Samaúma
 







Voltar para página principal.



( * ) Irm Geraldo Mendes dos Santos
Grande Secretário de Cultura da Grande Loja do Amazonas e
membro do conselho editorial de sua revista Arte Real

Nosso antigo Colaborador

Pesquisador
- x -
- x -
e-mail:gsantos@inpa.gov.br

 

SIMBOLISMO

 

 

 

 


Irm Geraldo Mendes dos Santos *
                                               

 

 

 


Simbolismo é um conjunto de símbolos significativos, comumente utilizados pelas instituições religiosas, artísticas, gerenciais e científicas. Simbologia é a ciência que estuda tais símbolos, determinando sua origem, natureza e abrangência. No meio acadêmico, essa ciência é mais conhecida como Semiótica ou Semiologia, literalmente, "ótica dos sinais", sendo esta mais aplicada aos fenômenos lingüísticos, míticos e culturais como se fossem complexos sistemas de significação.

O estudo dos signos foi iniciado em 1670, por Henry Stubbes, mas aplicado especificamente na interpretação de sinais provocados por doenças humanas. Em 1690 o filósofo empirista John Locke utiliza esse termo para referir-se aos elementos constitutivos das idéias e do entendimento humano. No entanto, as questões concernentes à simbologia retrocedem a pensadores mais antigos, como Platão, para quem as idéias ou formas detinham estrutura bem definida e imutável. No início do século XX, com os trabalhos paralelos de Ferdinand de Saussure e Charles Sanders Peirce, o estudo geral dos signos começa a adquirir autonomia e status de ciência acadêmica. Atualmente, ela é estudada nas mais diferentes áreas do conhecimento, notadamente na educação, psicologia e comunicação.

Símbolo nada mais é que o elemento simbólico, isto é, uma representação concreta de algo ausente ou abstrato. Em outras palavras, é aquilo que, por um princípio de analogia, representa ou substitui outra coisa. Por exemplo, a balança (algo concreto) é o signo da justiça (algo abstrato). De modo especial, signo é aquilo que tem valor evocativo, místico ou iniciático. Por exemplo, a cruz, elemento religioso da cristandade; o avental, elemento significativo do trabalho maçônico

O termo símbolo é de origem grega σύμβολον = sýmbolon e era comumente utilizada como sinal de reconhecimento entre amigos ou familiares que se separavam por um longo período e que, ao se apresentarem com a metade da plaquinha que dividiram no momento da separação, recuperam facilmente a velha amizade entre ambos. Daí que o símbolo é um sinal de reconhecimento e de cumplicidade entre o observador e o observado.

É importante assinalar que todo símbolo é sinal, mas nem todo sinal é símbolo. Isso significa que os sinais não simbólicos podem ser substituídos, pois se baseiam em convenções, ao passo que os símbolos verdadeiros participam da realidade que simbolizam. Ao contrário dos sinais, que operam num universo relativamente exterior ao sujeito e tem caráter puramente racional e dedutivo, o símbolo opera no íntimo do sujeito e tem um caráter racional e emotivo. Daí que, ao contrário do sinal, puramente convencional, o símbolo é analítico, se explica por si mesmo, convencendo a quem o pratica. Esta é a razão pela qual as ciências em geral utilizam sinais significativos, mas não simbólicos. Assim, enquanto o sinal é um elemento útil, o símbolo é um elemento vital. O sinal é um meio de instrução, enquanto o signo é a base da educação e da formação geral.

Todas as sociedades humanas, em todos os tempos, adotaram símbolos que expressam fatos, crenças, idéias e situações. Ou seja, os símbolos são formas de representação da realidade. De fato, é através da representação simbólica que nos apropriamos do mundo. Toda cultura se fundamenta em elementos simbólicos. Isso significa que o simbolismo é a ciência mais antiga e também a mais atual, pois é através dela que a sociedade continua escrevendo sua história.

Segundo alguns autores, o signo assume um caráter duplo, composto de dois planos complementares, a forma ou "significante" e o "conteúdo" ou "significado". De modo análogo, também a linguagem, formada por símbolos, é constituída pela forma (sintaxe) e pelo conteúdo ou idéia que transmite (semântica). Ao analisarmos bem o significado do símbolo, podemos perceber que ele é feito de algo visível (ele próprio) e invisível (aquilo que ele representa). Ou seja, o símbolo contém uma parte externa, material e outra parte interna, espiritual. Fica claro, portanto, que o conhecimento do símbolo requer não apenas entendimento, mas também cumplicidade
Segundo alguns estudiosos, também nosso inconsciente se expressa basicamente pelos símbolos. Carl Jung afirma que, de maneira natural e espontânea, a psique é criadora de símbolos. Nesse sentido, os conteúdos psíquicos do inconsciente coletivo, denominados arquétipos, também é uma forma de simbologia.

Se o símbolo é um instrumento de reconhecimento para os “iniciados”, ou seja, para aqueles que compreendem bem o significado que ele é capaz de transmitir, ele também pode representar a ocultação para aqueles que não o compreendem, mesmo o tendo diante dos olhos. Curioso também é que, mesmo no caso da compreensão facultada pelo símbolo, a maneira de apreendê-lo ou conhecer suas diversas facetas, depende da capacidade intelectual e emocional de cada pessoa envolvida no processo. Ou seja, o símbolo nunca é algo pronto e acabado, mas em constante construção e aprimoramento. Em outras palavras, o real sentido do símbolo não está nele próprio, mas em quem os utiliza e, assim, seu verdadeiro sentido transcende aos olhos, atinge a alma.

A maçonaria é uma instituição fundamentada em símbolos. Ao contrário do que supõem os ignorantes ou mal orientados, estes não comportam nenhum tipo de mistério ou habilidade mágica, apenas atuam no processo de transmissão de princípios e valores morais. Assim, para o maçom autêntico e bem esclarecido, o universo simbólico não deve servir de veneração, mas apenas meios para despertar o seu senso analítico, a busca dos ideais. Ou seja, o símbolo não é um fim em si mesmo, mas um meio e instrumento de aprendizagem. É por meio dele que aprendemos, crescemos e realizamos.