Samaúma
 







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( * ) Dr.Geraldo Mendes dos Santos, pesquisador
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia -INPA
Coordenação de Pesquisas em Biologia Aquática-CPBA
Av.André Araújo, 2936, Cx.P.478, Bairro Petrópolis Manaus- AM 69060-001
Tel.(092) 643.3235/324o/3244
ou 6442051
e-mail:gsantos@inpa.gov.br

Dilema Tecnológico.


Dr.Geraldo Mendes dos Santos ( * )



A informática é uma das realizações humanas mais fantásticas e que mais tem se desenvolvido nas últimas décadas, em quase todo o mundo. O computador é a máquina mais utilizada nos laboratórios e escritórios, passando a ocupar os espaços domésticos. As conquistas proporcionadas pelo arcabouço tecnológico vinculado à tecnologia da comunicação foram tantas e tão marcantes que atualmente as pessoas não precisam mais sair de casa para se encontrar umas com as outras, fazer negócios, trocar idéias, buscar dados e informações, declarar bens ao fisco, namorar, comprar, pagar, divertir, discutir qualquer questão. A internet passou a ser a fonte básica da pesquisa, estudos e conversação. Por causa dela, as bibliotecas deixaram de incorporar muitos assuntos e os acervos antes nelas concentrados e atualizados, agora estão anacrônicos. Os computadores pessoais passaram a substituir as estantes e armários, exercendo agora a função de enciclopédias e guarda-livros, entretanto, quando falta energia, é uma inoperância total, verdadeiro espanto.

A informática desenvolveu tanto a área de bancos de dados e da comunicação que hoje o real se confunde com o imaginário e o universo do palpável está sendo substituído pelo virtual. Tendo consciência ou não, todos nós estamos envolvidos e meio-dependentes do mundo on-line.

O mundo moderno, dominado pela tecnologia da informação, pode parecer maravilhoso e perfeito, mas também é pérfido e corrompido. As fábricas de equipamentos e artigos de informática nos impedem de utilizar as máquinas por mais que algumas centenas de dias, tantas são as novidades lançadas no mercado e também, a quantidade exorbitante do que é substituído, sem necessidade prática. Tudo para tornar o consumidor dependente e sem saídas alternativas.

A sociedade capitalista está esbarrando numa verdade paradoxal - os cidadãos se tornam presa fácil, ou melhor, vítima e refém dos ditames tecnológicos. Às vezes parece que ao invés da tecnologia estar servindo ao homem, é este que está a seu serviço e capricho. Fica a impressão de que os antigos senhores e donos da situação, agora não passam de servis escravos, utilitários dependentes das máquinas e da mídia.

Até os encontros e reuniões de trabalho perderam sentido. Deixaram saudade. Nelas havia um clima contagiante, podia-se apreciar as expressões faciais, os semblantes, detalhes da maior importância nas inter-relações humanas. As pessoas tinham a oportunidade de se encontrar e com muito mais rapidez e eficácia, falar, responder, depor, retrucar, contestar, dar vazão às suas impressões e até emoções. Mesmo subjugados pelos ditames do modismo da tecnologia da informática, não creio que os encontros amistosos e as reuniões de trabalho possam ser relegados a segundo plano, quando se trata de debater algo complexo e que requer a ampla discussão, com opiniões rápidas e múltiplas. Seguramente, os "papos" virtuais não substituem a presença dos corpos e mais que encontros, parecem provocar desencontros. No meio de tantas facilidades e meios, as pessoas atualmente parecem mais confusas e perdidas. Que dilema terrível!

Não há dúvida que a informática é fascinante, vence distâncias extraordinárias em frações de segundo e coloca um universo de informações ao nosso alcance, mas parece que ela provocou a perda do encanto proporcionado pelas coisas simples e espontâneas. Já não bastasse a televisão que tanta alienação produz, o computador veio acirrar ainda mais a tendência ao isolamento, à alienação e ao distanciamento do que ocorre ao nosso redor, no dia a dia. O modismo, a magia cativante e o poder da máquina como facilitadora de trabalho parecem que nos tornam mais e mais prisioneiros e dependentes. Com o apego exacerbado ao micro-computador, não somente os colegas, pais, filhos e a família acabam privando-se das presenças físicas, mas também a coluna vertebral acaba padecendo injúrias por ter que manter o corpo parado, quase rijo, horas a fio, sem mencionar a famigerada doença LER (lesão por esforço repetido).

A capacidade estonteante de acumular, processar e colocar à disposição todo tipo de informação à hora em que se precisa, parece ter trazido uma sensação de inoperância e inutilidade dos seres humanos, principalmente dos prestadores de serviços e da imensa maioria dos cidadãos, tratados tecnologicamente como analfabetos ou excluídos. No mundo altamente informatizado e tecnificado em que vivemos, sobram poucas possibilidades de atuação gabaritada, se essa não mantém com as famigeradas máquinas algum tipo de vínculo. Vínculo empregatício ou tão somente profissional, talvez psicofísico.

Verdadeiramente, a tecnologia é geradora de riqueza e de múltiplas possibilidades de trabalho, mas é também responsável por milhões de desemprego e provocadora de alienação, dependência e outras formas de vícios.