Samaúma
 

 

 

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( * ) Dr.Geraldo Mendes dos Santos, pesquisador
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia -INPA
Coordenação de Pesquisas em Biologia Aquática-CPBA
Av.André Araújo, 2936, Cx.P.478, Bairro Petrópolis Manaus- AM 69060-001
Tel.(092) 643.3235/324o/3244
ou 6442051
e-mail:gsantos@inpa.gov.br



GLOBALIZAÇÃO E TERRORISMO


Dr.Geraldo Mendes dos Santos ( * )


Numa complexa combinação de desenvolvimento social pacífico com imperialismo selvagem e beligerante, a arquitetura do mundo resultou numa grande aldeia, com a bandeira da globalização. Tudo foi globalizado.

Globalizou-se a economia de tal maneira que os bens de produção transformaram-se em papéis voláteis, títulos e bolsa de valores. Os produtos, apesar de ricos por fora, são extremamente pobres por dentro e
além disso tem a mesma fachada, em todos os cantos do mundo.

A economia já não é mais vista como administração das coisas concretas relativas às finanças e ao interesse comum, mas tão somente uma panacéia delirante, vinculada a cotas e índices, verdadeira trama de ficção, busca frenética e desenfreada em torno de algo ilusório, abstrato e ululante.

Globalizaram-se implacavelmente os produtos, comércios, fábricas, mercados, processos e serviços. Globalizados também ficaram as vias de acesso, os meios de transporte e a comunicação, quase instantânea. Também globalizadas se tornaram a ciência, a tecnologia, as artes e até a religião. Na aldeia global, nem o terrorismo ficou imune e por ser globalizado, não tem pátria, não se restringe a um grupo, país ou facção.

Como ocorre no mundo das corporações capitalistas, ele também não tem cara, dono ou patrão. Assim sendo e tal como agente canceroso, penetra na sociedade em surdina, perpassa ideologias e sistemas políticos, imiscui-se na tecnologia de ponta, afronta todo esquema de segurança e provoca mortes,
atentados e chacinas horripilantes.

O terrorismo é um ato extremo e insano de insegurança, prepotência e fanatismo. Ele pode manifestar-se tanto de maneira abrupta e chocante, como verificada nos atentados contra o Pentágono e World Trade Center, como também de modo contínuo e galante, como se observa no dia-a-dia e ao longo de séculos, pela intolerância, injustiça e ganância.

Dependendo do lado em que o analista se encontra, os agentes destes atos podem ser denominados de malucos ou heróis, bárbaros ou civilizados, bestas ou salvadores da pátria, mas todos são fundamentalistas, isto é, radicais na opção e adesão a determinados valores. Assim sendo, tanto as guerras declaradas e as bombas humanas lançadas por camicases contra prédios, como as decisões políticas que promovem a desgraça, a miséria e a fome são atos terroristas. Ambas correntes são abjetas e aviltantes, pois enxovalha a centelha divina presente em cada ser, além do que agridem, denigrem e
degradam as condições desejáveis dos povos e sobretudo, a dignidade humana.

O medo real ou sarcástico da guerra, aliado à lavagem cerebral perpetrada pelos estrategistas de opinião pública e pela mídia tendenciosa, normalmente desloca o foco da verdade e anuvia a consciência. Além disso, acabam também gerando maniqueísmo inconseqüente e dicotomias aberrantes e provocativas, remetendo para um lado heróis (às vezes verdadeiros, quase sempre falsos) e para outro os bandidos de todos as classes e matizes.

Nesse cenário, é natural que as grandes questões da humanidade acabam sendo negligenciadas ou distorcidas, o que é um fator decisivo para florescimento dos velhos problemas e raiz para futuras crises.

Diante dos fatos recentes mostrados em exaustão pela mídia e do estratagema da guerra que ora se inicia entre Estados Unidos e "não se sabe quem", é preciso ter compaixão das inocentes vítimas mas também é necessário ter discernimento para separar o joio do trigo. Mais que isso, é preciso entender que o terrorismo é um bicho de sete-cabeças, podendo parecer tanto uma majestosa sereia como um tenebroso bicho papão. É preciso ter muito juízo. Ou talvez, pouco ou mesmo nenhum. Afinal, é quase sempre em nome dessa virtude que o homem tem provocado tanta violência, vingança e mentira e tantos outros ingredientes próprios do terrorismo.

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