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AINDA É HORA ? ? ?
 

 

 

Assunto

AINDA É HORA ? ? ?

De

Pedro Moacyr Campos

Para

samauma@samauma.biz

Enviados

sábado, 4 de junho de 2011 05:19

 

 

 

sábado, 4 de junho de 2011
Pedro Moacyr Mendes de Campos pedrommcampos@gmail.com
Florianópolis, SC

 

 

AINDA É HORA DE ENFRENTAR DESAFIOS

Pedro Moacyr Mendes de Campos

Florianópolis, julho de 1985

 

“Minha escola não é uma gaiola fechada onde os espíritos vivos são artificialmente nutridos, mas a casa aberta onde professores e alunos são uma coisa só. Juntos, eles vivem uma vida completa, dominada por um mesmo ideal de verdade e a necessidade de repartir as maravilhas do conhecimento”.
R. Tagore

 

A satisfação, o orgulho, a solidariedade eloqüente através de manifestações as mais diversas, deixam o que pensar quando citados nomes de personagens, que ativamente participaram da história da humanidade, em particular do Brasil. Não apenas como cidadãos, mas principalmente como cidadãos, úteis e dedicados, que sempre procuraram, através de suas atividades fortalecer as Colunas da Instituiçao Maçônica.

A citação é sempre muito simples, fácil, descomprometida. Entretanto esses homens, transfigurados ao prazer da eloqüência oratória, em nada se aproximam da real necessidade, de pelo menos um alerta diante da apocalíptica realidade, pela qual hoje atravessamos. É uma realidade, carregada de perversidade, imoralidade, corrupção e anti-patriotismo, que aviltam nossa dignidade e nossa cidadania; seviciam nossa honra, procurando deteriorar nossa Pátria, nossa família, o próprio ser. Nossos jovens abandonados à própria sorte, chamam uma flor de “esse troço” simplesmente. A inversão de valores, expressa sua necessidade de predominância pela preservação impiedosa desse maldito estado de coisas, impondo sua vontade contra o verdadeiro significado de Pátria e de Família.

Por falta de informação, nossos jovens não têm conhecimento de nossa história pois nossos bens, nossa terra e nosso espaço simplesmente não caíram do céu. É necessária a conscientização de que foram gerações que lutaram, foram homens que se sacrificaram, foram mulheres que exacerbaram todo seu potencial em benefício de um futuro que nem sequer chegaram a conhecer. Mas com fé, amor e dedicação por um ideal cheio de sobriedade, com a certeza do triunfo da fraternidade, da igualdade e da fraternidade, esses homens e essas mulheres alimentavam suas forças em benefício de nosso patrimônio cultural, espiritual e material.

A imprensa escrita, falada e televisada, com requinte de crueldade, transformam seu palco de comunicação em banquetes dantescos carregados de informações enganosas, opressoras, violentas e imorais, conduzindo “disciplinarmente” a sociedade ao caos absoluto, subjugando a tudo e a todos, em benefício do desconhecido dragão possessivo, ao qual tudo justifica ao fim que se propõe. E esta imprensa encontra o sucesso, não na causa, na notícia, mas sim nas conseqüências como exploração da individualidade, do patrimônio familiar, na degradação do sentimento, do amor, da dignidade. Sabem explorar a indústria do sexo infantil, do contrabando de mulheres, do desgraçado pelo vício das drogas sem levar em conta aqueles que gozam seus vícios. O vilão é inocente, o que cede é o pecador.

Aos poderosos, tudo não passa de uma mesa de jogos, onde a insensibilidade natural é evidente. O importante é apostar, apostar cada vez mais, ganhar cada vez mais e perder cada vez menos. A sociedade subjugada, participa da mesa como fichas jogadas ao acaso da sorte, desviadas aleatoriamente conforme o capricho e necessidade do apostador que, blefando, manipula os índices e as informações, sustentando uma postura de bom administrador ou legislador. E esta autoridade manipuladora das leis vigentes, subjuga o cidadão e a sociedade em seus direitos e obrigações, porque, a esta dita autoridade, foi outorgado um direito tal, que lhes é assegurado a intocabilidade e, o que é mais agravante, o poder de legislar em causa própria. E imunes, são idolatrados e invioláveis seus direitos de ir e vir da forma que lhes convier, pois a capacidade de escoimar e corrigir um erro, corruptível ou não, lhes é pertinente ao direito de sua própria conveniência.

As iniciativas espontâneas, o surgimento de ONGs, entidades e instituições restritas a áreas de domínio exclusivo, entendem como altruísmo beneficente, arregimentar jovens excluídos, que aprendem a pintar, dançar, cantar, desenvolver qualificações pessoais, ao artesanato, etc. Mas pergunta-se, e depois? Que perspectiva de vida, tais atividades apresentam aos olhos desses jovens? Sabemos que nenhuma, apenas um paliativo que se sobrepõe à amargura de um destino cruel, pois os próprios privilegiados universitários amarguram-se frente a expectativas indefinidas, pois os processos de desenvolvimento aglutinam-se apenas ao lucro desmedido onde o fim, este fim, o lucro, justifica qualquer meio a ser empregado.

A punição, o chamamento à ordem e à disciplina, somente lhes diz respeito se, e somente se instaurada uma “CPI” a qual, mesmo para sobreviver, é necessário um sem número de condições que vão desde o absurdo até as profundezas da mesquinharia, da mediocridade e da hipocrisia. Os projetos, num deslumbrante cenário de instabilidade social e econômica, tudo ou nada alem da zona de marketing num país de incertezas e falsas esperanças

E os opostos se atraem de tal forma, que a corrupção atingiu o patamar interessante e desejado, isto é, ou há falta de provas ou há provas em excesso, consignando ao poder público a propriedade de absoluta incompetência ou confessar sua óbvia participação nos atos ilícitos. E como conseqüência, as “vítimas” dessas CPIs transformam-se em heróis, em vítimas, destacando-se como intrépidos lutadores por uma causa maior, a impunidade. Não há outra alternativa e o povo boquiaberto, fica olhando sem quase nada entender. Uns tentando dar uma ou outra explicação, outros em roda de praça pública, muitas vezes tentando justificar o injustificável, muito menos explicar àquela criança que, como por instinto, ao chegar na cidade logo pergunta se aquela casa grande e bonita é a do prefeito ou do juiz.

Enquanto isso, a própria estrutura organizacional sofre transformações bem orientadas e dirigidas a interesses escusos, com total inversão dos valores do comportamento social, transformando, solidariamente a carreira política em profissão. Uma condição social pretendida e invejada, pela facilidade de manipulação e transformação de nossas normas de comportamento em simples regras desse jogo beneficente a quem do pretendido direito. Não há critério ou bom senso.

A igualdade somente existe a partir do momento em que a troca lhes é conveniente; a fraternidade, quando a proteção mútua é uma necessidade; a liberdade, quando seus caminhos são protegidos pelo interesse comum. Apenas a corrida em busca de seu pote de ouro e ao seu bem estar são importantes. E falar-se em comunismo ou socialismo, é o mesmo que sentir-se na obrigatoriedade de uma retratação pública, por entender-se subversão, sublevando das massas contra essa ordem democrática instaurada.

Nossa Carta Magna fragmenta-se a cada dia, diluindo os bens e os direitos do cidadão, transformando-os em obrigações regiamente incorporados à necessidade de manutenção de um regime, onde o assalariado diferencia-se do homem feudal apenas pelos meios existentes. O aumento sucessivo de impostos, juros, etc. é sempre uma constante para preservação e manutenção de uma classe privilegiada, cujos direitos são outorgados pela própria necessidade de um sistema omisso e conivente das reais necessidades de um povo que adquire sua cidadania de acordo com uma condição jurídica, submetendo-se à autoridade e não à lei vigente.

Os insucessos e fracassos administrativos e políticos, principalmente nas áreas jurídicas são uma constante. O descrédito ao político, uma realidade crescente provocada pelo desmando, pela falta de planejamento, pela incompetência e total falta de eficiência e eficácia de nossos poderes constituídos. Um quadro lamentável, triste, quando sabemos que em todo esse emaranhado grupo de administradores e legisladores, ainda há um número significativo de homens que se autoqualificam como livres e de bons costumes. Intitulam-se irmãos, justos e perfeitos, glorificados por uma filosofia, pelo conhecimento e pela luta em busca da verdade.

Os meios de comunicação aprazem-se deste verdadeiro show de lavandeirismo entre esses poderosos senhores, disputando cargos e lideranças partidárias. Apenas quem é quem, é o que interessa; quem é o mais colunável, o que está mais em evidência nos meios de comunicação. Pergunto então, a participação da Ordem Maçônica na sociedade, dignificando a verdadeira maçonaria operativa, é uma realidade? Sabemos que não é, aliás, desde a década de 30 vivemos em berço de esplêndido caudatarismo. Parecemos mais um daqueles grupos pensantes, incrustados na pedra testando a cada dia a salinidade das ondas, meditando, pensando, aguardando dias melhores, no absoluto estado de alienação política e social.

Deflagrou-se uma verdadeira avalanche de denúncias de corrupção sobre nossos representantes, tornando público, de forma cada vez mais agravante, o impressionante grau de vergonha pelo qual passa nosso país. Extrapolam qualquer limite de imaginação ou capacidade de raciocínio do homem público em poder avaliar o grau de criminalidade contra a Nação. Um verdadeiro genocídio político onde é imperdoável a indiferença de uma instituição como a maçonaria, da qual não se tem notícia até o dia de hoje de qualquer pronunciamento a respeito, limitando-se a pronunciamentos através de promessas de folder de campanha ou manchetes de outdoor.

Assumimos o desafio, um compromisso, no qual está definido, de forma clara e objetiva, nossos princípios e objetivos entretanto, nosso silêncio agrava-se a cada dia. Nossa postura está em perfeita sincronia com a conivência, omissão e comodismo. Um desacreditado grupo que nega sua pretensiosa harmonização com seus reais e pretendidos objetivos, honrados com solene juramento, onde o compromisso para com a Pátria foi evidenciado com um pacto de honra. Pacto esse em função de conveniências impostas, muitas vezes pela negligência, outras vezes pela humilhante submissão aos ditames da Grande Loja de Inglaterra, o que é um a vergonha para a maçonaria brasileira comprometendo sua real e necessária autenticidade. Isto não é justo e muito menos perfeito.

Assumimos o desafio, o dever e, por que não, até mesmo a obrigação de nos manifestar a respeito do que está acontecendo, pois ainda é hora de enfrentar o maior desafio, ou seja a conscientização de que estamos sendo destruídos, dizimados a serviço do evidente crescimento de uma nova ordem mundial pretendida ao domínio absoluto. A omissão a esta situação, é negarmos um lugar à mesa, a não ser nos sujeitarmos às migalhas disputadas com os cães que ladram famintos. Na verdade, sentados no meio fio vendo a banda passar tocando o hino apocalíptico dessa nova ordem, já perceptível em progresso devastador. Amedrontam, atemorizam com saques ao credo, de tal forma violento, que não se sabe mais distinguir quem pratica o terrorismo, quem são as vítimas, quem são assassinos, pois de ambos os lados, a ousadia excede em perversidade.

Talvez, essas palavras sejam um grito no deserto, uma chicotada no mar, pouco importa. O fato é que não podemos ser daquele tipo hipócrita otimista, que afirma ser isso apenas uma fase histórica, ou aquele fracassado pessimista que encontra a solução na violência.

Mas, ainda é tempo de se enfrentar desafios.

Será mesmo?

Creio que sim!

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