Dr.Geraldo Mendes dos Santos ( * )
Oito de março é
uma data marcante, dedicada internacionalmente à
mulher. Nada mais justo, portanto, que dedicar a crônica
de hoje a esse motivo e a essa especial criatura.
A intenção da homenagem é fácil
e espontânea, mas a missão, trabalhosa, dura.
Inicio com a palavra e o sentimento de parabéns,
esperando que elas, ou melhor, todos nós, estejamos
receptivos à inspiração e elevação
do momento e irmanados no mais profundo senso de alegria
e congratulações.
Invoco o papel de destaque e a importância vital que
a mulher exerce no lar, na sociedade, no mundo. Promotora
da formação, educação e cultura,
além de exemplo de dedicação e zelo
com os pais, parceiros e filhos, é ela a escudeira
da existência humana.
A mulher é generosa, delicada, acolhedora e magnânima.
O símbolo de fertilidade e de sacrossanta sexualidade
física e antropológica que ostenta, discreta
ou indiscretamente, é algo incomensurável
e absolutamente indispensável para o equilíbrio
dos pares e a evolução harmônica da
espécie Homo sapiens. O dom glorioso de conceber,
guardar e proteger seus rebentos, é simplesmente
grandioso, grandiloqüente. É, portanto, indispensável
evocar nesse dia, a maravilhosa capacidade criativa e criadora
desse ente. E também, deixar-nos absorver pelos seus
misteriosos encantos.
É preciso também evocar nessa data, os prazeres
inefáveis e os enigmas sublimes contidos nos laços
de convivência entre a mulher e o homem. Declaradamente
ou não, a mulher é amiga, companheira, cúmplice
ou confidente. É exatamente esse perfil que confere
a ela uma importância estratégica na convivência
quotidiana. Mesmo que eventualmente gerador de eventuais
desavenças, é ele o agente responsável
pelo caráter sacrossanto das relações
verdadeiramente amorosas, sinceras e profundas.
Na reflexão que aqui faço sobre a natureza
e papel da mulher, fujo das minhas próprias limitações
e me apego às idéias do grande filósofo
Blaise Pascal, que confere a elas o senso de finesse, isto
é, intuição, sensibilidade, meiguice,
delicadeza e elegância, em oposição
ao senso de geometria e racionalidade do homem. Recorro
também às considerações de outros
intelectuais admiráveis, como Leo Buscaglia, Frei
Beto, Leonardo Boff e Fritjof Capra, que interpretam a mulher
como centro criativo das gloriosas civilizações
do passado e seu potencial majestoso para a edificação
de um mundo melhor no futuro, através desse processo
dinâmico e sempre inacabado da antropogênese.
Além da postura matriarcal representada nas mais
diversas civilizações, ao longo da história,
a figura da mulher sempre esteve associada à mãe-natureza
que tudo cria, recria e acolhe. É ela, portanto,
a verdadeira imagem de Deus ou, no mínimo, a sua
mais perfeita criatura.
É na combinação harmonioso do que penso
com o que aprendo, que deixo-me levar pela força
íntima do que sinto para dizer que mulher é
nada mais que a personificação dos anjos,
a integração das diversas vertentes em busca
do equilíbrio, a mais bela manifestação
da matéria e a mais autêntica manifestação
do espírito.
Como arquétipo do mais sublime sentimento humano,
a mulher representa de maneira didática e cristalina
os sensos de Ágape, na velhice; de Filia, na maturidade;
de Eros, na juventude e de Pornéia, na infância.
É ela, portanto, a integração dos opostos,
a combinação das diversas potencialidades,
cada uma a seu tempo e a síntese das experiências
vividas.
Descrever sobre a natureza feminina é como falar
de coisas sagradas: sumamente difícil, quase impossível.
As palavras sempre se tornam insuficientes e imprecisas.
Assim sendo, a essa altura, recorro ao exemplo de Jesus
Cristo que sempre utilizava metáforas para dar seu
testamento. Com linguagem figurada diria que a mulher é
o altar majestoso ao dispor da prece, a hóstia consagrada
destinada aos corações apaixonados ou contritos,
o vinho derramado em nome de todas as virtudes e pecados,
o cálice das possibilidades reais e utópicas,
a comunhão da vida.
É nesse contexto que me encaixo, para cumprimentar
e congratular com todas as mulheres do mundo, especialmente
aquelas que compartilham comigo as reminiscências
do passado, as realidades do presente e as utopias do futuro.
Mulheres, parabéns!
Sejam felizes! |