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Dr.Geraldo Mendes dos Santos ( * )
Li numa revista semanal que
a milícia muçulmana Talebã, mandatária
da maior parte do território asiático do Afeganistão,
decretou a demolição de todas as estátuas
do país. Para esse grupo de radicais, toda representação
humana é tida como blasfêmia e imagens de outras
religiões é uma afronta ao único deus
Alá.
Monumentos espetaculares, verdadeiros tesouros arqueológicos,
como uma estátua de Buda ricamente esculpida entre
os séculos III e V com 53m de altura, distintivo
do país, inclusive destacada na enciclopédia
Barsa, já foram vítimas desse vandalismo.
Atos como este estão sendo considerados pelo restante
do mundo como autêntico terrorismo e barbárie.
Afinal, trata-se da destruição de um legado
artístico e histórico, verdadeiro patrimônio
da humanidade, conduzido por causa de dogmas religiosos
e em nome do Deus-Pai! Que pecado bárbaro!
É evidente que um fato dessa natureza é profundamente
lastimável e revoltante, mas é preciso lembrar
que outros povos de outras religiões e nacionalidades
também têm perpetrado crimes hediondos semelhantes.
É o caso, por exemplo, da violência perversa
e criminosa contra a natureza desencadeada por todos os
lados.
Talvez este caso seja pior que aquele, pois enquanto os
talebãs o fazem em nome da fé e das leis islâmicas,
estes parecem ocorrer sem nenhuma ideologia ou propósito,
a não ser o consumo desenfreado, má fé,
pura ignorância ou mesmo por nada...
Acho que todos conhecem exemplos paroquiais e que ilustram
bem este drama, sobretudo nas proximidades dos grandes centros
urbanos, mas vou dar um pequeno testemunho do que acontece
em nossa cidade: Cerca de vinte anos atrás, Manaus
contava com dois riachos totalmente preservados, de águas
límpidas e cristalinas: a Ponte-da-Bolívia,
no Km 15 da BR-174 e o Igarapé Tarumã, próximo
à vila Vivenda.
Esses locais eram balneários magníficos e
onde a população manauara refugiava nos finais-de-semana.
Esta preciosidade foi literalmente destroçada e hoje,
em seu lugar, predominam lixo e lama.
Temos, portanto, dois casos parecidos de destruição
ambiental, verdadeiros atentados à sacralidade da
vida: um, contra os recursos beneplácitos da natureza,
outro contra a criatividade humana consubstanciados em arte
sacra. Ambos, profundamente tétricos e totalmente
condenáveis. Os cidadãos conscientes precisam
se opor à estas barbáries. Está passando
da hora de mudanças.
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