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( * ) Irm. Geraldo Mendes dos Santos, pesquisador
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e-mail:gsantos@inpa.gov.br

TOM DE DAVOS - ECO DE GUAÍBA


Irm. Geraldo Mendes dos Santos ( * )

 

Talvez Davos e Guaíba não sejam termos bem conhecidos por todos e por isso me apresso em esclarecê-los logo de início: - trata-se de uma referência a dois importantes eventos internacionais ocorridos nos últimos dias: O primeiro, em Davos, Suiça, denominado Fórum Econômico Mundial, empreendido por líderes políticos e empresariais, com o objetivo de manter o estado da arte do atual modelo capitalista. O segundo, realizado em Porto Alegre, às margens do rio Guaíba, empreendido por militantes de diversas tendências e bandeiras e cuja meta é a busca de alternativas para aquele questionável modelo de desenvolvimento. No Fórum gaúcho, que durou de 25 a 30 de janeiro, compareceram cerca de 110 palestrantes, 1870 jornalistas credenciados, 4700 delegados, além de uma grande assembléia de intelectuais, alunos e professores. No total, aproximadamente 10 mil pessoas!

Dentre tantas coisas curiosas sobre esses dois acontecimentos, sobressai o fato de que eles tenham sido tão pouco divulgados pela mídia. O pouco que se publicou a respeito foi veiculado basicamente por cronistas
independentes, um trabalho abnegado, mais pessoal que institucional e portanto sem o aval da famosa "grande" imprensa. Vivemos num mundo saturado de informação e onde há espaço invejável até mesmo para fatos triviais e banalidades, por isso esta postura reticente e até certo grau omissa da mídia é sintomática e provavelmente tenha sido deliberada. Como existem inúmeros jornalistas compromissados com o sagrado dever de informar e comprometidos com a veracidade dos fatos, seria oportuno e louvável que houvesse alguma explicação ou análise a respeito desse assunto. Oxalá! Bem, deixemos por ora essa questão de lado. Quero tratar aqui de alguns temas importantes, em parte enfocados no artigo do Prof. Cristovam Buarque, elaborado para o Fórum Social, sob o título de "Alternativas à Barbárie".

Não vou fazer citações do que ele já escreveu, de maneira tão brilhante, apenas lembrar alguns pontos básicos assinalados que são o ideal de um novo processo civilizatório, os caminhos e esquinas que a humanidade têm enfrentado em sua longa trajetória evolutiva, iniciando com a biológica, passando pela tecnológica até chegar aos hábitos atuais. Enalteço também outro aspecto importante que foi a consagração do ativista francês José Bové e das idéias revolucionárias por ele encampadas, sobretudo quanto à importância das pequenas propriedades rurais, combate às culturas transgênicas e a postura das empresas transnacionais. Outro ponto de destaque foi a simpatia e concordância com as idéias deste líder demonstradas pelo MST, pelo governador e o secretário da agricultura que lutam bravamente para impedir a plantação comercial da soja transgênica no território do RS. Estas personalidades, bem como tantas outras que têm defendido estas causas com tanta firmeza, denodo e competência dão provas contundentes de que as preferências políticas e sociais nem sempre devem aderir cegamente ou estar de comum acordo com o modismo tecnológico ou conquista da ciência. As pessoas possuem também valores éticos e transcendentes que precisam ser respeitados e ninguém é obrigado a comer produtos geneticamente modificados, sobretudo quando são induzidos ou pior ainda, enganados. O Fórum Social terminou e todos foram para casa, mas o ideal ali plantado certamente vingará. Os princípios básicos nele defendidos deixaram lições importantes a serem aprendidas, podendo-se destacar entre elas: - O processo de globalização é inapelável e impiedosamente excludente para grandes parcelas da humanidade e por isso, pode e deve ser contestado. A alteração genética de seres em laboratório pode não ser a via mais segura e muito menos caminho obrigatório para a produção de alimentos. O capitalismo mercantilista está se apoderando dos recursos naturais coletivos e transformando-os em bens privados, o que se constitui em crime de lesa-humanidade. É imperativo, portanto, que haja uma cruzada cívica mundial para que os recursos sejam distribuídos de maneira mais eqüitativa e solidária e não se forme ao lado dos considerados humanos uma nova raça de "coitados". Em suma, é imperativa a implantação de um modelo de desenvolvimento alternativo e mais inteligente do que o neoliberal, autêntica incubadora da competição, dilapidação dos recursos naturais e fornalha de consumismo. Ainda não há nome consensual ou conceituação precisa para este novo modelo, mas certamente ele tomará por base uma integração mais verdadeira entre ricos e pobres e se fundamentará em princípios mais éticos, cooperativos e humanos. É ver para crer.

Melhor dizendo, é crer para ver!

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