|
Dr.Geraldo Mendes dos Santos ( * )
Tenho
bom motivo para deixar de lado os temas rotineiros da política,
da cultura e da ciência, para redigir minha crônica
de hoje sobre um assunto de outra natureza.
Sei que o momento atual é de crise e de pânico,
afinal o mundo está em pé de guerra por causa
do atentado contra os norte-americanos e de sua promessa
de revide.
No Brasil, ainda vivemos sob a égide dos conchavos
políticos para as próximas eleições,
além de escândalos que não param de
ser perpetrados nos mais destacados escalões da república.
Em minha terra adotiva, a querida Amazônia, a situação
é tranqüila, apesar dos desatinos verbais e
das idéias tacanhas de certos governantes que violentam
elementares princípios de ética e diplomacia,
denegrindo a imagem e se conspirando contra instituições
de importância notória e de história
brilhante, como o INPA.
Hoje não quero falar dos dissabores com que assistimos
tanto descaso das autoridades públicas com a situação
lastimável dos desempregados, dos que perderam suas
empresas e também dos atuais servidores. Nada falarei
a respeito da apatia, da desesperança e da descrença
que parecem abater de maneira forte, quase tragicômica,
sobre a seleção brasileira de futebol.
Não, não falarei sobre nada que provoque,
desmotive ou desabone. Anularei qualquer idéia vinculada
com o negativismo e deixarei de lado tudo que signifique
aborrecimento, intransigência ou tristeza. Desprezarei
absolutamente tudo que possa suscitar derrota, medo ou pecado.
Afinal, com todo este suspense e delongas, sobre que falarei?
- Talvez sobre nada, em especial. Aprendi, e hoje quero
exercitar, o dom maravilhoso de calar.
Lembrei-me de um velho e sábio provérbio que
afirma o silêncio valer ouro.
Nunca estive nem estou nem um pouco interessado nesse metal,
mas simplesmente na riqueza esplendorosa que somos detentores
por simples processo natural. Quero silenciar para curtir
a solitude e reler o livro que trago no peito e que conta
a história do ser que hoje é fruto, herdeiro
da semente de ontem. Silencio, como oferenda e festejo ao
meu natalício.
Este é o presente que dedico aos amigos e a forma
mais especial que tenho para comemorar a chama divina que
nos alimenta e retribuir tantos presentes que tenho recebido
ao longo da existência. Abraço a todos! Um
brinde à vida!
|