Samaúma
 

 

 

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( * ) Dr.Geraldo Mendes dos Santos, pesquisador
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia -INPA
Coordenação de Pesquisas em Biologia Aquática-CPBA
Av.André Araújo, 2936, Cx.P.478, Bairro Petrópolis Manaus- AM 69060-001
Tel.(092) 643.3235/324o/3244
ou 6442051
e-mail:gsantos@inpa.gov.br

A ARTE DE PLANEJAR


 

Dr.Geraldo Mendes dos Santos ( * )

 



Tendo participado na última semana dos trabalhos de elaboração do plano diretor para a cidade de Manaus, assisti a um rol imenso de idéias maravilhosas de profissionais e leigos, com vistas à melhoria das condições de vida do povo e do aproveitamento sustentável das potencialidades locais. Mais recentemente, tive a oportunidade de assistir à duas palestras de candidatos a reitor da Universidade do Amazonas, onde foram tecidos comentários competentes e brilhantes a respeito dos entraves, oportunidades e especialmente do papel dessa instituição no contexto educacional, científico e sócio-cultural do estado e por extensão, de toda a Amazônia.

Os dois eventos se constituíram em autênticas aulas de visão estratégica, administração e planejamento e também serviram como atestado de que dispomos aqui no Norte de pessoas capacitadas, experientes e competentes. Há, no entanto, algo surpreendente que intriga, desafia a coerência e clama por entendimento. Isso se refere à manifestação da existência de soluções potenciais e alternativas viáveis para todo tipo de problema, desde os mais corriqueiros e superficiais, aos mais estruturais e crônicos. Claro que isso não é um atributo único do povo dessa região, mas ocorre sobejamente pelo país afora e certamente pelo restante do mundo.

Daí, que compete a simples e despretensiosa pergunta: Por que estas soluções não são ou demoram tanto para serem implementadas? É notório que as pessoas, mesmo não se tratando de planejadores formais (ou talvez por isso mesmo!), são capazes de uma análise bem elaborada e de proposições criativas e inovadoras para mudanças de situações e tomadas de novos rumos. Parece que há uma grande facilidade para detecção das causas dos impasses e que a chave da resolução das questões se encontram ao nosso alcance, em nossas mãos, mas parece existir um grande distanciamento entre a vontade e o ato, o discurso e a prática, o que temos e o que buscamos. Em condições normais, as pessoas estão por demais assoberbadas com as tarefas rotineiras de suas intermináveis tarefas e funções e é por isso que a campanha eleitoral e a realização de grandes planos gozam de notoriedade e ganham uma dimensão extraordinária, pois são por intermédio delas, ou melhor, nelas próprias, que surgem espaço e motivo para o debate geral, a reflexão conjunta e a visão comum de novos rumos. São esses, na verdade, os verdadeiros planejamentos estratégicos ou talvez as estratégias mais adequadas para o bom planejamento. Momentos como este são muito especiais, pois é neles que normalmente ocorrem os desabafos mais profundos, as declarações mais honestas acerca de acertos e falhas. É o momento em que ocorrem o confronto entre as intenções do passado, as realizações do presente e as percepções do futuro, constituindo-se, portanto, em um completo e valioso balanço. Tudo indica que é na vertente destes vetores que se encontram o ponto de apoio e o porto seguro que normalmente os vitoriosos se vêem ancorados depois do turbilhão de discussão e disputa.

Planejamento não pode se resumir à elaboração de planos, aos encantos do discurso ou das promessas ilusórias; antes, deve ser um instrumento básico para o salto seguro, a calibragem dos passos em direção ao alvo certo, a dilatação de novos horizontes, a preparação correta para novas vitórias. Planejar não pode jamais se constituir num gesto simplório de abstração, devaneio ou retórica. Ao contrário, trata-se de uma tarefa complexa na busca do ponto de equilíbrio entre o possível e o desejável. É, portanto, a arte de vislumbrar as melhores opções, tendo por substrato uma dose bem combinada de ousadia, prudência, responsabilidade e inspiração.

É evidente que cada planejador tem sua própria áurea, sua fórmula única, sua exclusiva fôrma, mas é daí que advém a importância do engajamento, da participação coletiva, da combinação polimorfa e multicor do conjunto dos atores, porque via de regra, o bem gerido não é particular, mas público e portanto a responsabilidade é de todos.

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