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Autor Desconhecido
- Pedi ao jovem:- “Dá-me uma palavra imortal”
- “Vida!”
Respondeu-me exultante. “A vida
é a fonte de todas as inspirações,
alegrias e belezas”. Depois refletindo: - “E
de muitas magoas também”.
Perguntei ao poeta:
- “Na tua linguagem,
existe uma palavra imortal?”
- “Amor!
Que seria
da vida do homem e da poesia sem o amor? O amor é
a divina embriaguez de todos os sentidos”. Refletiu
um momento: - “Mas muitas vezes é uma embriaguez
que tortura e mata”.
- Mestre, conheces uma palavra imortal?
- “Luz!
Ela ilumina os céus, a vida, o amor.
Quando o Senhor resolveu criar o mundo, criou, inicialmente
a luz! Ela é bela e festiva” Refletiu e ajuntou
com tristeza: - “Mas como foi cruel ao fugir dos olhos
de minha filha...”
Dirigi-me ao velho filósofo.
Respondeu-me
num ímpeto:
- “Morte!
A morte é a paz!
Tão grande é a sua grandeza que ela encerra
os mistérios dessa e da outra vida. A morte é
a grande porta para a eternidade”. Olhou para um velho
retrato que pendia da amarelada parede: - “Mas como
foi desumana”.
Perguntei
ao sacerdote:
- “Deus!
Somente Deus é imortal.
Tudo passa menos Ele. É o princípio e o fim.
Deus é pai que ama e perdoa. Dele nos vem a vida,
o amor, a luz, a morte. Deus é lenitivo para as dores
humanas. Mãos que semeiam bênçãos.
Uma mísera criatura se ajoelhou chorando a morte
de um filho. Li em seus lábios mudos: - “Mas
às vezes desampara e castiga”...
Falei a uma mulher, uma mulher feliz, cujo
coração devia andar nas nuvens.
- “Uma
palavra imortal? “ - “Céu!
O céu
é infinito e bom. Ele é o caminho dos nossos
sonhos, a estrada azul das nossas esperanças! Que
seria do amor, da vida, da morte e como se compreenderia
Deus se não existisse céu?” - “Seus
olhos desceram um instante das nuvens: - “Mas, às
vezes, fica tão longe das nossas mãos”...
Na cela, envolto em trevas e em silêncio,
uma treva e um silêncio que vinham lá de dentro
daquele coração, que cometera na vida, toda
sorte de maldade, lá estava um homem condenado à
morte. Um assassino frio, indomável, cínico.
Jamais conhecera o amor. A vida lhe fora má. A luz
lhe fugira sempre. Deus o castigara e agora, ali esperava
a morte. “Responde-me conheces uma palavra imortal?
Que seja bela como a vida, doce como o amor, resplandecente
como a luz, amena como o céu e que em sua grandeza
de alma nos acompanhe além da morte e até
diante de Deus? Uma palavra que seja alegria sem mágoa,
amor sem sofrimento, luz sem trevas, paz sem esquecimento,
mão que não desampara nem castiga, céu
que está sempre perto de nossos corações,
que sempre ama, sempre se sacrifica, que sempre perdoa...
O homem condenado à morte, cujo olhar era duro, cujo
rosto era cínico, cujo ódio era imenso, pareceu
humanizar-se de súbito e lançando-se em angustioso
pranto: - “Mãe! Minha Mãe”, |