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Como explicar a presença de budistas na Ordem, já que para ser maçom, é condição essencial à crença num Ser Supremo Criador de todos os mundos e para o budista, não existe um Deus criador?
A resposta é do Irmão José Castellani:
“Na realidade, o conceito de GADU. como entendemos na Maçonaria, não existe no budismo, para o qual não há princípio nem fim, ao contrário do hinduísmo e do bramanismo (forma mais requintada do hinduísmo), que são as mais antigas religiões da Índia e originárias da religião védica.
A criação do mundo, segundo o RIG-VEDA, texto máximo do hinduísmo, apresenta extraordinária semelhança com os textos equivalentes, gerados por diversos povos da Antigüidade, inclusive com os da Bíblia, o que demonstra que esta representou um amálgama das crenças religiosas da Antigüidade, meramente incrementando a tendência monoteísta já vislumbrada nas antigas religiões.
O próprio hinduísmo, embora admitindo a existência de diversos deuses acaba assimilando uma certa tendência monoteísta, ao eleger o seu primeiro grande deus, do qual surgiram todos os outros; esse deus primordial é Brahma, que, com Vishnu e Siva, forma a grande tríade do hinduísmo (Trimúrti), concepção que é encontrada em diversas religiões, inclusive no cristianismo.
Apesar desta atitude do budismo, ele reconhece a divindade, não como concepção de ’arquiteto’, mas admitida como aperfeiçoador”. Os ensinamentos do budismo endossam muitos dos aspectos do hinduísmo, criticando, porém, alguns de seus preceitos.
Em embargo disso, todavia aceita, como fundamental a transmigração da alma em outros corpos e a lei do karma, força moral, ou lei cósmica misteriosa, a qual é definida como a total conseqüência ética das ações individuais, estabelecendo o destino de cada um, nas existências futuras, até chegar ao Nirvana, o bem-aventurado de vazio total, onde a libertação completa dispensa novas encarnações.
O caminho para se chegar a isso é dado pelas Quatro Verdades Nobres e pela Senda das Oito Trilhas. As Quatro Verdades Nobres são:
I - È necessário reconhecer que a dor é universal, ou, em outras palavras, que a vida humana é feita de angústia e sofrimento.
II - A causa da dor e do sofrimento reside no desejo de coisas que não podem satisfazer ao espírito.
III - A dor tem remédio, ou seja, o sofrimento pode ter fim.
IV - O sofrimento só é extinto quando o Homem renuncia a esses desejos; já que a raiz destes tem origem na ignorância, a sabedoria é o melhor caminho para dominar o sofrimento e a dor.
A Senda das Oito Trilhas é composta de:
I - Pureza de fé.
II - Opiniões exatas.
III - Palavras verdadeiras.
IV - Procedimento correto.
V - Vida regrada.
VI - Boas aspirações.
VII - Pensamentos certos.
VIII - Meditação e contemplação virtuosa.
Além disso, há, no budismo, um profundo respeito por todas as criaturas vivas, fazendo com que os adeptos da doutrina considerem como obrigação fundamental dos seres humanos, viverem em paz, harmonia e fraternidade com seus semelhantes. Esse espírito pacifista tem origem num ensinamento de Buda:
“O ódio não termina com o ódio, mas com amor”.
Quem poderá afirmar que todos esses ensinamentos morais e éticos não coincidem totalmente com a doutrina maçônica?
E será lícito impedir um budista de ser maçom, quando ele professa tal filosofia de vida?
Será ético impedir o seu ingresso, quando, muitas vezes, ele tem maior valor moral do que muitos maçons que vivem batendo no peito e proclamando um teísmo mais hipócrita do que sincero, na medida em que traem os ensinamentos de todas as doutrinas lastradas no teísmo? |