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Dr.Geraldo Mendes dos
Santos *

A
Páscoa é uma data de extraordinário
significado para o Cristianismo e de grande importância
para a humanidade. Ela retrata os passos de Cristo na terra,
atesta seu sofrimento e morte e também nos aponta
para a ressurreição. Mais que isso, nos convida
à reflexão sobre o sentido da dor, o potencial
da fé, o valor da alegria e a transcendência
do espírito.
No mundo
em que vivemos, contaminado pela egoísmo e descrença
e sob o império das coisas materiais, a mensagem
da Páscoa é sumamente importante. Nela, como
em tudo que é sagrado, há lições
valiosas, apropriadas para o estágio evolutivo de
cada pessoa, mas alguns pontos são básicos.
Um deles é a capacidade de crença naquilo
que acreditamos.
A força extraordinária da fé, que faz
prodígios. Outro, é a paciência e
resignação. A capacidade de padecer, sem infortúnio,
de tolerar o
sacrifício que a vida nos impõe como meio
de aprender e crescer. Há um pensamento bem próximo
a esse propósito, que diz "devemos pedir forças
a Deus para mudar as coisas que podemos mudar, paciência
para suportar as que não podemos mudar e discernimento
para distinguir uma da outra".
Essa é a fonte do conhecimento e da sabedoria.
Outro ponto importante proposto pela Páscoa é
a compaixão. Essa nada mais é que paixão
compartilhada. Trata-se de uma atenção especial,
zelo e solidariedade com o sofrimento alheio. Empatia é
outro termo normalmente aplicado a esse princípio,
algo bem mais forte e atuante que a sensação
física. Trata-se de uma disposição
íntima de estar no lugar do outro, verdadeira sensibilidade
da alma.
Além desses, devem também ser mencionados
o sentimento de humanidade, um misto de apreço e
perdão. Não somente ao próximo, mas
a nós mesmos, que muitas vezes não damos valor
ao que temos e somos e não raro não sabemos
perdoar nossas próprias limitações.Todos
esses sentimentos confluem para a alegria, a recompensa
íntima e inalienável de tudo que é
feito de maneira sincera e fraterna em prol do crescimento
dos outros e de nós mesmos, num congraçamento
firme e fecundo e que aos céus só resta conspirar
a favor.
Páscoa é momento mágico, de chocolate,
carne branca, mesa farta.
De modo idêntico e por congregar o senso da fraternidade
e distribuição dos bens da vida, ela também
é momento da introspecção, da descoberta
de valores latentes e adormecidos, mas genuinamente humanos
e sempre à disposição para aqueles
que investem ou tão somente sonham na construção
de um mundo mais justo e feliz. Páscoa é epifania,
a união bem dosada do mundano e sagrado e cuja resultante
é a dignidade sublime.
Nesse instante histórico em que a competição
é a lei magna do grande mercado mundial; em que a
violência se agiganta, vencendo as barreiras da lei
e do estado e em que o egoísmo e a usura perpassam
todos os meandros sociais, é oportuno, talvez mesmo
necessário, resgatar o exemplo de Cristo, personagem
central do sentido Páscoa. Em lugar da competição
e egoísmo, ele não somente ensina a doação,
chega a doar-se.
Em vez da violência, ele pregou a paz, ensina o perdão.
Se de Cristo, nos vem o nome de cristãos, seu exemplo
de vida deve constituir-se num alvo a mirar-se, um caminho
a seguir.
Que a Páscoa nos faça lembrar de tal compromisso. |