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Ricardo
Bergamini
09 de abril de 2003
Quesnay (1694 -1778) - Médico da Pompadour, na corte de Luís
XIV, sustentou que Deus estabelecera leis naturais e perfeitas,
reguladoras da economia. Por isso, as atividades econômicas
deviam ter plena liberdade. Seu lema era: “não governar
nem regulamentar demais”. Considerava que a única e
verdadeira fonte da riqueza era a terra. Portanto, as únicas
atividades criadoras de riqueza eram a agricultura e a mineração.
Gournay (1712 -1759). – Comerciante, foi discípulo
de Quesnay. Sustentou as teorias do seu mestre, mas acrescentou
que, além da terra, existia outra importante fonte de riqueza:
a indústria. Também apregoou um regime de liberdade
para a indústria e o comércio - concepção
que sintetizava na fórmula “laissez faire, laissez
passer”.
O liberalismo econômico.
As idéias dos fisiocratas difundiram-se rapidamente por toda
a Europa, tornaram-se populares e foram adotadas em alguns países,
pelo “despotismo esclarecido”. Quesnay e Gournay tiveram
muitos discípulos. Dentre eles, destaca-se o escocês
Adam Smith.
Adam Smith (1723 – 1790) – Professor na Universidade
de Edimburgo, superou seus mestres e lançou as bases científicas
da moderna economia política. Expôs suas doutrinas
na obra “Investigação sobre a natureza e as
causas da riqueza das nações” (1776), denominada
em geral abreviadamente, “Riqueza das Nações”:
- a única e verdadeira fonte da riqueza é o trabalho,
que deve ser efetuado com absoluta liberdade;
- os metais preciosos acumulados são um índice, não
representam a riqueza em si;
- a divisão do trabalho é fator essencial do progresso
humano;
- o valor baseia-se na lei da oferta e da procura;
- são igualmente importantes a agricultura, a pecuária,
a indústria e o comércio;
- a indústria e o comércio, assim como as competições
comerciais, devem ser inteiramente livres;
A riqueza provém dos recursos naturais e da inteligência
da atividade humana, que transforma esses recursos em coisas úteis.
Para Adam Smith, a riqueza de um povo consiste, não nas suas
reservas de ouro e prata, mas na sua produção. Povo
rico é aquele que mais produz.
Estas teorias difundiram-se no continente, sobretudo na França,
e encareceram a necessidade de modificações radicais
na política econômica.
As doutrinas de Adam Smith exerceram influência rápida
e intensa. À lúcida eloqüência do autor
da “Riqueza das Nações” acrescentava-se
a especial receptividade do ambiente, um terreno já preparado.
A teoria do liberalismo econômico ia ao encontro dos interesses
e dos anelos da indústria e do comércio, que ansiavam
por destruir os restos feudais no campo econômico: monopólios
comerciais e restrições no mercado do trabalho e da
produção.
A burguesia – comerciantes, industriais e financistas –
obteve uma doutrina justificativa para a livre competição
e os lucros ilimitados nos negócios. Ao mesmo tempo nascia
uma nova ciência, de magna importância: a Economia Política.
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