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Dr.Geraldo Mendes dos Santos *
Tanto
a ciência como a maioria das culturas populares têm
como certo que o homem (as mulheres também, claro!)
é um ser originário do planeta terra, feito
e moldado através de um lento mas fabuloso processo
da evolução. Isto é um fato tão
claro e se afigura de modo tão didático que
até o nome científico do gênero ao que
pertence (Homo) provém do latim Humus que significa
exatamente terra; aliás, terreno bom e fértil!
A
terra é não somente nosso berço, mas
é também dela que é retirado todo nosso
sustento. Nossos corpos são totalmente adaptados
a ela e também são constituídos de
seus próprios elementos.
Não
quero aqui entrar no mérito da questão sobre
imortalidade da alma, já que há um certo consenso
de que somos feitos à imagem e semelhança
de Deus, mas apenas reafirmar que terra e homem formam uma
só realidade, unidade íntima e fecunda. Como
dizem os livros sagrados: os que vieram da terra para a
terra volverão.
Colocado
há milênios e ainda hoje tido como rei da criação,
o homem é de fato um ser espetacular e por isso,
até mesmo sob o exclusivo ponto de vista das leis
evolutivas, pode-se afirmar que ele é resultado da
corporificação da própria terra, no
seu momento apical de complexidade e de auto-consciência.
A
falsa noção e arrogante atitude de certos
líderes e mesmo de ignorantes cidadãos que
incentivam uma dominação da terra como se
esta fosse objeto de posse, baú de recursos a serem
explorados ou tão somente um simples joguete da sorte
é de uma irresponsabilidade grotesca e insensatez
mórbida. Infelizmente, grande parte das espécies
e dos ecossistemas foi e continua sendo dilapidada e destruída,
exatamente por causa dessa imbecilidade e desses absurdos
motes.
Tenho
observado que o acervo de conhecimentos e informações
geradas pela ciência e pela técnica não
garantem por si só, os valores transcendentes nem
mesmo éticos necessários à harmonia
na relação do homem com a terra.
Pior
que isso e de modo paradoxal, foram elas próprias
que abriram o fosso e as portas para o processo vertiginoso
de super-exploração, poluição,
extermínio de espécie e tantas outras mazelas.
É
verdade que desde as mais antigas civilizações
matrifocais, passando pelo patriarcado até o domínio
definitivo da ciências e da técnica, sempre
houve uma certa veneração atávica pela
natureza. Também em todas as épocas nunca
faltaram espíritos sensíveis à magia
das águas e florestas, ao encanto dos pores-de-sol
e à beleza das flores, mas parece que atualmente
isso vem se acentuando de maneira extraordinária.
Talvez se dá porque muitos recursos naturais já
se esgotaram, muitos mananciais desapareceram e vários
rios se transformaram em esgotos... Lastimável! Triste!
Vergonhoso!
Neste
contexto, importa lembrar que a mudança de mentalidade
é profundamente necessária para a reparação
e isso deve abranger novas atitudes e hábitos, um
alto grau de consciência cívica! Claro está
que isso deve ser atribuição de todos os cidadãos,
incluindo empresários, latifundiários, fazendeiros,
sitiantes, políticos, cidadãos de todas as
origens e credos e também cientistas e intelectuais,
sobretudo aqueles que
são talentosos, lidam com a informação
e têm poder de persuasão para a mudança
de hábitos e valores.
É
claro que o conhecimento é bom e preciso, mas a atitude
é a base. Partindo desse princípio, deduz-se
que a ação e o ato são tão ou
mais importantes que o cientificismo com as complexas teorias
ecológicas do super-organismo Gaia ou as tão
decantadas noções de sustentabilidade. Num
cenário desejável para a preservação
da Amazônia e de outros importantes ecossistemas da
terra defendo que a Ciência e Tecnologia são
importantes, mas estas são inegavelmente um privilégio
de poucos e portanto devem ser vistas como honrosas exceções.
A conscientização e atitude coletivas frente
a natureza é um bem maior, mais eficaz e abrangente
e portanto devem constituir a regra. Exceção
e regra: - Tudo e todos em defesa da preservação
da Amazônia! |