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Dr.Geraldo Mendes dos Santos ( * )
Representantes
de várias organizações internacionais
estão aquilatando, no âmbito da Agenda Rio+10,
um documento de caráter universal, denominado "Carta
da Terra", a ser ratificado na reunião que será
realizada em breve na África do Sul. Essa carta uma
declaração compartilhada de postulados éticos
fundamentais e um roteiro prático, de alto significado,
para orientar a conduta de todos os povos, com vistas a
um futuro sustentável na terra. Ela difere fundamentalmente
da Agenda 21 porque enquanto essa trata de programas e metas,
aquela diz respeito a princípios.
A idéia
original dessa carta remonta à primeira conferência
mundial sobre Meio Ambiente, realizada na Suécia, em
1972 e de onde surgiu o consenso formal de que o futuro da
humanidade depende das condições ecológicas
e ambientais. Em 1992, durante a segunda conferência
sobre meio Ambiente (Rio 92), ainda não havia consenso
sobre a carta, mas em seu lugar foi publicada a Declaração
do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento.
Em 1997,
foi criada uma comissão com representantes de todos
os continentes com a missão de acompanhar o processo
de consultas feitas por organizações não
governamentais junto a vários setores da sociedade
e redigir o texto final da carta. Após amplas discussões
esse trabalho foi finalmente concluído em 1999 e no
início de 2000, na UNESCO, em Paris, o documento foi
finalmente ratificada. A partir daí, passou a ser considerado
um texto oficial, aberto à discussão e ainda
a novas contribuições, esperando-se que seja
definitivamente aprovada na conferência da África
do Sul em 2002, isto é, nos próximos dias.
Sinto
não ter tido a oportunidade de participar nem mesmo
conhecer o teor dessa carta, mas com base na obra "Ethos
mundial um consenso mínimo entre os humanos",
do escritor L. Boff, ela é constituída de 16
princípios e dos quais destaco os seguintes:
1) respeitar a vida com toda sua diversidade;
2) assegurar a riqueza e a beleza da terra para as gerações
presentes e futuras;
3) proteger e restaurar a integridade dos sistemas ecológicos
da terra, com especial preocupação pela diversidade
biológica e pelos processos naturais que sustentam
a vida;
4) prevenir o dano como o melhor método de proteção
ambiental e, quando o conhecimento for limitado, tomar o caminho
da prudência;
5) aprofundar o estudo da sustentabilidade ecológica
e promover a troca aberta e ampla aplicação
do conhecimento adquirido;
6) garantir que as atividades econômicas e instituições,
em todos os níveis, promovam o desenvolvimento humano,
de forma sustentável e equitativa.
Princípios
são, por natureza, algo direto e óbvio e por
conseguinte, carecem de explanações, mas provavelmente
irei comentá-los em outra oportunidade. Por ora, manifesto
aqui meu desejo sincero que a Carta da Terra esteja pronta
e seja logo aprovada pelos representantes de todos todas as
nações. Que não haja limitações
por interesses econômicos escusos e muito menos boicotes
infundados. Que ela seja distribuída e lida nos quatro
cantos do mundo. Mais importante: que venha cumprir seu ideário
e
papel histórico, que é orientar políticas
privadas e públicas e sobretudo, despertar consciências
a respeito da necessidade de preservação ambiental
como forma de manter o equilíbrio ecológico
da terra e boa qualidade da vida humana, de forma sustentável.
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