Samaúma
 







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( * ) Dr.Geraldo Mendes dos Santos, pesquisador
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia -INPA
Coordenação de Pesquisas em Biologia Aquática-CPBA
Av.André Araújo, 2936, Cx.P.478, Bairro Petrópolis Manaus- AM 69060-001
Tel.(092) 643.3235/324o/3244
ou 6442051
e-mail:gsantos@inpa.gov.br

Semeemos!


Dr.Geraldo Mendes dos Santos ( * )

 

Nunca se falou tanto de paz e nunca houve tanta guerra. Aliás, paradoxalmente, o mundo moderno, à medida que se torna mais e mais detentor e gerador de conhecimentos, parece avançar na ignorância e recuar no tempo, em termos de convivência. Analisando bem, percebe-se que grande parte da humanidade ainda vive sob a égide da barbárie. A outra parte, talvez melhor estruturada, assiste à barbárie de maneira indiferente e acanhada. Às vezes, quando toma partido, acaba impondo seus arsenais de guerra, seus ódios latentes e assim também se torna bárbara.

As duas Grandes Guerras, a última delas ocorrida há pouco mais de cinqüenta anos, foram um marco histórico nesse cenário bélico e estão bem documentadas, mas depois delas têm ocorrido incontáveis guerras mundo afora, muitas nem relatadas. Na maioria das vezes, estas não têm número ou nome, mas têm matado dezenas de vezes mais gente que aquelas guerras famosas.

Há poucos anos, a mídia fez grande divulgação das guerras nas tribos africanas, onde era impressionante o contingente de desnutridos, aleijados e moribundos. Mais recentemente, o mundo assistiu, entre o medo e a perplexidade, aos terríveis ataques terroristas contra prédios americanos. Igualmente perplexo, assistiu à resposta violenta, destes e de seus aliados, contra as milícias afegãs, tidas como bodes expiatórios. Agora, o mundo assiste - sempre perplexo, mas parece que sempre torcendo! - a mais uma guerra que parece não ter começo nem fim, a do Médio Oriente, entre israelenses e palestinos, dois povos vizinhos e irmãos. Aliás, as guerras ocorrem sempre entre irmãos, considerando que a humanidade é uma família única. Isso é terrível e lastimável, uma vergonha tamanha para o Homo sapiens, essa espécie moderninha, prepotente e vaidosa, que se julga filha dileta do Criador e da criação rei/rainha.

É um privilégio extraordinário atuar no campo da ciência, onde o conhecimento é a matéria prima das transformações pessoais e sociais e onde sua própria busca se constitui em recompensa gratificante, mas é desagradável e frustrante perceber que a C&T é o componente básico para a prática bélica. É horroroso ver os céus cruzados por bombas teleguiadas e tanques nos quatro cantos de cidades e campos. Verdadeiras minas de guerra! Igualmente horrendo é ver homens e mulheres às vezes crianças! - cujos corpos são atrelados a mortíferos petardos. Acúmulo de maldade! Cúmulo de violência!

Nesse momento em que toda a mídia mundial mostra imagens chocantes e depoimentos detalhados (uns verdadeiros, outros falsos) sobre a guerra no oriente, prefiro tratar hoje da paz.

Conclamo a paz, para lembrar que ela não é simplesmente a ausência de luta ou guerra, mas um estado mental, tanto da coletividade, como do indivíduo.

Paz não é armistício entre nações ou grupos, para manterem seus interesses, mas a miscigenação espontânea das raças, a integração efetiva dos povos. Nesse sentido, o Brasil é um exemplo para o mundo.

Paz não é apenas a abertura ou ampliação de canais para os negócios, mas a fraternidade humana autêntica. Não é apenas a globalização dos mercados, com concentração de riquezas, mas a distribuição eqüitativa de bens e oportunidades e a redução crescente da pobreza. Paz é solidariedade entre todos os homens.

Paz não é a expectativa ingênua da cessação de lutas e agressões (um meme atávico da natureza humana), mas o esforço sincero e constante em prol da liberdade, da justiça e do respeito. Respeito às pessoas, a todos os seres, ao meio ambiente.

Talvez o conceito da paz não seja matematicamente possível, mas há alta probabilidade de que a somatória da paz individual seja o resultado da paz coletiva. Deduz-se, portanto, que a paz não deve estar somente lá fora, mas em nós mesmos. Humana e biologicamente, poder-se-ia afirmar que a paz é uma semente. Nesse sentido, é preciso lembrar que a messe é grande e difícil de ser trabalhada, mas para trocar os campos de guerra por campos de paz, é preciso semear a paz.

Semeemos!

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