Samaúma
 

 

 

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( * ) Dr.Geraldo Mendes dos Santos, pesquisador
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia -INPA
Coordenação de Pesquisas em Biologia Aquática-CPBA
Av.André Araújo, 2936, Cx.P.478, Bairro Petrópolis Manaus- AM 69060-001
Tel.(092) 643.3235/324o/3244
ou 6442051
e-mail:gsantos@inpa.gov.br

BRINDE À VIDA!


Dr.Geraldo Mendes dos Santos ( * )


Tenho bom motivo para deixar de lado os temas rotineiros da política, da cultura e da ciência, para redigir minha crônica de hoje sobre um assunto de outra natureza.
Sei que o momento atual é de crise e de pânico, afinal o mundo está em pé de guerra por causa do atentado contra os norte-americanos e de sua promessa de revide.

No Brasil, ainda vivemos sob a égide dos conchavos políticos para as próximas eleições, além de escândalos que não param de ser perpetrados nos mais destacados escalões da república.
Em minha terra adotiva, a querida Amazônia, a situação é tranqüila, apesar dos desatinos verbais e das idéias tacanhas de certos governantes que violentam elementares princípios de ética e diplomacia, denegrindo a imagem e se conspirando contra instituições de importância notória e de história
brilhante, como o INPA.

Hoje não quero falar dos dissabores com que assistimos tanto descaso das autoridades públicas com a situação lastimável dos desempregados, dos que perderam suas empresas e também dos atuais servidores. Nada falarei a respeito da apatia, da desesperança e da descrença que parecem abater de maneira forte, quase tragicômica, sobre a seleção brasileira de futebol.

Não, não falarei sobre nada que provoque, desmotive ou desabone. Anularei qualquer idéia vinculada com o negativismo e deixarei de lado tudo que signifique aborrecimento, intransigência ou tristeza. Desprezarei absolutamente tudo que possa suscitar derrota, medo ou pecado. Afinal, com todo este suspense e delongas, sobre que falarei? - Talvez sobre nada, em especial. Aprendi, e hoje quero exercitar, o dom maravilhoso de calar.

Lembrei-me de um velho e sábio provérbio que afirma o silêncio valer ouro.

Nunca estive nem estou nem um pouco interessado nesse metal, mas simplesmente na riqueza esplendorosa que somos detentores por simples processo natural. Quero silenciar para curtir a solitude e reler o livro que trago no peito e que conta a história do ser que hoje é fruto, herdeiro da semente de ontem. Silencio, como oferenda e festejo ao meu natalício.
Este é o presente que dedico aos amigos e a forma mais especial que tenho para comemorar a chama divina que nos alimenta e retribuir tantos presentes que tenho recebido ao longo da existência. Abraço a todos! Um brinde à vida!

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