Samaúma
 

 

 

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( * ) Dr.Geraldo Mendes dos Santos, pesquisador
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia -INPA
Coordenação de Pesquisas em Biologia Aquática-CPBA
Av.André Araújo, 2936, Cx.P.478, Bairro Petrópolis Manaus- AM 69060-001
Tel.(092) 643.3235/324o/3244
ou 6442051
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DEMOLIÇÃO DA SACRALIDADE


Dr.Geraldo Mendes dos Santos ( * )

Li numa revista semanal que a milícia muçulmana Talebã, mandatária da maior parte do território asiático do Afeganistão, decretou a demolição de todas as estátuas do país. Para esse grupo de radicais, toda representação humana é tida como blasfêmia e imagens de outras religiões é uma afronta ao único deus Alá.

Monumentos espetaculares, verdadeiros tesouros arqueológicos, como uma estátua de Buda ricamente esculpida entre os séculos III e V com 53m de altura, distintivo do país, inclusive destacada na enciclopédia Barsa, já foram vítimas desse vandalismo.

Atos como este estão sendo considerados pelo restante do mundo como autêntico terrorismo e barbárie. Afinal, trata-se da destruição de um legado artístico e histórico, verdadeiro patrimônio da humanidade, conduzido por causa de dogmas religiosos e em nome do Deus-Pai! Que pecado bárbaro!

É evidente que um fato dessa natureza é profundamente lastimável e revoltante, mas é preciso lembrar que outros povos de outras religiões e nacionalidades também têm perpetrado crimes hediondos semelhantes. É o caso, por exemplo, da violência perversa e criminosa contra a natureza desencadeada por todos os lados.

Talvez este caso seja pior que aquele, pois enquanto os talebãs o fazem em nome da fé e das leis islâmicas, estes parecem ocorrer sem nenhuma ideologia ou propósito, a não ser o consumo desenfreado, má fé, pura ignorância ou mesmo por nada...

Acho que todos conhecem exemplos paroquiais e que ilustram bem este drama, sobretudo nas proximidades dos grandes centros urbanos, mas vou dar um pequeno testemunho do que acontece em nossa cidade: Cerca de vinte anos atrás, Manaus contava com dois riachos totalmente preservados, de águas límpidas e cristalinas: a Ponte-da-Bolívia, no Km 15 da BR-174 e o Igarapé Tarumã, próximo à vila Vivenda.

Esses locais eram balneários magníficos e onde a população manauara refugiava nos finais-de-semana. Esta preciosidade foi literalmente destroçada e hoje, em seu lugar, predominam lixo e lama.

Temos, portanto, dois casos parecidos de destruição ambiental, verdadeiros atentados à sacralidade da vida: um, contra os recursos beneplácitos da natureza, outro contra a criatividade humana consubstanciados em arte sacra. Ambos, profundamente tétricos e totalmente condenáveis. Os cidadãos conscientes precisam se opor à estas barbáries. Está passando da hora de mudanças.