Geraldo Mendes Santos
Tudo na vida não passa de um texto: texto desenhado, fotografado, escrito, falado, dito ou não dito. Daí, que todos aspiramos por um texto significativo. Que texto eu poderia produzir hoje, neste dia consagrado ao namoro, ao enamoramento, aos sentimentos lindos? Busco as palavras e estas me vem em fileiras, aos saltos, aos montes, quase aos gritos. O trabalho não é apreendê-las e utilizá-las para compor um texto, algum verso, quem sabe uma poesia. O trabalho é selecioná-las e organizá-las de tal forma, que possam se mostrar elegantes, encantadoras e fiéis ao que sinto e penso. É um trabalho admirável e ao mesmo tempo frustrante. Admirável, porque o próprio ato de escrever já se justifica, é gratificante por si mesmo, verdadeira catarse da alma. Frustrante, porque ao escolher algumas palavras, preciso abdicar de outras e todas elas são igualmente importantes, fruto da vivência social, da luta de classes, das construções humanas. Então, que palavras posso escolher para consubstanciar o texto proposto, em homenagem amorosa à esposa-namorada, aos filhos e também ao mundo, à vida?
- Amo vocês!
Estas foram as palavras eleitas e este o texto escrito: presente da língua!
Com todo o restante das palavras, incluindo estas e todas as outras possíveis, teço outro texto, mas este é apenas pensado: presente do espírito!
Geraldo Mendes dos Santos
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