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Geraldo Mendes dos Santos*
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Tenho lido e ouvido sofisticados conceitos sobre planejamento estratégico e daí sou levado a afirmar, de maneira metafórica, que este não passa de um exercício coletivo para afirmação de propósitos, exaltação de virtudes e revelação de pecados. Ou seja, um ato penitencial, uma confissão aberta, quase-pública.
Analisar uma atividade gerencial relevante como esta, referindo-se a um ato confessional, não é desvirtuamento da liturgia religiosa, nem atentado às teorias administrativas e tampouco menosprezo à tecnocracia formal. Trata-se, simplesmente de uma análise metafórica e como tal suas verdades não se afiguram nas palavras enunciadas mas nas entrelinhas que subjazem a elas. Para este ato confessional, a metáfora pode parecer simplista, mas não é. Toda narrativa metafórica encerra elementos reflexivos valiosos e são estes que nos interessam diretamente. Os demais elementos não passam de acessórios linguísticos. Ambos, no entanto, se complementam e só têm sentido quando analisados em conjunto. Eis, portanto, os elementos, argumentos e personagens envolvidos na análise metafórica sobre planejamento estratégico:
O pároco é o gestor, patrono ou dono do negocio. É ele que faz a convocação dos fiéis servidores, concitando-os a aderirem às causas postas, sempre com o badalar dos sinos, a promessa das graças, a concessão da misericórdia.
O catequista é o consultor, que conhece os segredos da cartilha, isto é, da arte de planejar. Além disso, é ele o grande preletor, artífice intelectual capaz de moldar as lições catequéticas ao perfil dos fiéis, desde que isso não prejudique a estrutura formal da cartilha e não infrinja ameaças à retidão do livro sagrado dela oriundo, denominado plano diretor.
Os temas da cartilha catequética são sobejamente conhecidos, entretanto convém destacar os relativos às fraquezas e virtudes institucionais, profissionais e humanas, denominadas no conjunto de pontos fracos e fortes, respectivamente. É com base nelas que são construídos os novos cenários, isto é, visões miméticas das velhas realidades, projetadas no tempo futuro, sem nenhuma garantia de concretude. É a partir destas construções, ou melhor, destas representações mentais, que se tenta estabelecer os níveis de excelência desejáveis para a empresa e seus parceiros, hoje mais globalizados que nunca.
É também a partir desta visão futurista (sem nunca perder de vista a experiência do passado e a realidade quotidiana) que são estabelecidas as penitências, ou seja, as estratégias de ações, atos e atitudes, bem como as metas e resultados esperados.
Evidentemente, num ato penitencial como este, não podem faltar os propósitos, isto é, os objetivos gerais, embutidos na missão institucional e os objetivos específicos, delineados nos seus produtos, processos e serviços.
O que mais se ressalta neste ato confessional é a noção escatológica de céu ou recompensa, avaliada pelo grau de sucesso, satisfação do cliente e até mesmo pelo apoio político.
No mundo religioso (capitalista) em que vivemos e atuamos, a confissão (planejamento estratégico) é um ato sumamente importante, mas é preciso que os confessantes (atores envolvidos) estejam conscientes do "como" mas também do "quê", "por que" e "para quem" planejar estrategicamente.
Só com um bom nível de entendimento e com um senso crítico permanente é que se pode compatibilizar os interesses mútuos e harmonizar as aspirações dos vários agentes envolvidos nessa arte de planejar. Caso contrário, um exercício caro como este (caro em gastos de energia mental, intelectual e financeira) não passa de álibi para velhos modismos tecnocráticos.
Mais que mexer com a idealização e consciência profissional dos confessantes, ou melhor, com a avaliação dos ambientes internos e externos, os cenários passado, presente e futuro, é fundamental (sem ser fundamentalista) uma justa medida de deveres e direitos, incluindo nestes a permanente valorização dos servidores, adequadas condições de trabalho e salários condignos com os níveis de excelência que se desejam.
Como resenha metafórica, o que de fato se busca com o planejamento estratégico é o céu, representado pela excelência institucional, pela satisfação dos clientes e pela motivação dos seus servidores. A excelência é um conceito; a satisfação, um fato e a motivação, um desejo. Conceito, fato e desejo são as realidades essencias da criatura humana, pois tratam de suas vivências, expectativas e sonhos. São estes elementos que devem constituir-se no foco da administração estratégica, aquela que realiza continuamente o ideal esboçado de vez em quando no planejamento. Os demais elementos não passam de acessórios metafóricos, por mais estratégicos que sejam.
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