo, organizado e ato-regulável
e cujo equilíbrio, dinâmico e sutil, vem sendo
bastante ameaçado nas últimas décadas.
Na verdade, não somente
o nome, mas também a própria acepção
da palavra Gaia remonta aos velhos mitos greco-romanos,
onde Gaîa (Tellus em latim) era a deusa que representava
a Terra, entidade concreta e estável, surgida depois
do estágio inicial em que imperava o caos (Káos),
considerado um abismo vazio e ermo e onde nada existia.
Gaia era a natureza coberta de águas, terras, bichos,
montanhas e grutas subterrâneas.
No imaginário greco-romano,
que fomentou a cultura ocidental, o mistério da Terra
era ainda representado por duas outras figuras mitológicas:
Deméter (Ceres), que simbolizava a deusa das sementeiras,
a terra destinada ao cultivo e à produção
de alimentos; dela advém o nome cereais, que tanto
conhecemos. A outra era Héstia (Vesta), que simbolizava
a parte da terra destinada ao recolhimento e descanso, à
edificação do recinto para moradia. Na mitologia,
a Terra era concebida como entidade venerável, mâe-natureza,
pancha-mama, magna-mater. Hoje, esta mesma visão
é compartilhada pela Ecologia que estuda a inter-relação
dos seres e sua interação com o mundo.
Observa-se, portanto, que
tanto os mitos como os princípios ecológicos
têm muito em comum, defendem os mesmos valores, comungam
dos mesmos ideais. Observa-se, também, que ao contrário
da Mitologia que foi relegada, a ciência é
atualmente um grande fetiche, a marca do saber. A dicotomia
existente entre essas duas fontes de conhecimento, como
de resto ocorre entre o espiritualismo e o racionalismo,
o senso e a lógica e entre as ciências consideradas
"duras" e "moles", é uma visão
míope e tendenciosa, uma intolerância descabida
e um artifício mental-ideológico sem mérito.
Na busca de uma visão
mais ampla e integrativa da realidade que nos cerca e onde
a diversidade sócio-cultural e física parece
ser o melhor modelo, é justo afirmar que os conhecimentos
embutidos tanto nos princípios mitológicos
como científicos devem ser considerados com idêntico
cuidado e respeito, pois via de regra eles contém
as mesmas "verdades", apesar destas serem vistas
por diferentes prismas e portanto, percebidas de diferentes
maneiras
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