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Biografia
A Criança
Sua infância transcorreu na Fazenda
" Santa Maria " , no município de Taubaté.
Viveu
na casa da cidade que seus pais possuíam no antigo
Largo da Estação e na " Chácara
do Visconde " , de propriedade de seu avô, José
Francisco Monteiro, Visconde de Tremembé.
"
As mais antigas lembranças do menino estão
ligadas à vida na fazenda : da varanda na casa grande,
ele via diariamente os terreiros de café cercados
pelo muro de taipa. O portão abria-se para a estrada
Sete Voltas , que demandava a Taubaté.
Além
do ribeirão começava um morro coberto de escura
e misteriosa mata virgem, que na sua imaginação,
um fantástico ninho de onças e índios.
Juca
– apelido de infância - era um menino quieto,
pouco arteiro. Esther e Judith , suas irmãs mais
novas eram as companheiras de brincadeiras.
Era
um hábito, naquele tempo, as crianças brincarem
com sabugos de milho que se transformavam em bonecos ; chuchus
com pernas de palitos eram cavalos e porquinhos.
Era certo encontrá-lo brincando no terreiro de café
ou no pomar comendo cabeludas ( hoje raras ) e outras frutas,
ou ... mariscando de peneira no ribeirão. "
A casa
do Visconde de Tremembé e a sala encantada.
No antigo
Largo do Teatro, em Taubaté, hoje Praça Dr.
Monteiro, ficava o casarão da cidade, que pertencia
ao fazendeiro Visconde de Tremembé.
O escritório
do avô, com a biblioteca, era para o menino, uma "
sala encantada ", onde se deslumbrava com as revistas
e coleções sobre viagens e aventuras. "
Só saía da biblioteca... à força."
" Juca Lobato " fez seus estudos primários
e secundários em Taubaté, depois de Ter sido
alfabetizado por Dona Olímpia, sua mãe.
O
adolescente "Juca" Lobato
Lobato
começou a sentir-se "gente grande" quando
foi decidido por seu avô que iria estudar em São
Paulo; tinha então, treze anos.
Sua
mãe estava gravemente doente e a correspondência
entre eles nesse período foi terna e comovente.
Voltando
à Taubaté, depois de uma reprovação
na prova oral de português, passa todo ano de 1896
agarrado aos livros.
É
na Chácara do Visconde, à sombra da jaqueira
(que hoje ainda está lá ), que Juca passa
maior parte de seu tempo disponível.
Nessa
época, no Colégio Paulista, em Taubaté,
os colegas resolveram fundar um jornalzinho estudantil.
Chamava-se
O Guarani e é nele que Lobato estreará, aos
quatorze anos de idade um pequeno artigo intitulado Rabiscando.
Preparado,
volta à São Paulo e brilha nos exames. Na
capital, participa de jornaizinhos colegiais e das sociedades
literárias. Além de contos e crônicas
também foi atraído pela arte de desenhar.
Escreve
e publica muito, sempre com pseudônimos. O mais famoso
deles é: Yewsky. Nesta época já possuía
a marca de clareza e concisão.
Aos
quinze anos perde o pai e aos dezesseis a mãe. Entra
em conflito com o avô, que o queria bacharel em Direito,
enquanto Lobato pleiteava a Escola de Belas Artes. Vence
o avô (será em toda sua vida a única
vez que, embora contrariado, faz uma concessão).
Estuda
Direito no Largo de São Francisco aos dezoito anos.
Era o começo do século.
Ao iniciar
os estudos superiores se impõe numa profissão
de fé: destoar da opinião geral. Entre a prostituição
da inteligência e o aplauso da própria consciência,
não hesitará.
O
apaixonado
Lobato e D. Pureza de Castro Natividade conheceram-se em
Taubaté, quando a jovem Purezinha, como era chamada,
veio de São Paulo passar uma temporada na casa do
avô. Lobato, já apaixonado, descreveu-a em
carta ao amigo Godofredo Rangel: "É loura, branca
como pétala de magnólia, linda".
O
poeta
A moça D. Purezinha foi muito cortejada pelos rapazes
do lugar, inclusive por Lobato, que para conquistá-la
voltava-se à poesia. Em 1907, publica no Jornal de
Taubaté, uma série de poemas exaltando a beleza
de Purezinha. Consegue seu objetivo: conquista a amada.
O namoro inicia e concretiza-se em casamento no dia 28 de
março de 1908, em São Paulo. Desta união
nasceram quatro filhos: Marta, Edgar, Guilherme e Rute.
O
profissional
Foi promotor em Areias e tornou-se fazendeiro quando herdou
de seu avô a Fazenda do Buquira, no município
do mesmo nome, hoje Monteiro Lobato.
Em 1914,
o jornal Estado de São Paulo publica seu primeiro
conto: :A Velha Praga, em 1914, com o qual se tornou conhecido.
Desgostoso com a vida de fazendeiro, vende a fazenda e muda-se
para São Paulo, onde passa a escrever muito.
Em 1918,
o personagem Jeca Tatu toma vulto e Lobato publica seu primeiro
livro em São Paulo, intitulado Urupês. Posteriormente
cria a Editora Monteiro Lobato e dissemina livros por todo
o Brasil. Lança, nessa época, bases para a
Indústria Brasileira do Livro. Em 1943, funda a Editora
Brasiliense.
Sua obra é composta por 30 volumes. O Sítio
do Pica-pau Amarelo, povoado de personagens como : Emília,
Visconde de Sabugosa, Pedrinho, Tia Nastácia, Narizinho
etc., já famosos, despertaram encanto nas crianças.
Os anos
que passou nos Estados Unidos (1926-1931) abriram-lhe os
olhos para a redenção do Brasil quanto à
exploração do ferro e do petróleo.
Suas armas sempre foram os livros.
O
batalhador cansado
Desiludido com os adultos, depois de muita luta, principalmente
com o "caso do petróleo", as crianças
foram as que mais alegria lhe deram nos últimos anos.
Cartinhas
dos pequeninos lhe chegavam às mãos diariamente,
vindas de todas as partes do Brasil e da América
Latina.
Seu
sonho era andar em via sacra por outros mundos e conhecer
outras civilizações.
Um dia
antes de sua morte, ele disse, após almoço
realizado em casa de Yan de Almeida Prado, quando um conviva
amigo lhe declarou pretender visitá-lo no dia seguinte:
- Amanhã,
em minha casa ? Oh ! Não pode ser ! Encontrará
apenas um "cadáver"... E acrescentou sorrindo.
"Meu cavalo está cansado, querendo cova, e o
cavaleiro tem muita curiosidade em verificar pessoalmente
se a morte é vírgula, ponto e vírgula
ou ponto final."
Monteiro
Lobato faleceu em São Paulo, no dia 4 de julho de
1948, aos sessenta e seis anos de idade |