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Educação - A arte de enganar um povo inteiro

 


 


29/12/2010
Jorge Roberto Pereira
Presidente do FDR

 

 

“Ai daqueles que ao mal chamam de bem,
e ao bem de mal,
que mudam as trevas em luz e
a luz em trevas” Is. 5:20

 

 

Propositadamente mantive por longos períodos os dois editoriais imediatamente anteriores, da escritora Lya Luft e do professor Igor Wildmann, ambos sobre a tragédia anunciada da Educação no país, com o objetivo de despertar a inquietude dos leitores.

A manipulação das conclusões de resultados estatísticos pelo establishment pedagógico, universitário e governamental, aliada à incapacidade geral de interpretação de dados, pela sociedade, faz com que a nação seja arrastada a cabresto, sempre pelos mesmos responsáveis pelo desastre, incapaz de reagir.

Haja vista a recondução do Sr. Fernando Hadad à função que, após quase seis anos de gestão, não conseguiu apresentar qualquer resultado com evidências de avanço cientificamente comprovadas, apesar do que é alardeado por órgãos e institutos aliados ao governo.

O fato relevante, para quem analisa criteriosamente os resultados de testes internacionais, é que o desempenho dos estudantes brasileiros mantém os índices que medem a qualidade da educação no Brasil entre os últimos dos sessenta e cinco países cujos desempenhos educacionais foram comparados na edição 2009 do PISA.

Ainda para quem consegue entender sem nos estendermos longamente nas explicações, é importante enfatizar que as proficiências médias no SAEB são hoje, ou foram em 2009, inferiores às de 1995, apesar de todos os investimentos realizados nos fatores que a intelligentzia educacional brasileira diz serem associados ao incremento da qualidade educacional. Erraram e continuam errando em seus diagnósticos. Ou será que acertaram no que queriam?

Como empresário, pergunto quem, dentre nós, seria insensato bastante para manter no cargo um gerente que por tanto tempo só fez gastar uma montanha de dinheiro para colher fruto algum. Em qualquer empresa bem sucedida, cairia o gerente, toda a equipe que com ele trabalha e quem compartilha tais idéias.

Manter o status quo, só mesmo se os recursos caíssem do céu e pelo jeito, para um governo desgarrado da nossa realidade e apegado à sua própria, parecem que caem.

Mas somos nós, cidadãos brasileiros, que pagamos a conta. Conta amarga, pesada, que reduz a nada as perspectivas de futuro das gerações que se apresentam ao mercado de trabalho e das que se preparam para o descanso da aposentadoria ameaçada de extinção.

Façam as contas: a taxa de fecundidade do Brasil entrou em declínio acentuado, passando de 5,8 filhos por família em 1970 para 1,9 filhos por mulher em 2009. Concretamente, isso quer dizer que não conseguiremos repor a população na velocidade necessária para termos uma parcela maior da sociedade em atividade produtiva, pagando seus carnês de INSS para manter o sistema de aposentadoria.

Pode ser pior? Pode sim. E é. Há duas semanas um noticiário noturno de TV alarmava os ouvintes com a seguinte informação: sessenta milhões de brasileiros com mais de 15 anos abandonaram a escola e não concluíram os estudos. Repito o número mencionado pela emissora: SESSENTA MILHÕES!

Numa população de 195 milhões de habitantes, me pergunto se sobrou alguém qualificado. Onde está o futuro desta gente? Onde está o futuro do país? Vamos pagar bolsa família, bolsa drogado, bolsa presidiário e todo o aparato assistencialista a uma nação de indigentes? Com que recursos? Dos impostos? Que serão cobrados de quem? Desses sessenta milhões? Que esperanças podemos ter, ao vermos um terço da sociedade brasileira desistindo da própria vida?

Após mais de três décadas de insistência num projeto fracassado de educação, a mentalidade revolucionária que inspira os políticos e governantes desde meados da década de 80 finge ignorar que em nenhum outro país do mundo a abordagem sócio-construtivista, hegemônica entre nós, foi bem sucedida. São lindas as propagandas do “método” Paulo Freire, a oferta da Plataforma Freire on-line para “capacitar” professores e tantos outros recursos para ensinar a criança a se tornar um cidadão crítico ao invés de um estudante de bom desempenho.

Apenas fingem. Na intimidade cínica de suas atitudes mais concretas é justamente este fracasso o resultado que perseguem e se propõem realizar. Enquanto a nação amarga o desconforto dos maus desempenhos, o governo revolucionário comemora o sucesso de seus propósitos alcançados.

Na indignação, acerta a escritora Lya Luft, nos seus dois últimos parágrafos, ao perceber que um povo educado não aceita o que está acontecendo e vota diferente. É exatamente isso que querem evitar os líderes políticos.

Acerta o professor Igor Wildmann, ao demonstrar toda a sua repulsa e indignação ao estado de coisas que a Educação se transformou no Brasil e lança aos culpados a carga de sua revolta. Por estranho que possa parecer, é com esta desvalorização do ser humano, na desagregação de suas famílias, no enfraquecimento da sociedade que se fortalece o sistema socialista que assim se manterá no poder.

Os empresários, que oferecem oportunidades de emprego não encontram, na sociedade, potencial humano para enfrentar os desafios saudáveis de uma vida de trabalho e dignidade. Mais uma vez, as emissoras de TV e a mídia comentam e comemoram – como se fosse vantagem – que o Brasil passou de exportador de mão-de-obra a importador, trazendo de fora os talentos que não encontra mais entre os nossos estudantes. Triste vantagem essa.

E os mesmos empresários, incapazes de detectar onde está a base de erro disso tudo, continuam a alimentar o sistema que os destrói e impede de desenvolver, contribuindo com polpudas verbas de campanha para seus algozes e, para disfarçar ou amenizar a dor de suas próprias consciências, se aliam a um movimento que nunca gerou absolutamente nada de positivo e concreto para o que se propôs, o “Todos pela Educação”.

Enquanto isso, com a Educação “dominada”, a mentalidade revolucionária cerra fogo sobre diversos outros objetivos que visam a destruição da cultura ocidental cristã, como mais uma tentativa de aprovação do PL122, contra a homofobia, uma ameaça à liberdade do pensamento civilizador.

Enquanto os brasileiros teimarem em acreditar que vivemos uma democracia, permitindo florescer a mentalidade revolucionária socialista, não deixaremos de ter entre nós o lixo humano descrito por Lya Luft, uma sociedade conivente com a barbárie.