Samaúma
 







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( * ) Dr.Geraldo Mendes dos Santos, pesquisador
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia -INPA
Coordenação de Pesquisas em Biologia Aquática-CPBA
Av.André Araújo, 2936, Cx.P.478, Bairro Petrópolis Manaus- AM 69060-001
Tel.(092) 643.3235/324o/3244
ou 6442051
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Criminalidade, Sabedoria e Sapiciência


Dr.Geraldo Mendes dos Santos ( * )

 

Até poucos anos atrás, o noticiário policial ocupava um espaço insignificante na mídia brasileira. No parlamento, o assunto era escasso, mote para perdedores e por isso, passava ao largo. Na televisão, era tratado com reserva, apenas em programas que os elitistas consideravam de nível baixo. Hoje a criminalidade atinge a mídia inteira e todas as classes sociais, grassa nas grandes metrópoles, invade cidades de médio e pequeno porte e até a zona rural. Por ser assunto de alto interesse social, passou a constituir-se também em elemento de marketing e em seu nome muitas empresas de segurança privada passaram a ganhar rios de dinheiro. Além disso, o tema virou estratégia de todos os matizes políticos, está nas manchetes dos grandes jornais e capa das principais revistas semanais. O país inteiro só fala nisso!

Leio, ouço e reflito sobre as estatísticas da criminalidade e o universo de dados parece infinito. Também as causas parecem não ter limites, estando baseadas na genética, na personalidade, no meio familiar e social, no QI, na cultura e até na psique. É um prato cheio para estatísticos, sociólogos, juristas, psicólogos e outros estudiosos do gênero.

Criminalidade não se extingue ou diminui com comentários superficiais desse tipo. Igualmente, ou menos ainda com a apatia e o silêncio. Então, para onde correr, ou melhor, o que fazer diante dessa situação crítica? Entendo que todo cidadão consciente gostaria de dar sua contribuição, então, onde, como e quando podemos atuar?

Atrevo-me a esboçar um quadro tridimensional no qual podemos desenvolver um trabalho profícuo, como cidadão, profissional e agente de transformação social. Vejamos:

A.- Plano Um: o aumento da pressão do mercado, a competição como regra geral e o incentivo generalizado ao consumismo têm provocado terríveis desequilíbrios psicológicos e sociais que fatalmente potencializam o crime. Por outro lado, ou talvez como conseqüência disso, o senso de cooperação e fraternidade, os legítimos valores espirituais, éticos, morais e sociais vêm sendo corroídos ao longo do tempo e precisam ser resgatados, como contrapartida àquela mórbida tendência. Nesse sentido, a postura cívica, a família, a igreja, a mídia e a escola (do jardim de infância à pós-graduação) tem muito a realizar. Realizemos!

B.- Plano Dois: o papel do estado nacional tem que ser redefinido com base no homem e não nos recursos financeiros. Lastimavelmente, sua missão e poder vêm perdendo terreno para os interesses das grandes corporações, sem donos ou pátrias. Igualmente, para as médias empresas privadas, suas filhas bastardas, que só visam lucro sobre lucro e ainda por cima, são financiadas pelo próprio estado, num ciclo vicioso e de conseqüências macabras. Neste cenário, os intelectuais precisam abdicar um pouco de suas especializações para colaborar mais diretamente com os interesses prementes da sociedade que clama por sua ajuda e quase sempre paga as contas dessa classe privilegiada. É preciso refletir, esclarecer, opinar e falar por nós mesmos e por milhões de patrícios analfabetos e indigentes. Ajudemos!

C.- Plano Três: o atual processo globalizante, capitaneado pelas nações hegemônicas capitalistas, precisa ser remodelado. Ele se baseia numa premissa falsa e insustentável, pois concentra renda e distribui miséria. Mais que isso: produz contingentes incontáveis de desempregados e alienados. Neste contexto, é imperativo a reorganização das nações unidas e desunidas em torno de princípios e alvos que não sejam apenas C&T e dinheiro. É preciso aprender a votar e para isso, também saber educar os jovens para o mercado de trabalho, sem perder de vista o desenvolvimento humano integral, a prática da solidariedade e da cidadania. Eduquemos!

Este quadro é tridimensional e também caleidoscópico, verdadeiro fenômeno de ótica pessoal e social, assim sendo, ele apresenta diferentes facetas para as mesmas formas, vistas por ângulos diferentes. Portanto, para atuar nele com competência e eficácia, além de muito trabalho e persistência, é preciso muita fé e esperança. Claro que isso é básico, mas a compaixão também é importante e em certos casos, pode fazer a diferença. Em todo o contexto, é importante desenvolver a sabedoria, sempre buscando a sapiência.

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