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a. Generalidades
Três
foram as causas que, ao romper da república, determinaram
que a bandeira imperial não só se modificasse, como
era de se esperar, mas o fizesse de tal maneira a despertar críticas
violentíssimas de brasileiros ilustres da época, à
saber:
-
A onda anti-imperial que se abateu sobre os últimos anos
do segundo império.
-
A influência do Positivismo, através do apostolado
dos grandes líderes Teixeira Mendes e Miguel Lemos.
-
A fuga positivista a qualquer imitação norte-americana.
1)
A onda anti-imperial
Nos
últimos anos do segundo império, os debates de boca
e as arruaças abertas entre republicanos e monarquistas foram
se tornando cada vez mais freqüentes, aumentando o antagonismo
entre as duas correntes, cada uma defendendo as suas idéias
através da imprensa e debates políticos.
Em
suas manifestações, os monarquistas se irritavam quando
viam entre os republicanos, bandeiras ou panos em verde e amarelo,
considerando aquelas cores como exclusivas do império. Os
republicanos se defendiam, corretamente, afirmando que se tratavam
simplesmente de panos, com as cores nacionais, que também
lhes pertenciam, como brasileiros que eram.
Já
os monarquistas se apegavam tanto a esta bandeira, que não
era possível aos republicanos vencedores não quererem
modificá-la ao máximo. Os mais radicais chegaram a
propor a abolição da bandeira como tal, julgando-a
atributo do regime imperial.
No
final, prevaleceu o bom senso.
No
entanto, não fora aquela onda anti-imperial, teríamos
na república uma bandeira ainda mais próxima da estabelecida
por D Pedro I.
2)
A influência positivista
Para
a Europa, com as suas tradicionais e sólidas organizações
de cultura, o Positivismo comtista foi apenas um sistema filosófico
e a sua ação não saiu desse terreno científico.
Para a América do Sul, ao contrário, o Positivismo
era uma força de ação política e um
movimento de organização social.
Os
positivistas americanos, sobretudo os brasileiros, eram, sem dúvida,
os intérpretes mais exatos e os seguidores mais obedientes
da doutrina de Augusto Comte. Em nenhum lugar, o êxito foi
maior do que no Brasil: a Canaã do Positivismo.
Organizado
ainda no império, atingiu o verdadeiro sucesso por ocasião
da Proclamação da República. Exerceu influencia
nos meios religiosos, agiu como movimento de rua, atuou no Congresso,
teve representantes no governo, impôs fórmulas como
a da Bandeira Nacional.
Apesar
da sua grande influência no início da república,
a única evidente influência positivista é a
legenda Ordem e Progresso.
3)
Fuga ao mimetismo
Nas
próprias palavras de Teixeira Mendes, os positivistas receavam
que o “empirismo democrático fizesse adotar para a
bandeira nacional uma imitação da dos Estados Unidos...”,
queriam “evitar que se instituísse um símbolo
nacional com o duplo inconveniente de fazer crer em uma filiação
que não existe entre os dois povos, e de conduzir a uma imitação
servil daquela república”. E continua: “Era preciso
que não perdêssemos as nossas tradições
latinas e que o pensamento nacional se fixasse sobre a França
como a nação em cujo seio se elaborou a regeneração
humana e de cuja iniciativa depende fatalmente o termo da anarquia
moderna”. Nota-se claramente nessas palavras a forte influência
francesa na sociedade brasileira, exercida inicialmente pelos ideais
da Revolução Francesa, e já no final do século,
pelas idéias positivistas.
Os
positivistas temiam que prevalecesse o sentimento inicial que adotara
a bandeira do Clube Republicano Lopes Trovão, calcada sob
o modelo da norte-americana, assim como ocorreu no primeiro nome
do novo regime – República dos Estados Unidos do Brasil,
proposto por Rui Barbosa.
A
muito custo, os positivistas ainda sofreram com a permanência
das estrelas como símbolos dos estados federados, idéia
original das “Treze Colônias” da América
Inglesa.
b.
O Projeto Teixeira Mendes
O
projeto da nova bandeira republicana foi idealizado por Raimundo
Teixeira Mendes, com a colaboração de Miguel Lemos.
O professor Manuel Pereira Reis, catedrático de astronomia
da Escola Politécnica, deu às estrelas a projeção
desejada. O desenho foi executado por Décio Vilares.
Para
atrair mais simpatia e garantia de aprovação, os dois
líderes do positivismo submeteram o projeto a Benjamin Constant,
inclusive tentando citá-lo como o criador do pavilhão.
Teixeira
Mendes era considerado “o mais belo fruto cultural e moral
do Positivismo e um dos orgulhos do Brasil”, segundo João
Camilo de Oliveira Torres.
Não
é de se admirar também que tenha sido um só
o autor ou o grupo a idealizar o maior símbolo da nacionalidade
brasileira. D Pedro e José Bonifácio com Debret construíram
o pavilhão do império, Francisco Miranda criou a bandeira
da Venezuela, a da Austrália é projeto de um garoto
de 14 anos, vencedor de um concurso realizado em 1901, e tantos
outros.
c.
A luta pela aprovação
Benjamin
Constant achou bom o projeto, julgando que se deveria dar maior
realce ao Cruzeiro do Sul, o que foi feito. Outro homem forte que
apoiava o modelo era Demétrio Ribeiro.
Contra
o projeto estava, entre outros, Quintino Bacaiúva, Santos
Dumont, Osório Duque Estrada, Visconde de Taunay.
Quanto
à posição de Deodoro da Fonseca, há
informações discordantes. Conforme Teixeira Mendes,
“Apresentado (o projeto) ao General Deodoro, disseram-nos
na ocasião que ele o achara o melhor dos símbolos
propostos”. Já Couto de Magalhães afirma: “constou
que o Marechal Deodoro queria a continuação da bandeira
nacional, com a eliminação apenas da coroa. Isso é
o que seria razoável.”
O
fato é que, rejeitando outros projetos, o Chefe do Governo
Provisório aprovou o modelo apresentado pela Igreja Positivista,
emitindo o decreto definitivo, que tomou o Nr 4.
Não
faltaram as críticas dos que julgaram a aprovação
do projeto prematura, impregnada de entusiasmo do momento, que deveria
ser realizado um concurso público ou ser organizada uma comissão
de homens notáveis e competentes.
Era
urgente a aprovação do projeto, pois o tempo conspirava
contra os positivistas. No final, com a aprovação
do Decreto, estava atingido o objetivo e evitou-se um pasticho (cópia
mal feita) da bandeira norte-americana.
d.
O Decreto Nr 4
“O
Governo Provisório da República dos Estados Unidos
do Brasil:
Considerando que as cores da nossa antiga bandeira recordam as lutas
e as vitórias gloriosas do exército e da armada na
defesa da Pátria;
Considerando, pois, que essas cores, independentemente da forma
de governo, simbolizam a perpetuidade e integridade da Pátria
entre as outras nações:
Decreta:
Art
1º - A bandeira adotada pela República mantém
a tradição das antigas cores nacionais – verde
e amarelo – do seguinte modo: um losango amarelo em campo
verde, tendo no meio a esfera celeste azul, atravessada por uma
zona branca, em sentido oblíquo e descendente da direita
para a esquerda, com a legenda – Ordem e Progresso –
e pontuada por vinte e uma estrelas, entre as quais as da constelação
do Cruzeiro, dispostas na sua situação astronômica,
quanto à distância e ao tamanho relativos, representando
os vinte Estados da República e o Município Neutro,
tudo segundo o modelo debuxado no Anexo nº 1.
Art
2º - As Armas Nacionais serão as que se figuram na estampa
anexa, nº 2.
Art
3º - Para os selos e sinetes da República, servirá
de símbolo a esfera celeste, qual se debuxa no centro da
bandeira, tendo em volta as palavras – República dos
Estados Unidos do Brasil.
Art
4º - Ficam revogadas as disposições em contrário.
– Sala das sessões do Governo Provisório, 19
de novembro de 1889, 1º da República.
Assinam
Marechal
Manuel Deodoro da Fonseca, Chefe do Governo Provisório
Quintino Bacaiúva
Aristides da Silveira Lobo
Rui Barbosa
M. Ferraz de Campos Sales
Benjamin Constant Botelho de Magalhães
Eduardo Wandenkolk
A
redação é de Rui Barbosa.
e. As primeiras bandeiras
Durante
algum tempo, os menos exaltados usaram as bandeiras imperiais, sem
a coroa, enquanto não se fabricavam os novos modelos.
Em Lisboa, dois oficiais da marinha brasileira, ignorando a mudança,
arvoraram, a bordo do Alagoas, a bandeira das listras, que já
não era a da nova República, no dia 8 de dezembro.
f.
A “Apreciação Filosófica”
A
pedido de Rui Barbosa, então ministro da Fazenda, Teixeira
Mendes escreveu para o Diário Oficial de 24 de novembro de
1889 uma descrição da bandeira que idealizara. Chamou
o documento de “Apreciação Filosófica”.
g.
Descrição heráldica
A
Bandeira do Brasil não se classifica entre as heráldicas,
por não conter escudo, todavia¸ pode-se dar-lhe uma
descrição, conforme a feita por José Feliciano:
“Em
campo de sinople losango de ouro, carregado no centro de um globo
ou roel azul, com letras de sinople em faixa de prata, ondeando
oblíqua da direita para a esquerda; e 21 estrelas, das quais
cinco formam o Cruzeiro do Sul em pala (a passar no meridiano),
e as mais lhe estão acosteladas, sobrepujando-o ou sobrepujadas
por ele, como em seguida se enumeram:
1º)
Triangularmente se acham três à esquerda e abaixo (esquerda
heráldica e celeste) e uma pequenina, a polar, abaixo;
2º)
Mais à esquerda, oito da constelação de Scorpius
e acima da faixa uma, a Spica Virginis;
3º)
abaixo da faixa e à direita, uma, Procion; outra mais abaixo,
Sirius; e finalmente, mais abaixo, outra, Canopus, todas formando
entre si um ângulo muito obtuso.”
A
bandeira conservou elementos antigos, já presentes no pavilhão
imperial que são: o paralelogramo verde, o losango amarelo
e as estrelas prateadas. Os elementos novos, originais do modelo
Teixeira Mendes são: a esfera azul, e dentro dela a faixa
branca, a legenda e a nova disposição das estrelas,
e, ainda, o losango solto no retângulo, em vez de inscrito,
isto é, tocando as bordas do retângulo.
h.
O retângulo e o losango
Teixeira
Mendes, em sua “Apreciação”, não
se detém em caracterizar o retângulo e o losango, talvez
porque já eram por demais conhecidos através da bandeira
imperial.
Cabe
ressaltar que o losango era o tipo de escudo próprio da mulher.
Dom Pedro I poderia ter escolhido como homenagem a Dona Leopoldina,
sua mulher, ou, em geral, à mulher brasileira, de atuação
tão destacada nos grandes acontecimentos nacionais.
Para
os positivistas de 1889, foi oportuno conservá-lo, para ater-se
à tradição da bandeira imperial e, sobretudo,
para amparar uma das facetas da filosofia de Augusto Comte: o culto
à Mulher, como símbolo da República e, sobretudo,
da Humanidade.
i.
As cores
Aparecem
na bandeira quatro cores: o verde, o amarelo, o azul e o branco,
dois esmaltes e dois metais, sendo válidas todas as observações
já feitas para a bandeira do império.
O
Decreto fala apenas em verde, sem especificação, mas
a tonalidade á a mesma da imperial: o primavera ou verde-esmeralda.
Também
para o amarelo não há especificação.
Continuou o do pavilhão de 1822, com uma diferença:
o decreto de 18 de setembro de 1822 diz: “um quadrilátero
romboidal cor de ouro”; o de 19 de novembro de 1889: “um
losango amarelo”. Ambas descrições aceitas heraldicamente.
O
Decreto fala em “esfera celeste azul”, obrigando, assim,
que o azul seja celeste. O azul da bandeira republicana aproxima-se
mais dos primeiros modelos da bandeirologia lusa, onde o blau predominava.
A esfera, pousando diretamente no amarelo – esmalte sobre
metal -, evitou o inconveniente heráldico da bandeira imperial
em que o azul da orla assentava no verde do fundo do escudo –
esmalte sobre esmalte.
A
legenda “Ordem e Progresso” é em cor verde.
j.
A esfera azul
O
globo azul está relacionado com a tradicional esfera armilar
manuelina. Teixeira Mendes fala em ”por trazer à memória
a esfera armilar”. Miguel Lemos: “se bem que não
existisse na antiga bandeira, tem aí um antecedente, a esfera
armilar conservada desde o tempo colonial”.
Sendo
substituta da peça manuelina, a esfera azul lembra Portugal,
nosso descobridor e colonizador. Lembra também D Manuel,
sob cujo reinado se deu a descoberta.
Do
mesmo modo seria a substituição da esfera que constou
na Bandeira para a Índia e América e na do Principado
do Brasil.
Em
antigos escritos nórdico encontra-se o disco ou o globo(sem
armilas como símbolo do mundo ou da soberania, em pé
de igualdade simbólica com a esfera armilar.
k.
A zona branca
A
zona branca é uma idealização do zodíaco
e, mais particularmente, da eclíptica.
Zodíaco:
faixa da esfera celeste pela qual se movem o Sol, a Lua e os planetas.
É formado por 12 constelações.
Eclíptica:
é a linha central do zodíaco, trajetória do
Sol em seu movimento anual aparente em torno da Terra.
Teixeira
Mendes fala indistintamente em zodíaco e eclíptica,
admitindo-se a troca mútua dos termos.
O
Decreto diz que a zona é posta “em sentido oblíquo
descendente da esquerda para a direita. Não é uma
indicação heráldica; se fosse, a posição
seria inversa, uma vez que a direita em heráldica é
a esquerda do observador e vice-versa.
A
faixa branca dá ao círculo a perspectiva esférica
ao círculo azul e permite a inscrição da legenda
verde Ordem e Progresso.
Além
do simbolismo acima, existem outros três:
-
A representação do rio Amazonas, o nosso “Equador
visível”.
-
Para o Papa Inocêncio III, a zona significaria “A caridade
de Cristo”. Realmente, no pensamento de Comte, a caridade,
o amor, está intrinsecamente ligado à ordem e ao progresso.
-
A zona em diagonal, heraldicamente uma banda, tem mais conotação
civil, por sua ligação com o cavaleiro, do que a faixa,
em situação horizontal, mais representativa dos militares.
A conotação civil do símbolo, usado em escudo
de cavaleiros, diferente da faixa horizontal, representativa do
soldado, eterniza na bandeira o lúcido testemunho do desinteresse
com que agiram os militares de 1889 na passagem do Império
para a República.
l.
A legenda
O
lema completo de Augusto Comte é “o amor por princípio
e a ordem por base, o progresso por fim”. O resumo para Ordem
e progresso foi feito por Miguel Lemos, como, aliás, já
era corrente fazê-lo na França.
m.
O céu
Dentro
da esfera azul o projeto Teixeira Mendes previu a colocação
de vinte e uma estrelas, mostrando o aspecto do céu do Rio
de Janeiro nas primeiras horas da manhã de 15 de novembro,
instantes da Proclamação da República.
Para
manter a relação entre as estrelas foi escolhido o
momento do dia sideral em que o Cruzeiro do Sul está em culminação
superior, na vertical, de pé, próximo ao meridiano
do Rio de Janeiro, local do fato histórico. As estrelas que
estavam às 12 horas próximas do zênite figuram
no centro do círculo azul.
Antecipando-se
a futuras críticas dos cientistas, Teixeira Mendes explicou
em sua “Apreciação” que não se
trata de construir uma carta do céu. Era preciso figurar
o céu idealizado, isto é, compor uma imagem que em
nossa mente evocasse o aspecto do nosso céu, bem como os
sentimentos que a nossa evolução poética tem
ligado a semelhante imagem.
O
globo azul é apresentado como se o víssemos do infinito:
está invertido, como se fosse através de um espelho.
A posição invertida pode ser facilmente verificada
pela observação da estrela “Intrometida”(a
Épsilon) do Cruzeiro do Sul, que, olhada diretamente no céu,
nos aparece sob a estrela Delta, da mesma constelação,
à direita do observador, mas na bandeira encontra-se à
esquerda de quem a contempla.
O
céu substitui a orla estrelar da bandeia imperial.
n. As estrelas
As
estrelas que pertencem à bandeira desde o Decreto Nº
4 são as seguintes:
| Constelação |
Estrelas |
Grandeza |
Estado
|
| Virgem |
Espiga |
1ª |
Pará |
| Cão
Menor |
Prócion |
1ª
|
Amazonas |
| Cão
Maior |
Sírio |
1ª
|
Mato
Grosso |
| Argos |
Canopo |
1ª |
Goiás |
| Cruzeiro
do Sul |
Alfa
|
1ª
|
Minas
Gerais |
| |
Beta
|
2ª |
R. G. do Sul |
| |
Gama |
2ª |
São Paulo |
| |
Delta |
3ª
|
Rio
de Janeiro |
| |
Épsilon |
4ª |
Sergipe |
| Triângulo |
Alfa |
2ª |
Paraná |
| |
Beta |
3ª
|
Paraíba |
| |
Gama |
3ª
|
R.
G. do Norte |
| Escorpião |
Antares |
1ª
|
Bahia |
| |
Beta
|
3ª |
Maranhão |
| |
Épsilon |
2ª
|
Pernambuco |
| |
Lambda |
2ª
|
Piauí |
| |
Kapa
|
3ª
|
Santa
Catarina |
| |
Mü
|
3ª
|
Espírito
Santo |
| |
Teta
|
2ª
|
Ceará |
| |
Iota |
3ª
|
Alagoas |
| Sigma |
Oitante |
4ª
|
Distrito
Federal |
Nota-se
o esforço de escalonar os Estados de acordo com a grandeza
astronômica das estrelas, mas permaneceram grandes desproporções,
invalidando a intenção.
Reprodução do modelo adotado pelo Dec Nr 4 para a
bandeira
Muito poderia ser dito sobre as estrelas, pois todas têm ligações
com a mitologia grega, egípcia e de tantos outros povos da
antiguidade. Cada uma trazendo seu significado específico,
tais como representação de deuses, mau agouro e signos
do zodíaco.
Serão apresentadas abaixo somente as particularidades de
algumas estrelas, pois nenhuma estrela foi escolhida sem algum motivo
específico. Veremos aqui os casos de maior significação
cultural.
1)
Constelação de Virgem - Estrela Espiga
A
presença da Constelação de Virgem reforça
a presença da mulher em nosso pavilhão, que já
se achava representada pelo losango.
A Espiga, precisamente a que foi selecionada para nosso pavilhão,
é símbolo da agricultura, e como tal não poderia
deixar de estar figurada na nossa bandeira.
Fora da doutrina positivista, a constelação é
vista como representante da Virgem-Mãe, “ela nos faz
lembrar Maria Santíssima, a bondosa Mãe de todos os
brasileiros”.
A estrela representa o Estado do Pará e indica, juntamente
com Prócyon (Estado do Amazonas), que o Brasil possui territórios
que se estendem de um a outro hemisfério.
2)
Sigma do Oitante
É
o símbolo do Distrito Federal.
Assim
como as estrelas circumpolares giram ao redor do Sigma do Oitante
(“estrela polar do hemisfério sul”), assim também
os Estados agem politicamente em volta do “Município
Neutro”, hoje Brasília.
Na
astronomia chinesa, os corpos celestes mais importantes eram as
estrelas polar e circumpolares, que não nasciam, nem se punham.
Consideravam a primeira como o imperador dos céus, porque
nunca se movia, ao passo que as circumpolares eram os príncipes,
e as demais estrelas os áulicos e os cortesãos.
3)
O Cruzeiro do Sul
O
Cruzeiro do Sul detém vários simbolismos:
-
a situação geográfica do Rio de Janeiro;
- os nomes primitivos do Brasil (Vera Cruz e Santa Cruz);
- a hora aproximada da Proclamação da República;
- a recordação da Cruz da Ordem Militar de Cristo
e a de Aviz;
- que a maior parte do território brasileiro encontra-se
no hemisfério sul;
- a estilização das quinas portuguesas.
4)
Sirio, Canopus e Argus
Lembra-nos
a civilização egípcia, presente em muitas de
nossas categorias culturais e científicas. A Constelação
de Argus (Navio), representada pela estrela Canopus é nossa
homenagem aos marinheiros portugueses que aqui aportaram e nos fizeram
nação.
n.
As atualizações
A
Assembléia Constituinte, a 31 de maio de 1934, confirmou
“in totum” a bandeira de 1889, que até hoje permanece
inalterada, à exceção do acréscimo de
mais estrelas para indicar o aparecimento de novos Estados da Federação.
Data da atualização |
Constelação |
Estrelas |
Grandeza |
Estado |
| 1960 |
Hidra Fêmea |
Alfard |
2ª |
Guanabara |
| 1962 |
Hidra Fêmea |
Gama |
3ª |
Acre |
1977 Divisão do Estado do Mato Grosso |
Hidra Fêmea |
Alfard |
2ª |
Mato Grosso do Sul substituindo o Est
da Guanabara |
| 1988 |
Cão Maior |
Beta |
2ª |
Amapá |
| 1981 |
Cão Maior |
Gama |
4ª |
Rondônia |
| 1988 |
Cão Maior |
Delta |
2ª |
Roraima |
| 1988 |
Cão Maior |
Epsilon |
2ª |
Tocantins |
A Lei
Nr 5.700 de 1º de setembro de 1971, alterada pela Lei Nr 8.421
de 11 de maio de 1992, atualizou as alterações acima,
conforme consta da figura abaixo.
Desenho
para Bandeira Nacional
As
regras para a feitura da bandeira encontram-se definidas no Art
5º da Lei Nr 5.700/71. O desenho é modular, o que facilita
a sua reprodução e confecção. Para o
cálculo das dimensões, toma-se por base a largura
desejada, dividindo esta em 14 partes iguais. Cada uma das partes
será considerada uma medida ou módulo.
O comprimento da bandeira será de 20 módulos.

Observação:
no desenho oficial da bandeira não existe a faixa branca
vertical no lado mais próximo do mastro. Este tem sido um
erro de confecção muito freqüente. |