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Dr.Geraldo Mendes dos Santos ( *
)
Os
termos Economia e Ecologia têm a mesma origem no prefixo
grego "oikos" que significa casa. Eles diferem
ligeiramente pelos sufixos, "logus" e "nomus",
o primeiro indicando estudo ou tratado e o segundo, com
significado de norma e ordenamento. Economia lida com o
balanço das contas domésticas e públicas
e Ecologia trata do equilíbrio da natureza e a saúde
do ambiente.
Todos estamos habituados às previsões dos
ambientalistas acerca da poluição da terra,
dos rios, do ar e dos seres. Estamos fartos de dados sobre
as dimensões das áreas florestais da Amazônia
queimadas a cada ano, o ritmo das perdas de solo e o tamanho
do buraco na camada de ozônio. Em meio a tantas estimativas
- muitas delas baseadas em "chutômetros"
- talvez esteja faltando uma análise criteriosa sobre
um tipo especial de poluição que afeta a sociedade
moderna, com sérias ameaças de desestabilidades
e psicodramas. Ainda sem nome apropriado, este fenômeno
pode ser denominado de poluição econômica
e que tem como principal agente causal a propaganda inescrupulosa
e a vertigem do lucro a qualquer preço.
Não vou dar-me ao trabalho de elaborar uma lista
extensa de exemplos a respeito desse fato, ainda mais porque
eles são ecléticos e variam de lugar para
lugar e de tempo em tempo, mas apenas para elucidação,
citarei alguns: a) os painéis luminosos, frenéticos
pisca-piscas, que emolduram tresloucadamente os solários
dos sinais de trânsito, com ameaças diretas
à integridade física dos motoristas e transeuntes;
b) os painéis, charmosamente (para não dizer
subservientemente) denominados outdoors, que se espraiam
pelos quintais, beiras das avenidas, becos e praças,
impedindo a visão dos monumentos históricos,
dos bosques, da lua, dos pores-do-sol; c) os cavaletes de
madeira, pilhas de pneus, oficinas, churrasqueiras, quiosques
de frutas e verduras, aqueles malucos bonecos de pano, tocados
internamente por um feixe de vento que impedem o trânsito
nas calçadas e até mesmo nas ruas; d) o som
ensurdecedor, dos mais diversos tipos de música cantaroladas
nos bares e lojas circunvizinhos, cada um gritando mais
alto pelos quase-nunca ou sempre-poucos clientes; e) as
legendas enganosas, quase esquizofrênicas, estampadas
na traseira dos ônibus que se auto-proclamam detentores
de motor "ecológico", mas que lançam
jatos de fuligem por todos os cantos; f) os alimentos enlatados,
muitos deles destituídos de nutrientes importantes
ou mesmo feitos a partir de placebos e OGMs, engalanadas
de rótulos maravilhosos nas belas e atraentes gôndolas
dos supermercados, apelando por incautos fregueses. Não
sei exatamente se trata ou não de poluição,
já que verdadeiramente as formas são belas,
mas aquele bando de mulheres semi-nuas contorcendo-se nos
palcos e exibindo-se dia-e-noite, noite-e-dia nos canais
abertos de TV, na tentativa de conquistar ouvintes ou vender
produtos, merece constar desse tipo de análise. Na
verdade, o rol deste tipo de poluição é
enorme, quase infindável, mas talvez a sua base ou
origem não esteja na indústria, na C&T,
na mídia ou no comércio, mas na mente humana.
Vivemos num país capitalista, tocado pelo fundamento
do lucro e isso é justo, mas quando sua busca é
desenfreada, alucinada e sem escrúpulo, tudo é
pervertido e dicotômico, de um lado imperando a avareza,
de outro a pobreza - não só de recursos, mas
também de espírito.
Já que a sociedade está se conscientizando
mais e mais da importância de um meio ambiente sadio
e saudável, onde todos possam atuar e viver dignamente
e desde que também sejam assegurados os direitos
do turista, do transeunte, do vizinho e do amigo, é
hora de se prestar atenção e coibir os excessos
dessa gananciosa e ao mesmo tempo sutil poluição
econômica. É provável que ela possa
trazer algum tipo de dividendos para seus artífices
e patrocinadores, mas certamente ela é cruel e nefasta
para a sustentabilidade e harmonia dos lares, das cidades
e do mundo, além de ser potencial ou efetivamente
prejudicial à saúde física, mental
e espiritual de sua gente
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