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( * ) Dr.Geraldo Mendes dos Santos, pesquisador
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia -INPA
Coordenação de Pesquisas em Biologia Aquática-CPBA
Av.André Araújo, 2936, Cx.P.478, Bairro Petrópolis Manaus- AM 69060-001
Tel.(092) 643.3235/324o/3244
ou 6442051
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PARADIGMAS E PARADOXOS DA MODERNIDADE


Dr.Geraldo Mendes dos Santos ( * )

 

Cada idioma tem um léxico, vocabulário próprio que representa o mundo físico e biológico e sintetiza as coisas da mente, da alma e do espírito.Sujeito às mesmas leis naturais que atuam sobre a totalidade do ser humano, o senso das palavras, tal qual a moda, os hábitos e costumes, muda continuamente, transfigura-se, muda de sentido com o passar do tempo.

Isso se aplica não somente ao meio social, muito sujeito às influências da mídia e às novidades do momento, mas também ao meio acadêmico, administrativo, tecnológico e científico.
Nos últimos tempos, talvez por causa do processo globalizante que provoca rupturas de fronteiras e valores e um amálgama curioso das diversas culturas, o léxico tem sofrido mudanças profundas, em todos os cantos do mundo. No caso do Brasil, berço do mais rico e elegante português, este fenômeno tem-se manifestado de forma vertiginosa. Já não se usa mais, ou talvez com menos freqüência que antes, palavras comuns, como por exemplo, macambúzio e sorumbático ou, ainda as mais simples, como mamãe e papai.

Tristonho e abatido substituíram as primeiras; pai e mãe (ou simplesmente o nome próprio dos progenitores), as segundas. Fenômeno idêntico se observa num infindável número de casos.
Apesar de toda erudição e precisão de seus termos, o universo considerado intelectual também tem sofrido intensas mudanças. Neste caso, um fato interessante que se observa é o uso enfático de certos jargões que se firmam como verdadeiros padrões de linguagem nos setores da administração e da gestão científica. Não é à toa que escolas, cursos e especializações profissionais ganham novas roupagens nos nomes a cada ano que passa e sempre com mais intensidade. Afinal, qual o administrador de negócios que não sonha com título de MBA, o gerente de CPD que não se encanta com o título de Web-master ou o desenhista que não queira ser tratado por Designer?

No campo científico, não se fala mais com tanta ênfase em estudos, pesquisas, projetos ou programas, mas em algo mais sofisticado e versátil, como plataformas, núcleos e redes.
É interessante observar que tão logo são lançados - geralmente por tecnocratas do governo - estes termos não têm um sentido muito claro, mas são imediatamente absorvidos pela clientela de usuários, sempre atentos e cuidadosos para não parecerem desatualizados, sempre obedientes às tendências do mercado, sempre ávidos por novas fontes de financiamento.

Neologismos que nascem e desenvolvem espontaneamente no seio da sociedade é algo comum, mas como definir ou caracterizar os jargões técnico-administrativos na área de ponta do conhecimento? Qual a causa ou razão desse fenômeno? Não tenho explicações. Talvez são formas subliminares ou mesmo códigos de linguagem que levam ao hermetismo da ciência, uma forma egoísta de manter privilégio de castas e manter à distância o cidadão comum, verdadeiro alvo das conquistas e paciente pagador das contas públicas. Ou ainda, instrumentos fantasmagóricas de afirmação profissional, identidade vernacular para a comunicação reservada dos pares, garantia de aval das autoridades, bandeira da modernidade e maneira mais fácil de se obter a aceitação social - Paradigma ou paradoxo?!

Mesmo fazendo parte de uma elite, a que podemos denominar cultural, o acadêmico, gestor ou cientista é antes e acima de tudo, uma pessoa e portanto, possuidora de verdades e incertezas, objetivos e utopias, vícios e virtudes. É natural, portanto, que ela seja ao mesmo tempo agente e vítima deste tipo de modismos e tendências. Somos todos seres humanos e passíveis dos caprichos das estruturas inteligentes, que parecem detestar a paralisia, o comodismo e a mesmice, sempre em busca de novos caminhos, sempre propugnando por novas mudanças. Assim sendo, não há como escapar da mania dos neologismos e seus usuários não devem ser discriminados por mérito ou culpa, entretanto, deve haver um esforço coletivo para que o desenvolvimento da ciência seja um processo facilitador, democrático e transparente e portanto, ao invés dos jargões serem usados pelos gestores à revelia, como objeto de moda, deveriam ser mais parcimoniosos e diligentes.

De igual modo, ao invés de serem aceitos passivamente pelos cientistas ou usuários do conhecimento, como se tratasse de ícones de capacidade, eles devem ser encarados com mais cautela, discernimento e cuidado.

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