Samaúma
 

 

 

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( * ) Dr.Geraldo Mendes dos Santos, pesquisador
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia -INPA
Coordenação de Pesquisas em Biologia Aquática-CPBA
Av.André Araújo, 2936, Cx.P.478, Bairro Petrópolis Manaus- AM 69060-001
Tel.(092) 643.3235/324o/3244
ou 6442051
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POLUIÇÃO (ECO)NÔMICA


Dr.Geraldo Mendes dos Santos ( * )

Os termos Economia e Ecologia têm a mesma origem no prefixo grego "oikos" que significa casa. Eles diferem ligeiramente pelos sufixos, "logus" e "nomus", o primeiro indicando estudo ou tratado e o segundo, com significado de norma e ordenamento. Economia lida com o balanço das contas domésticas e públicas e Ecologia trata do equilíbrio da natureza e a saúde do ambiente.

Todos estamos habituados às previsões dos ambientalistas acerca da poluição da terra, dos rios, do ar e dos seres. Estamos fartos de dados sobre as dimensões das áreas florestais da Amazônia queimadas a cada ano, o ritmo das perdas de solo e o tamanho do buraco na camada de ozônio. Em meio a tantas estimativas - muitas delas baseadas em "chutômetros" - talvez esteja faltando uma análise criteriosa sobre um tipo especial de poluição que afeta a sociedade moderna, com sérias ameaças de desestabilidades e psicodramas. Ainda sem nome apropriado, este fenômeno pode ser denominado de poluição econômica e que tem como principal agente causal a propaganda inescrupulosa e a vertigem do lucro a qualquer preço.

Não vou dar-me ao trabalho de elaborar uma lista extensa de exemplos a respeito desse fato, ainda mais porque eles são ecléticos e variam de lugar para lugar e de tempo em tempo, mas apenas para elucidação, citarei alguns: a) os painéis luminosos, frenéticos pisca-piscas, que emolduram tresloucadamente os solários dos sinais de trânsito, com ameaças diretas à integridade física dos motoristas e transeuntes; b) os painéis, charmosamente (para não dizer subservientemente) denominados outdoors, que se espraiam pelos quintais, beiras das avenidas, becos e praças, impedindo a visão dos monumentos históricos, dos bosques, da lua, dos pores-do-sol; c) os cavaletes de madeira, pilhas de pneus, oficinas, churrasqueiras, quiosques de frutas e verduras, aqueles malucos bonecos de pano, tocados internamente por um feixe de vento que impedem o trânsito nas calçadas e até mesmo nas ruas; d) o som ensurdecedor, dos mais diversos tipos de música cantaroladas nos bares e lojas circunvizinhos, cada um gritando mais alto pelos quase-nunca ou sempre-poucos clientes; e) as legendas enganosas, quase esquizofrênicas, estampadas na traseira dos ônibus que se auto-proclamam detentores de motor "ecológico", mas que lançam jatos de fuligem por todos os cantos; f) os alimentos enlatados, muitos deles destituídos de nutrientes importantes ou mesmo feitos a partir de placebos e OGMs, engalanadas de rótulos maravilhosos nas belas e atraentes gôndolas dos supermercados, apelando por incautos fregueses. Não sei exatamente se trata ou não de poluição, já que verdadeiramente as formas são belas, mas aquele bando de mulheres semi-nuas contorcendo-se nos palcos e exibindo-se dia-e-noite, noite-e-dia nos canais abertos de TV, na tentativa de conquistar ouvintes ou vender produtos, merece constar desse tipo de análise. Na verdade, o rol deste tipo de poluição é enorme, quase infindável, mas talvez a sua base ou origem não esteja na indústria, na C&T, na mídia ou no comércio, mas na mente humana. Vivemos num país capitalista, tocado pelo fundamento do lucro e isso é justo, mas quando sua busca é desenfreada, alucinada e sem escrúpulo, tudo é pervertido e dicotômico, de um lado imperando a avareza, de outro a pobreza - não só de recursos, mas também de espírito.

Já que a sociedade está se conscientizando mais e mais da importância de um meio ambiente sadio e saudável, onde todos possam atuar e viver dignamente e desde que também sejam assegurados os direitos do turista, do transeunte, do vizinho e do amigo, é hora de se prestar atenção e coibir os excessos dessa gananciosa e ao mesmo tempo sutil poluição econômica. É provável que ela possa trazer algum tipo de dividendos para seus artífices e patrocinadores, mas certamente ela é cruel e nefasta para a sustentabilidade e harmonia dos lares, das cidades e do mundo, além de ser potencial ou efetivamente prejudicial à saúde física, mental e espiritual de sua gente