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Por
Gonzaga Mota *
As
pesquisas e os indicadores revelam, há algum tempo, que o
maior problema brasileiro é o desemprego, motivado pelo reduzido
crescimento econômico do País, sendo também
o maior responsável pela péssima distribuição
de renda, pelos níveis insuportáveis de violência-urbana
e rural-como também pelos crescentes desajustes políticos,
sociais e éticos , dentre outros pontos . Acreditamos que
a ausência de um planejamento estratégico e a rígida
obediência à cartilha do Fundo Monetário Internacional
(FMI) estão levando a sociedade brasileira para um estado
de depressão.
Em
2003 o Produto Interno Bruto (PIB) decresceu 0,2% e nada evidencia
uma retomada do crescimento no primeiro trimestre do corrente ano.
Enquanto não encontrarmos uma fórmula adequada que
proporcione uma solução justa para o endividamento
interno e externo brasileiro, não conseguiremos alcançar
objetivos satisfatórios. Somente no ano passado, por exemplo,
pagamos de juros cerca de R$ 145,0 bilhões, aproximadamente
10% do PIB, e gastamos com educação cerca de R$ 7,0
bilhões, com saúde R$ 23 bilhões e com infra-estrutura
R$ 5,5 bilhões correspondendo, respectivamente, 0,5%, 1,6%
e 0,4% do PIB, conforme dados do Ministério do Planejamento.
Ademais, analisando-se o período 1995/2003, observamos, ano
a ano, um endividamento crescente. Dessa forma, as relações
Dívida Externa Bruta e Dívida Interna Líquida
do Setor Público como percentagens do PIB passaram respectivamente,
de 22,58% e 30,56% em 1995 para 48,49% e 57,20% em 2003, conforme
dados fornecidos pelo Banco Central.
Por
outro lado, com respeito à taxa de desemprego reiteramos
que a preocupação é significativa. Considerando
somente a região da grande São Paulo, a mais desenvolvida
do Brasil, a referida taxa alcançou em março passado
nível recorde, ou seja, quase 20%, segundo o DIEESE. Por
sua vez, observando as seis maiores regiões metropolitanas
do País, a taxa média de desemprego em janeiro passado
foi da ordem 12%, de acordo com o IBGE.
Este
quadro, conforme falamos acima, vem implicando numa distribuição
de renda extremamente perversa. Segundo dados mais recentes do IPEA,
para o ano de 1999, 1%
(um porcento) dos brasileiros mais ricos detiveram 13,3% da Renda
Total, enquanto os 50% (cinquenta porcento) mais pobres ficaram
com apenas 12,5% da mencionada renda. Parece inacreditável,
mas um milhão e setecentas mil pessoas afortunadas tiveram
mais rendimentos do que oitenta e cinco milhões de brasileiros,
considerando a população total do Brasil, em torno
de cento e setenta milhões de habitantes.
No
passado se dizia que "Ou o Brasil acaba com a saúva
ou a saúva acaba com o Brasil", hoje podemos afirmar
que ou o Brasil acaba com o desemprego ou o desemprego acaba com
o Brasil.
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