|
Dr.Geraldo Mendes dos Santos ( * )
A informática
é uma das realizações humanas mais
fantásticas e que mais tem se desenvolvido nas últimas
décadas, em quase todo o mundo. O computador é
a máquina mais utilizada nos laboratórios
e escritórios, passando a ocupar os espaços
domésticos. As conquistas proporcionadas pelo arcabouço
tecnológico vinculado à tecnologia da comunicação
foram tantas e tão marcantes que atualmente as pessoas
não precisam mais sair de casa para se encontrar
umas com as outras, fazer negócios, trocar idéias,
buscar dados e informações, declarar bens
ao fisco, namorar, comprar, pagar, divertir, discutir qualquer
questão. A internet passou a ser a fonte básica
da pesquisa, estudos e conversação. Por causa
dela, as bibliotecas deixaram de incorporar muitos assuntos
e os acervos antes nelas concentrados e atualizados, agora
estão anacrônicos. Os computadores pessoais
passaram a substituir as estantes e armários, exercendo
agora a função de enciclopédias e guarda-livros,
entretanto, quando falta energia, é uma inoperância
total, verdadeiro espanto.
A informática desenvolveu tanto a área de
bancos de dados e da comunicação que hoje
o real se confunde com o imaginário e o universo
do palpável está sendo substituído
pelo virtual. Tendo consciência ou não, todos
nós estamos envolvidos e meio-dependentes do mundo
on-line.
O
mundo moderno, dominado pela tecnologia da informação,
pode parecer maravilhoso e perfeito, mas também é
pérfido e corrompido. As fábricas de equipamentos
e artigos de informática nos impedem de utilizar
as máquinas por mais que algumas centenas de dias,
tantas são as novidades lançadas no mercado
e também, a quantidade exorbitante do que é
substituído, sem necessidade prática. Tudo
para tornar o consumidor dependente e sem saídas
alternativas.
A
sociedade capitalista está esbarrando numa verdade
paradoxal - os cidadãos se tornam presa fácil,
ou melhor, vítima e refém dos ditames tecnológicos.
Às vezes parece que ao invés da tecnologia
estar servindo ao homem, é este que está a
seu serviço e capricho. Fica a impressão de
que os antigos senhores e donos da situação,
agora não passam de servis escravos, utilitários
dependentes das máquinas e da mídia.
Até os encontros e reuniões de trabalho perderam
sentido. Deixaram saudade. Nelas havia um clima contagiante,
podia-se apreciar as expressões faciais, os semblantes,
detalhes da maior importância nas inter-relações
humanas. As pessoas tinham a oportunidade de se encontrar
e com muito mais rapidez e eficácia, falar, responder,
depor, retrucar, contestar, dar vazão às suas
impressões e até emoções. Mesmo
subjugados pelos ditames do modismo da tecnologia da informática,
não creio que os encontros amistosos e as reuniões
de trabalho possam ser relegados a segundo plano, quando
se trata de debater algo complexo e que requer a ampla discussão,
com opiniões rápidas e múltiplas. Seguramente,
os "papos" virtuais não substituem a presença
dos corpos e mais que encontros, parecem provocar desencontros.
No meio de tantas facilidades e meios, as pessoas atualmente
parecem mais confusas e perdidas. Que dilema terrível!
Não há dúvida que a informática
é fascinante, vence distâncias extraordinárias
em frações de segundo e coloca um universo
de informações ao nosso alcance, mas parece
que ela provocou a perda do encanto proporcionado pelas
coisas simples e espontâneas. Já não
bastasse a televisão que tanta alienação
produz, o computador veio acirrar ainda mais a tendência
ao isolamento, à alienação e ao distanciamento
do que ocorre ao nosso redor, no dia a dia. O modismo, a
magia cativante e o poder da máquina como facilitadora
de trabalho parecem que nos tornam mais e mais prisioneiros
e dependentes. Com o apego exacerbado ao micro-computador,
não somente os colegas, pais, filhos e a família
acabam privando-se das presenças físicas,
mas também a coluna vertebral acaba padecendo injúrias
por ter que manter o corpo parado, quase rijo, horas a fio,
sem mencionar a famigerada doença LER (lesão
por esforço repetido).
A
capacidade estonteante de acumular, processar e colocar
à disposição todo tipo de informação
à hora em que se precisa, parece ter trazido uma
sensação de inoperância e inutilidade
dos seres humanos, principalmente dos prestadores de serviços
e da imensa maioria dos cidadãos, tratados tecnologicamente
como analfabetos ou excluídos. No mundo altamente
informatizado e tecnificado em que vivemos, sobram poucas
possibilidades de atuação gabaritada, se essa
não mantém com as famigeradas máquinas
algum tipo de vínculo. Vínculo empregatício
ou tão somente profissional, talvez psicofísico.
Verdadeiramente,
a tecnologia é geradora de riqueza e de múltiplas
possibilidades de trabalho, mas é também responsável
por milhões de desemprego e provocadora de alienação,
dependência e outras formas de vícios. |