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Dr.Geraldo Mendes dos Santos ( * )
Diante
da onda avassaladora da globalização, onde
crises e oportunidades se revezam e diante também
do desbaratamento dos recursos naturais, observa-se que
os empreendedores brasileiros estão ávidos
por conhecimentos tecnológicos e científicos
para serem agregados a seus produtos e serviços.
É enorme a demanda pelo componente C&T e normalmente
sua busca se dá na Academia do saber, sobretudo nas
universidades e institutos públicos de pesquisa.
Importa, portanto, saber um pouco sobre a própria
natureza dessa instituição.
Academia é um termo originado na Grécia, nome
de um jardim de oliveiras dedicado a um herói chamado
Akademo e onde o filósofo Platão ministrava
suas aulas. Mais tarde, nesse local foi erigido um centro
de estudos formais e que serviu de modelo para as universidades.
Deduz-se, portanto, que a velha academia tem cerca de 2.390
anos, ao longo dos quais vem fazendo história em
todas as partes do mundo.
É verdade que nas últimas décadas o
termo Academia vinha sendo relegado ou aplicado apenas às
congregações de "imortais", onde
normalmente se refugiavam os vetustos senhores (agora também,
felizmente, senhoras!). Recentemente o termo voltou à
tona com força total, transformando-se num jargão
do mundo intelectualizado.
Nesse sentido, Institutos de pesquisa e Universidades, tanto
públicos como privados, levam o nome de Academias
e todos os professores e pesquisadores que neles trabalham
são acadêmicos.
Título pomposo esse, não!?
Pelo fato de ser acadêmico (ou talvez por isso mesmo)
é indispensável questionar: - o que a Academia
tem feito ou está fazendo para ajudar os cidadãos,
sobretudo os empreendedores, nesse momento crítico
da sociedade brasileira? - Gerar conhecimento! - dirão
os mais afoitos ou mais afeitos à tarefa de investigar,
estudar e pesquisar. - Nada, absolutamente nada.
Quando muito, o sexo dos anjos! - dirão alguns, de
si para si, ou mesmo vociferando na mídia, de modo
intempestivo, deselegante e grosseiro, como fez recentemente
um dos caciques políticos do Amazonas, a respeito
do INPA.
Ok! saibamos perdoar esses arrogantes senhores mandatários
e concordemos com a postura dos que acreditam estarem as
academias promovendo de fato a "geração
do conhecimento". Pois bem, a questão complementar
e que aqui realmente interessa é esta: - a quem se
destina o conhecimento gerado?! Outra pergunta que vem em
seu rastro é o "que" e "como"
esse conhecimento é gerado, mas por ora deixemos
isso de lado, confiando nos postulados e nos métodos
científicos, bem como na capacidade daqueles que
os executam. Tentemos nos ater à pergunta original:
"para quem?".
Para
quem... de pronto, isso nos remete para um interlocutor,
destinatário ou usuário do conhecimento e
se conclui que estamos nos referindo à real finalidade
da pesquisa, isto é, de seu alcance junto ao público-alvo,
ao povo, à sociedade, em geral.
É evidente que o pesquisador consciente não
pode se eximir nem deixar de se preocupar com a destinação
do conhecimento que gera (tanto dos resultados da investigação
científica, como do que pensa!). Um produto tão
especial, tão precioso e hoje tão demandado,
como o conhecimento, não pode ficar estanque, guardado
a sete chaves na Academia ou destinado unicamente a outros
pesquisadores. Conhecimento bom é aquele disseminado
e que pode ser aproveitado, retrabalhado e transformado
pela sociedade. É imperativo, portanto, que todo
conhecimento deve ser disponibilizado, democratizado, sociabilizado,
compartilhado. Não existe conhecimento bom em gavetas
e muito menos hermeticamente fechado no círculo elitista
da comunidade científica e menos ainda na mente de
alguns privilegiados.
É evidente que o produtor do conhecimento deve estar
atento para defender a garantir seu direito autoral, buscar
os meios mais apropriados para divulgar suas idéias
ou resultados de suas pesquisas, mas é importante
ter sempre em mente o interesse coletivo e o alcance social
de sua obra. Há cientistas e intelectuais de toda
ordem e com as mais diversas tendências (é
ótimo que seja assim, isto atesta a maravilhosa diversidade
da vida!), mas um gerador de conhecimento socialmente responsável
e competente nunca deve ser:
1º) ELITISTA, isto é, buscando meios de divulgação
sofisticados, apenas como forma de promoção
pessoal/profissional. Esse modismo se assemelha muito ao
velho e surrado estilo da moda de sapatos, que vive em função
de etiquetas, de marcas.
2º) NARCISISTA, isto é, dirigindo sua publicação
para si mesmo ou seu grupo de trabalho, como se isso fosse
um espelho ou troféu de sua própria vaidade.
3º) ICONOCLASTA, isto é, achando que sua pesquisa
tem um fim em si mesmo, que o conhecimento científico
é o único meio válido para encontro
da verdade ou que a ciência é a mais elevada
expressão do valor humano e evolução
da humanidade.
O cientista é membro e tem compromissos com a academia,
mas também é parte integrante da sociedade
com a qual interage a todo o momento, em todas as áreas
e pela qual é pago. Assim sendo, ele precisa honrar
seus compromissos profissionais e dar satisfação
a seus pares, mas não pode jamais abrir mão
de seu dever de cidadão bem preparado intelectualmente
e daí, sua enorme responsabilidade social.
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