|
.
Divalte Garcia Figueira ( * )
A monarquia constitucional
(1791-1792)
Ao
concluir a Constituição, os membros da Assembléia
deram seu trabalho por encerrado e a dissolveram em 30 de
setembro de 1791. Ficou estabelecido que os novos deputados
seriam eleitos pelo voto censitário (segundo a renda
de cada um) e constituiriam a Assembléia Legislativa.
O poder executivo ficou nas mãos do rei, responsável
pela nomeação dos ministros. O terceiro poder
- o judiciário - foi formado por juízes eleitos.
Na
Assembléia Legislativa, os grupos políticos
ficaram assim posicionados: do lado direito da Assembléia,
sentavam-se os girondinos, políticos moderados
que defendiam o respeito à Constituição;
do lado esquerdo. ficavam os deputados mais radicais,
que lutavam pela implantação da República
e queriam limitar o poder real, caso dos jacobinos
(liderados por Maximilien Robespierre) e dos cordeliers
(liderados por Georges Danton e Jean-Paul Marat); e
entre esses dois grupos, sentavam-se os centristas, políticos
de pouca expressividade, ainda sem posição
definida.
Jacobinos,
girondinos... De onde vieram esses nomes?
Os nomes estranhos dos grupos que ocupavam a Assembléia
Legislativa se originaram de antigos conventos abandonados
desde a decretação da Constituição
Civil do Clero. Nesses conventos funcionavam os clubes onde
se reuniam os políticos. O mais antigo deles era
o clube dos jacobinos, do qual Robespierre fazia parte.
Quando os jacobinos começaram a lutar pelo fim da
monarquia, os mais moderados se afastaram.
O
Termo girondino, por sua vez, era aplicado inicialmente
aos deputados eleitos pela província de Gironda,
localizada no sul da França. Depois, a palavra passou
a ser empregada para designar um grupo político mais
amplo, que incluía a burguesia.
Vários
problemas, entretanto, já ameaçavam a estabilidade
do novo governo. Em certas regiões, o clero insuflava
os camponeses contra a revolução. Em paris,
o rei e a rainha conspiravam contra o movimento, mantendo
contatos com os nobres que haviam deixado o país.
Em
abril de 1792, o governo francês, receando que os
exilados organizassem a contra-revolução,
declarou guerra à Áustria e à Prússia,
países que abrigavam a maioria desses refugiados.
Os austríacos, com o apoio da Prússia, partiram
para a invasão da França. A Assembléia
Legislativa, então, convocou todos os franceses a
pegar em armas e defender o país.
A
partir desse momento, as ações revolucionárias
tornaram-se mais radicais. Luís XVI, suspeito de
traição por colaborar com os invasores na
guerra, teve seus poderes suspensos pela Assembléia.
Foi convocada a eleição para uma nova assembléia,
que adotou o nome de Convenção - dessa vez,
os deputados foram eleitos por sufrágio universal
masculino, isto é, sem exigência de renda.
3.
A época do Terror
A Convenção tomou posse no mesmo dia em que
os franceses venceram os exércitos austríaco
e prussiano e detiveram a invasão do território.
Seu primeiro ato foi a proclamação da República,
seguido da adoção de um novo calendário
e de uma nova contagem do tempo: o ano de 1792 passava a
ser considerado o Ano I. Com isso, os revolucionários
queriam marcar o início de um novo tempo, diferente
daquele do passado.
Os
partidos se reorganizaram. A direita continuava sendo representada
pelos girondinos, um partido então mais conservador
e identificado com os interesses da burguesia mais rica,
ligada ao comércio colonial. A esquerda seguia reunindo
os jacobinos e outros grupos políticos radicais,
representando a pequena a pequena burguesia e os sans-culottes
- pessoas do povo que usavam calças compridas em
vez dos calções até o joelho, utilizados
pelos ricos. Durante a revolução, o termo
sans-culottes passou a designar as pessoas das
camadas populares. Ambas as tendências eram republicanas
e revolucionárias, mas os jacobinos pregavam a radicalização
e queriam aprofundar as mudanças revolucionárias.
Seu principal líder era Robespierre.
Confirmadas
as suspeitas de traição de Luís XVI,
ele foi condenado à morte e guilhotinado em janeiro
de 1793. Sua execução só fez aumentar
a oposição interna e externa ao regime revolucionário
e levou à formação da Primeira Coalizão
contra a França, na qual Áustria, Prússia,
Inglaterra, Rússia, Espanha e Portugal investiam
contra a revolução. Diante de tantas dificuldades,
a Convenção teve de tomar medidas mais duras.
Convocou a população para a defesa do país
e instituiu a Lei dos Suspeitos, pela qual qualquer pessoa
denunciada como contra-revolucionária podia ser condenada
à morte. A cada dia aumentavam as divergências
entre girondinos e jacobinos sobre o encaminhamento da revolução.
Em junho de 1793, os jacobinos, o grupo mais forte da Convenção,
fizeram uma demonstração de força:
com o apoio de aproximadamente 80 mil homens e sessenta
canhões, obrigaram a Convenção a decretar
a prisão dos principais líderes girondinos.
A partir desse momento, os jacobinos instalaram a ditadura
na França e estabeleceram o regime do Terror. À
frente desse movimento estava o jacobino Robespierre, apelidado
de o incorruptível, que levava ao extremo
os ideais democráticos de Rousseau. Para se fortalecer,
o governo da Convenção reuniu um grupo de
ferrenhos defensores da revolução e formou
o Comitê de Salvação Pública,
que tinha como atribuições cuidar da administração
do país e promover a defesa externa.
Após
se voltar contra os girondinos, Robespierre perseguiu ou
mais exaltados e os políticos moderados, como o ex-aliado
Danton, condenado por ele à morte na guilhotina.
Com essa política radical, Robespierre acabou perdendo
o apoio de setores importantes para manter seu poder. Em
julho de 1794, foi destituído e, a exemplo de muitos
de seus adversários, também morreu na guilhotina,
O terror ameaçava tantas pessoas que não foi
difícil se formar uma aliança dos oposicionistas
ao regime. Logo em seguida, os girondinos voltaram ao poder
e deram início à Reação Termidoriana,
como ficou conhecida a perseguição aos jacobinos.
O retorno dos girondinos significava a retomada de um caráter
mais moderado no processo revolucionário. Em 1795,
a Convenção finalmente concluiu a nova Constituição,
conhecida como a Constituição do Ano III,
por ser o terceiro ano no novo calendário criado
pela Revolução.
4.
O Diretório (1795-1799)
Com a nova Constituição, o país passou
a ser governado pelo Diretório, controlado pelos
girondinos. Entre os principais acontecimentos dessa fase,
destacam-se: a eliminação de muitas das medidas
aprovadas no tempo da Convenção, como o sufrágio
universal masculino; a continuidade da guerra contra diversos
países, liderados pela Inglaterra; e o agravamento
da crise interna, em virtude da desorganização
da economia, da inflação e da corrupção
por parte de setores do governo. Em meio a essa crise generalizada,
os líderes burgueses recorreram Napoleão Bonaparte,
na época um general de prestígio. Apoiado
pelo exército e pela burguesia, Bonaparte deu um
golpe de Estado contra o Diretório e assumiu o poder.
Esse fato, conhecido como o Golpe do 18 de Brumário
de 1799, assinala o início de uma nova etapa da Revolução
Francesa, na qual seus princípios se expandiriam
por toda a Europa e várias regiões do mundo.
|