|
Dr.Geraldo Mendes dos Santos ( * )
Hoje silencio, mais por propósito
que carência de assunto.
Ajo assim para fazer coro ao silêncio-consenso que
parece prevalecer na nossa rede de comunicação
(sic!) nos últimos tempos.
Se antes, para alguns, a geral-l ou mesmo pesquisadores-l
era ruim por causa da profusão de discussões
e temas livres, provavelmente não tenha se tornado
melhor com esse calar coletivo, sobretudo com a triste mudez
dos telefones e a infestação de virus nos
computadores.
Entendo que é importante trocar idéias, discutir
questões coletivas e visões de mundo, pois
todos aprendem.
Somos eternos aprendizes, por mais graduados que sejamos.
Quem cala consente e num mundo complexo e difícil
como o atual, o calar é um descompromisso, uma pena.
Não calo em vão. Calo, para que o silêncio
se torne ainda mais grave e solene.
Calo para testificar que não faço concessões
sobre princípios éticos e normas democráticas
bem estabelecidas.
Destes, não abro mão. Deixo ao largo o canal
que imaginava servir de elo de entrosamento e meio adequado
para a circulação de idéias, alavancagem
de valores e troca de experiências.
Vou me valer de outros expedientes.
Abstenho-me da crônica para juntar-me ao rol dos reticentes
e emudecidos, atualmente maioria e em cuja classe às
vezes se espera estarem resguardadas a razão, a verdade
e a sabedoria.
Calo, não por adesão à quietude, nulidade
ou conformismo, mas por perceber ser esta uma alternativa
para que as verdades em que acredito possam ser ainda mais
compartilhadas e difundidas.
Não faço isso em honra aos poucos rudes e
intolerantes, mas em homenagem aos muitos cortezes e sensíveis.
Faço isso por acreditar que às vezes o silêncio
pode ser mais eficaz e eloqüente que o discurso.
Na verdade, calo em respeito a mim mesmo, ao Santo e ao
Espírito.
Cordiais saudações. |