Samaúma
 







Voltar para página principal.


( * ) Dr.Geraldo Mendes dos Santos, pesquisador
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia -INPA
Coordenação de Pesquisas em Biologia Aquática-CPBA
Av.André Araújo, 2936, Cx.P.478, Bairro Petrópolis Manaus- AM 69060-001
Tel.(092) 643.3235/324o/3244
ou 6442051
e-mail:gsantos@inpa.gov.br

Lembrete da Páscoa


 

 

Dr.Geraldo Mendes dos Santos *

 

 

A Páscoa é uma data de extraordinário significado para o Cristianismo e de grande importância para a humanidade. Ela retrata os passos de Cristo na terra, atesta seu sofrimento e morte e também nos aponta para a ressurreição. Mais que isso, nos convida à reflexão sobre o sentido da dor, o potencial da fé, o valor da alegria e a transcendência do espírito.

No mundo em que vivemos, contaminado pela egoísmo e descrença e sob o império das coisas materiais, a mensagem da Páscoa é sumamente importante. Nela, como em tudo que é sagrado, há lições valiosas, apropriadas para o estágio evolutivo de cada pessoa, mas alguns pontos são básicos. Um deles é a capacidade de crença naquilo que acreditamos.

A força extraordinária da fé, que faz prodígios. Outro, é a paciência e
resignação. A capacidade de padecer, sem infortúnio, de tolerar o
sacrifício que a vida nos impõe como meio de aprender e crescer. Há um pensamento bem próximo a esse propósito, que diz "devemos pedir forças a Deus para mudar as coisas que podemos mudar, paciência para suportar as que não podemos mudar e discernimento para distinguir uma da outra".

Essa é a fonte do conhecimento e da sabedoria.

Outro ponto importante proposto pela Páscoa é a compaixão. Essa nada mais é que paixão compartilhada. Trata-se de uma atenção especial, zelo e solidariedade com o sofrimento alheio. Empatia é outro termo normalmente aplicado a esse princípio, algo bem mais forte e atuante que a sensação física. Trata-se de uma disposição íntima de estar no lugar do outro, verdadeira sensibilidade da alma.

Além desses, devem também ser mencionados o sentimento de humanidade, um misto de apreço e perdão. Não somente ao próximo, mas a nós mesmos, que muitas vezes não damos valor ao que temos e somos e não raro não sabemos perdoar nossas próprias limitações.Todos esses sentimentos confluem para a alegria, a recompensa íntima e inalienável de tudo que é feito de maneira sincera e fraterna em prol do crescimento dos outros e de nós mesmos, num congraçamento firme e fecundo e que aos céus só resta conspirar a favor.

Páscoa é momento mágico, de chocolate, carne branca, mesa farta.

De modo idêntico e por congregar o senso da fraternidade e distribuição dos bens da vida, ela também é momento da introspecção, da descoberta de valores latentes e adormecidos, mas genuinamente humanos e sempre à disposição para aqueles que investem ou tão somente sonham na construção de um mundo mais justo e feliz. Páscoa é epifania, a união bem dosada do mundano e sagrado e cuja resultante é a dignidade sublime.

Nesse instante histórico em que a competição é a lei magna do grande mercado mundial; em que a violência se agiganta, vencendo as barreiras da lei e do estado e em que o egoísmo e a usura perpassam todos os meandros sociais, é oportuno, talvez mesmo necessário, resgatar o exemplo de Cristo, personagem central do sentido Páscoa. Em lugar da competição e egoísmo, ele não somente ensina a doação, chega a doar-se.

Em vez da violência, ele pregou a paz, ensina o perdão. Se de Cristo, nos vem o nome de cristãos, seu exemplo de vida deve constituir-se num alvo a mirar-se, um caminho a seguir.

Que a Páscoa nos faça lembrar de tal compromisso.

d