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Dr.Geraldo Mendes dos Santos ( * )
Talvez
por estarmos habituados a lidar com o ecossistema amazônico,
onde a natureza é extraordinariamente diversificada,
somos levados a confundir a biodiversidade com diversidade
da vida.
A
primeira palavra se refere à diversidade dos seres
vivos, ao número de espécies e suas diversas
formas de ocorrências. A segunda se refere a tudo
que existe, a toda obra resultante do processo evolutivo.
Desta
última categoria, tudo que existe no mundo faz parte,
quer sejam vivos ou não. Abro um parênteses
para questionar o termo inanimado dado ao reino mineral.
Afinal, por que "inanimado", se todos os átomos
estão em constante e frenético movimento e
contêm altas taxas de energia? Além disso,
na diversidade da vida também devem ser incluídos
todos os atos criativos e capacidades de abstração
e também todo tipo de sociedade e cultura.
Como
se pode observar, as palavras biodiversidade e diversidade
da vida têm sentido similar, mas a vida extrapola,
em muito, a simples diversidade daquilo que convencionamos
denominar de vivos. E por falar nisso, quantas formas de
vida eram desconhecidas até poucas décadas
atrás e seguramente, quantas ainda são desconhecidas!...
Outro ponto interessante: - animal, planta, bactérias
e vírus a ciência conhece bem, mas, afinal,
o que é a vida? A essa perguntinha tão simples
e aparentemente boba, nenhuma ciência até hoje
deu resposta convincente.
A
diversidade da vida não se manifesta apenas nos seres
ou nos objetos. Também as diferentes formas de energia
existentes no mundo, como a gravitacional, nuclear, eletromagnética
e mecânica comprovam essa premissa.
Também
aqui cabe um parênteses para lembrar que existem inúmeras
outras formas de energia que a ciência ainda desconhece.
Aliás, tem coisa mais fascinante e imponderável
que a mente e os mistérios envolvidos no ato de pensar,
sentir e amar?
O
mundo não somente é diverso, mas parece detestar
a monotonia. Não existe nenhuma coisa exatamente
igual a outra e os caminhos da evolução não
são retos,mas tortuosos e imprevisíveis. A
vida é mesmo irriquieta e criativa, está sempre
inovando.
Como
resultado e ao mesmo tempo como agente das mudanças
que a vida impõe a tudo e a todos, o homem é
uma criatura especial e sobre ele recai enorme responsabilidade.
Não somente responsabilidade pessoal, cívica
ou histórica, mas responsabilidade cósmica.
Esta também deve ser marcada pela diversidade. Nesse
sentido, ela deve permear todos os setores e todas as potencialidades
humanas, indo do simples prazer da contemplação
das pujantes belezas naturais, como a floresta e os rios
amazônicos, até a curtição intrínseca
dos diferentes toques, movimentos, cores, sabores e sons.
Igualmente, seu dever de lutar bravamente para preservar
e defender o meio ambiente seu, de seus filhos e filhos
de seus filhos.
A
diversidade se manifesta até mesmo nos diversos tipos
de comportamento. Veja, por exemplo, as diferentes reações
das pessoas (às vezes, de uma mesma pessoa, em diferentes
momentos) frente a uma mesma situação. Elas
podem variar do sentimento de perda à noção
de oportunidade; do senso de surpresa à decepção;
da sensação de agressividade à ternura.
Também são intrigantes as diversas nuances
do caráter e das aptidões humanas e atreladas
a elas, a variedade de opções entre o correto
ou arriscado, justo ou injusto, aterrador ou edificante.
Tudo é uma questão de desejo, valor ou opção
e isso também faz parte da diversidade de que estamos
falando.
Além
de diverso, o mundo é sinfônico, por isso,
frente à diversidade estonteante com que nos defrontamos
continuamente, é importante não apenas notar,
mas sentir, deixar-se levar pela graça do encantamento.
Não somente as coisas concretas, mas especialmente
as abstratas são lindas e deixam lembranças
marcantes.
Diversidade e mudança se manifestam de modos ou em
momentos distintos, mas ao longo do processo de desenvolvimento
se entrelaçam de tal maneira que parecem coisa única.
Algo similar ao símbolo do círculo, capaz
de juntar o final ao começo, o compatível
com o incongruente, num eterno recomeço.
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