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Dr.Geraldo Mendes dos Santos ( * )
A palavra
se constitui na mais grandiosa obra e conquista do ser humano.
Foi por intermédio dela que se conseguiu dar nome
e sentido aos objetos e acontecimentos. As palavras são
o retrato do pensamento e do sentimento e é por elas
que conseguimos entender, interpretar e divulgar todos os
fenômenos que ocorrem ou imaginamos, quer sejam concretos
ou abstratos, quer estejam situados fora ou dentro da gente.
Exatamente como as pessoas e demais seres vivos, as palavras
têm cara própria, vida independente e cada
uma delas é única, mesmo variando com o tempo.
Isto significa também, que elas contém alto
grau de diversidade e também evoluem, talvez co-evoluindo
com o homem. Aprecio a forma, o sentido e a sonoridade das
palavras e as admiro da mesma forma que admiro os minerais,
os bichos, as nuvens e as plantas. Como tudo mais que existe,
há palavras bonitas e feias, agradáveis e
desagradáveis e isso é natural, afinal, elas
representam os desejos e as sensações humanas.
Há todo tipo de gosto e provavelmente há pessoas
que gostam de palavras cabalísticas, como vampiro,
macabro e triste, mas certamente muito mais gente aprecia
palavras do tipo luz, graça, obrigado, harmonia.
Talvez a palavra que mais nos diz respeito ou seja mais
significativa seja nosso próprio nome. Curiosa e
lastimavelmente, esta não é uma escolha da
própria pessoa, mas uma lembrança herdada.
Os progenitores ou os responsáveis por esta importante
e decisiva tarefa de dar nome, certamente o fazem na melhor
das intenções, mas há exceções
à regra. Se assim não fora, como batizar alguém
de 1,2,3 de Oliveira e Silva, Dolores do Calvário,
Brasileiro da Gema ou DoReMi dos Cânticos?
Também curiosamente,
a concepção ou o senso das palavras e dos
nomes próprios mudam com o tempo. Talvez na infância
João detestava seu nome, mas na idade mais avançada
passou a amá-lo e vice-versa. O mesmo se pode dizer
das variações intrínsecas. Num determinado
tempo, talvez Paulo preferisse exatamente Paulo e noutro,
Paulão ou Paulinho. Eu, por exemplo, não gostava
de Geraldo, preferia Geraldinho. Hoje, detesto essa forma
de tratamento (mesmo que denote carinho ou algo do gênero),
preferindo mil vezes o Geraldo, especialmente quando seguido
de Mendes. As palavras têm vida e quando não
têm, a damos. Além disso, fazem milagres e
por isso podem levar à alegria ou raiva, esperança
ou descrença. As palavras são encantadoras
e é interessante quando a gente pára para
ouvi-las e apreciá-las. Há maneiras engenhosas
de dotar uma mesma palavra de sentidos ou sensações
diversas.
Vejam os exemplos: Gol/Gollllllllll. Maravilhosa/Ma-ra-vi-lho-sa!
É bom poder trabalhar as palavras, fazer delas objetos
manipuláveis, maleáveis, sobretudo objetos
preciosos. É como montar brinquedos com as peças
da Leco ou como tomar tijolos e fazer deles uma bela casa.
Afinal, que é a poesia, senão a combinação
harmoniosa de palavras soltas ou então a monografia
senão uma ordenação criteriosa de idéias
e fatos, pela palavra? Por seu significado real e transcendente
e, sobretudo, por ter vida própria, a palavra merece
respeito. Respeitar a palavra é uma forma de respeitar
aos outros, ao mundo e a nós mesmos. Antes de terminar,
gostaria de escolher dentre o universo de palavras que pululam
em minha mente, uma que pudesse dar a vocês de presente
nesse final de semana.
Tenho medo de errar ou cometer injustiça na imensa
possibilidade de escolha que tenho e talvez por isso não
seja prudente tomar essa iniciativa. Bem, já insinuei
e certamente vocês criaram expectativas. Se não
fizer isso, posso correr o risco de que tomem a última
palavra deixada no texto, como sendo exatamente aquela que
havia prometido escolher. Vejam que responsabilidade tremenda
temos com as palavras. Bem, que palavra, finalmente, vou
terminar neste texto? Estou confuso, perdido. E agora? Meu
Deus!...
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