|
Dr.Geraldo Mendes dos Santos *
A Ciência é o instrumento
humano mais bem elaborado e eficaz para a busca do conhecimento
e, consequentemente, para o entendimento do mundo e do homem,
por si mesmo. Originária das orquestrações
mentais dos mitos e posteriormente aquilatada pela racionalidade
da Filosofia, hoje em dia ela se irradia por incontáveis
disciplinas, cada qual com seus objetos e métodos
e também com suas aspirações, virtudes
e idiossincrasias.
Cada especialização científica busca
o conhecimento e portanto merece respeito, mas devo confessar
uma certa predileção pela Ecologia que é
o tratado das inter-relações dos seres entre
si e com seu meio. O ideário central provém
da história natural dos gregos, particularmente de
Teofrasto, discípulo de Aristóteles, mas o
termo foi cunhado pela primeira vez no final da década
de 1880 pelo zoólogo alemão Ernst Haeckel,
grande estudioso dos peixes.
Para uma sociedade capitalista, fundamentada
na produção e consumo, talvez fosse didaticamente
apropriado defini-la como "economia da natureza".
Para uma comunidade religiosa que reverencia o mistério
da ressurreição - ou reencarnação,
como queiram!- talvez fosse oportuno afirmar que existe uma
relação marcante e estreita entre os princípios
ecológicos e os valores cristãos.
À primeira vista, a comparação pode parecer
esdrúxula e suscitar dúvidas, antagonismo ou
até mesmo exaltação de ânimo, mas
para quem conhece o enunciado de uma Ecologia denominada pelo
filósofo noruegûes Arne Naess de Profunda e vivencia
os ensinamentos da fraternidade tão bem propalados
por Francisco de Assis, não podem se insurgir ou mesmo
ter dúvida alguma. Não sou perito em assuntos
teosóficos nem tenho grandes interesses pelos dogmas
teológicos e muito menos pelos caprichos do teologismo,
mas como cientista e espiritualista, entendo perfeitamente
os pontos de convergência existentes entre Ecologia
e Religião, ambas com o sentido de "religare",
isto é, religação.
Os exemplos mais simples dessa assertiva podem ser percebidos
nas noções de evolução, conservação
das massas e na diferenciação, mesmo que difusa,
entre energia e matéria, ecumenismo e comunidades,
entre as coisas ditas dos céus e da terra. As essências
dos objetos tratados pela Ecologia profunda são exatamente
as mesmos estudadas pela Ciência, como um todo, pela
Espiritualidade e também pela Ética. Santa Unicidade!
Daí que gosto de lembrar da sentença bíblica
de que fomos feitos à imagem de Deus e da revelação
científica que prova sermos originários do pó
das estrelas.
Afinal, se no campo material e corpóreo estas transformações
maravilhosas ocorrem, o que não dizer e esperar do
universo sumamente mais complexo onde provavelmente operam
os fenômenos relacionadas à imortalidade do espírito,
conservação da consciência e transcendência
da alma?! Daí, entender que a evolução
biológica se processa na integridade, ou seja, pela
alternância da vida e da morte e que a salvação
espiritual se processa de maneira análoga, isto é,
como nos ensinou o grande Profeta: "Para ver o reino
de Deus, é preciso nascer de novo. As sentenças
bíblicas "renascei! e "crescei e multiplicai!"
encerram o mesmo senso da teoria científica da "evolução
natural". Portanto, ambas comungam os mesmos princípios,
idéias e ideais. Esse é o sentido da Vida, o
emblema da Páscoa, a mensagem do Pai. |