Samaúma
 







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( * ) Dr.Geraldo Mendes dos Santos, pesquisador
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia -INPA
Coordenação de Pesquisas em Biologia Aquática-CPBA
Av.André Araújo, 2936, Cx.P.478, Bairro Petrópolis Manaus- AM 69060-001
Tel.(092) 643.3235/324o/3244
ou 6442051
e-mail:
gsantos@inpa.gov.br

 


Exceção e Regra em defesa da Amazônia

 

Dr.Geraldo Mendes dos Santos *

Tanto a ciência como a maioria das culturas populares têm como certo que o homem (as mulheres também, claro!) é um ser originário do planeta terra, feito e moldado através de um lento mas fabuloso processo da evolução. Isto é um fato tão claro e se afigura de modo tão didático que até o nome científico do gênero ao que pertence (Homo) provém do latim Humus que significa exatamente terra; aliás, terreno bom e fértil!

A terra é não somente nosso berço, mas é também dela que é retirado todo nosso sustento. Nossos corpos são totalmente adaptados a ela e também são constituídos de seus próprios elementos.

Não quero aqui entrar no mérito da questão sobre imortalidade da alma, já que há um certo consenso de que somos feitos à imagem e semelhança de Deus, mas apenas reafirmar que terra e homem formam uma só realidade, unidade íntima e fecunda. Como dizem os livros sagrados: os que vieram da terra para a terra volverão.

Colocado há milênios e ainda hoje tido como rei da criação, o homem é de fato um ser espetacular e por isso, até mesmo sob o exclusivo ponto de vista das leis evolutivas, pode-se afirmar que ele é resultado da corporificação da própria terra, no seu momento apical de complexidade e de auto-consciência.

A falsa noção e arrogante atitude de certos líderes e mesmo de ignorantes cidadãos que incentivam uma dominação da terra como se esta fosse objeto de posse, baú de recursos a serem explorados ou tão somente um simples joguete da sorte é de uma irresponsabilidade grotesca e insensatez mórbida. Infelizmente, grande parte das espécies e dos ecossistemas foi e continua sendo dilapidada e destruída, exatamente por causa dessa imbecilidade e desses absurdos motes.

Tenho observado que o acervo de conhecimentos e informações geradas pela ciência e pela técnica não garantem por si só, os valores transcendentes nem mesmo éticos necessários à harmonia na relação do homem com a terra.

Pior que isso e de modo paradoxal, foram elas próprias que abriram o fosso e as portas para o processo vertiginoso de super-exploração, poluição, extermínio de espécie e tantas outras mazelas.

É verdade que desde as mais antigas civilizações matrifocais, passando pelo patriarcado até o domínio definitivo da ciências e da técnica, sempre houve uma certa veneração atávica pela natureza. Também em todas as épocas nunca faltaram espíritos sensíveis à magia das águas e florestas, ao encanto dos pores-de-sol e à beleza das flores, mas parece que atualmente isso vem se acentuando de maneira extraordinária. Talvez se dá porque muitos recursos naturais já se esgotaram, muitos mananciais desapareceram e vários rios se transformaram em esgotos... Lastimável! Triste! Vergonhoso!

Neste contexto, importa lembrar que a mudança de mentalidade é profundamente necessária para a reparação e isso deve abranger novas atitudes e hábitos, um alto grau de consciência cívica! Claro está que isso deve ser atribuição de todos os cidadãos, incluindo empresários, latifundiários, fazendeiros, sitiantes, políticos, cidadãos de todas as origens e credos e também cientistas e intelectuais, sobretudo aqueles que são talentosos, lidam com a informação e têm poder de persuasão para a mudança de hábitos e valores.

É claro que o conhecimento é bom e preciso, mas a atitude é a base. Partindo desse princípio, deduz-se que a ação e o ato são tão ou mais importantes que o cientificismo com as complexas teorias ecológicas do super-organismo Gaia ou as tão decantadas noções de sustentabilidade. Num cenário desejável para a preservação da Amazônia e de outros importantes ecossistemas da terra defendo que a Ciência e Tecnologia são importantes, mas estas são inegavelmente um privilégio de poucos e portanto devem ser vistas como honrosas exceções. A conscientização e atitude coletivas frente a natureza é um bem maior, mais eficaz e abrangente e portanto devem constituir a regra. Exceção e regra: - Tudo e todos em defesa da preservação da Amazônia!