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Homenagem a Mulher

 

 

( * ) Dr.Geraldo Mendes dos Santos, pesquisador
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia -INPA
Coordenação de Pesquisas em Biologia Aquática-CPBA
Av.André Araújo, 2936, Cx.P.478, Bairro Petrópolis Manaus- AM 69060-001
Tel.(092) 643.3235/324o/3244
ou 6442051
e-mail:gsantos@inpa.gov.br

Mulher comunhão da vida!

 

 

 

 

Dr.Geraldo Mendes dos Santos ( * )

 

 

 

 

Oito de março é uma data marcante, dedicada internacionalmente à mulher. Nada mais justo, portanto, que dedicar a crônica de hoje a esse motivo e a essa especial criatura.

A intenção da homenagem é fácil e espontânea, mas a missão, trabalhosa, dura. Inicio com a palavra e o sentimento de parabéns, esperando que elas, ou melhor, todos nós, estejamos receptivos à inspiração e elevação do momento e irmanados no mais profundo senso de alegria e congratulações.

Invoco o papel de destaque e a importância vital que a mulher exerce no lar, na sociedade, no mundo. Promotora da formação, educação e cultura, além de exemplo de dedicação e zelo com os pais, parceiros e filhos, é ela a escudeira da existência humana.

A mulher é generosa, delicada, acolhedora e magnânima. O símbolo de fertilidade e de sacrossanta sexualidade física e antropológica que ostenta, discreta ou indiscretamente, é algo incomensurável e absolutamente indispensável para o equilíbrio dos pares e a evolução harmônica da espécie Homo sapiens. O dom glorioso de conceber, guardar e proteger seus rebentos, é simplesmente grandioso, grandiloqüente. É, portanto, indispensável evocar nesse dia, a maravilhosa capacidade criativa e criadora desse ente. E também, deixar-nos absorver pelos seus misteriosos encantos.

É preciso também evocar nessa data, os prazeres inefáveis e os enigmas sublimes contidos nos laços de convivência entre a mulher e o homem. Declaradamente ou não, a mulher é amiga, companheira, cúmplice ou confidente. É exatamente esse perfil que confere a ela uma importância estratégica na convivência quotidiana. Mesmo que eventualmente gerador de eventuais desavenças, é ele o agente responsável pelo caráter sacrossanto das relações verdadeiramente amorosas, sinceras e profundas.

Na reflexão que aqui faço sobre a natureza e papel da mulher, fujo das minhas próprias limitações e me apego às idéias do grande filósofo Blaise Pascal, que confere a elas o senso de finesse, isto é, intuição, sensibilidade, meiguice, delicadeza e elegância, em oposição ao senso de geometria e racionalidade do homem. Recorro também às considerações de outros intelectuais admiráveis, como Leo Buscaglia, Frei Beto, Leonardo Boff e Fritjof Capra, que interpretam a mulher como centro criativo das gloriosas civilizações do passado e seu potencial majestoso para a edificação de um mundo melhor no futuro, através desse processo dinâmico e sempre inacabado da antropogênese.

Além da postura matriarcal representada nas mais diversas civilizações, ao longo da história, a figura da mulher sempre esteve associada à mãe-natureza que tudo cria, recria e acolhe. É ela, portanto, a verdadeira imagem de Deus ou, no mínimo, a sua mais perfeita criatura.

É na combinação harmonioso do que penso com o que aprendo, que deixo-me levar pela força íntima do que sinto para dizer que mulher é nada mais que a personificação dos anjos, a integração das diversas vertentes em busca do equilíbrio, a mais bela manifestação da matéria e a mais autêntica manifestação do espírito.

Como arquétipo do mais sublime sentimento humano, a mulher representa de maneira didática e cristalina os sensos de Ágape, na velhice; de Filia, na maturidade; de Eros, na juventude e de Pornéia, na infância. É ela, portanto, a integração dos opostos, a combinação das diversas potencialidades, cada uma a seu tempo e a síntese das experiências vividas.

Descrever sobre a natureza feminina é como falar de coisas sagradas: sumamente difícil, quase impossível. As palavras sempre se tornam insuficientes e imprecisas. Assim sendo, a essa altura, recorro ao exemplo de Jesus Cristo que sempre utilizava metáforas para dar seu testamento. Com linguagem figurada diria que a mulher é o altar majestoso ao dispor da prece, a hóstia consagrada destinada aos corações apaixonados ou contritos, o vinho derramado em nome de todas as virtudes e pecados, o cálice das possibilidades reais e utópicas, a comunhão da vida.

É nesse contexto que me encaixo, para cumprimentar e congratular com todas as mulheres do mundo, especialmente aquelas que compartilham comigo as reminiscências do passado, as realidades do presente e as utopias do futuro.

Mulheres, parabéns!

Sejam felizes!