Samaúma
 

 

 

 

 

 

 

ok

 

 

 

* JOSÉ MAURÍCIO GUIMARÃES
Bacharel em Direito pela Universidade Federal de M.G. e Professor.
Membro da Loja Inconfidência nº 47 jurisdicionada à Grande Loja Maçônica de Minas Gerais.
Venerável Mestre da LOJA MAÇÔNICA DE PESQUISAS QUATUOR CORONATI PEDRO CAMPOS DE MIRANDA também jurisdicionada à Grande Loja Maçônica de Minas Gerais.
Membro da ACADEMIA MINEIRA MAÇÔNICA DE LETRAS, Cadeira nº 39.
Inspetor Geral Grau 33 do Supremo Conselho do Grau 33 da Maçonaria para a República Federativa do Brasil.
Maçom do Arco Real Inglês (Capítulo 51 Belo Horizonte)
Grande Bibliotecário da Grande Loja Maçônica de Minas Gerais.
Membro da Escola Maçônica Antônio Augusto Alves de Almeida da Grande Loja Maçônica de Minas Gerais.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

* * Resumo de "O FLAUTISTA DE HAMELIN",
clique em Ok para conhecer
ok

 

 

 

 

 

A CRUZADA DAS CRIANÇAS

 

 

 

 

 

 

 


Irm JOSÉ MAURÍCIO GUIMARÃES*
blog pessoal: http://zmauricio.blogspot.com/

 

 

 



Estudos atuais revelam a natureza, extensão e causas da violência contra crianças. Os especialistas propõem adoção de medidas destinadas a prevenir e responder às situações em que ocorrerem atos de violência contra as crianças que, em grande parte continuam escondidos. Os crimes contra crianças incluem violência física, abusos de natureza psicológica, discriminação, negligência e maus tratos.

cruzada

 

Um dos aspectos da violência psicológica é impor determinados comportamentos ou compromissos às crianças ou jovens, incompatíveis com sua capacidade de julgar e tomar decisões.

- Um fenômeno deste tipo ocorreu por volta de 1212, no noroeste da França, quando um pastorzinho de Vendôme, chamado Stephen de Cloyes, arrastou consigo um grupo enorme de crianças para combater na Terra Santa.

Isso mesmo, crianças para combater na Terra Santa!

Esse movimento, ocorrido entre a Terceira e a Quarta Cruzada, foi denominado “Cruzada das Crianças” e baseava-se numa convicção religiosa de que apenas as almas puras (das crianças) poderiam libertar Jerusalém. Stephen de Cloyes dizia ter sido visitado por Jesus que o teria incumbido de liderar aquela “Cruzada dos Inocentes”. Estimulado por adultos, o pastorzinho prometeu conduzir seus seguidores às margens do Mar Mediterrâneo, onde as águas haveriam de se abrir para lhes dar passagem “a pé enxuto”, como no êxodo protagonizado por Moisés. Assim, avançariam até Jerusalém conduzidos por uma legião de anjos. Com essa história, Stephen atraiu uma multidão de mais de 30.000 pessoas e dirigiu-se para Saint Denis onde foi visto praticando milagres, promovendo algazarra e transgressões de todo tipo. Tentando coibir os abusos, o rei Filipe Augusto da França foi ao encontro da meninada e ordenou que todos voltassem para suas casas. Como não obedeciam, pois só tinham ouvidos para os gritos fanáticos do pastorzinho Stephen, o rei Filipe Augusto não vislumbrou outra alternativa: despejou a soldadesca em cima da criançada, causando pânico e machucaduras graves. Muitos chegaram a morrer pisoteados pelos cavalos ou atingidos por lanças.

Mas a ideia ressurgiu com a notícia de que Constantinopla havia sido saqueada e que os cristãos não podiam confiar nos adultos. Deturpando as palavras de Jesus ("vinde a mim as criancinhas porque delas é o Reino") alguém reorganizou a violência com base nos ideais do pastorzinho. Cinquenta mil crianças foram colocadas em navios saindo do porto de Marselha rumo a Jerusalém. Jovens, na maioria entre 8 e 17 anos – meninos e meninas! - deixaram suas casas e qualquer outra coisa que estivessem fazendo. Surdos ao apelo dos pais, respondiam que caminhavam "para Deus". Fugiam de casa às escondidas, como que magnetizados. Por onde passavam, pediam esmolas, distribuíam ou solicitavam bênçãos. Maioria daquelas crianças morreu no caminho, de frio e fome. Dois dos navios afundaram nas costas da Sardenha; a peste atingiu outras embarcações e algumas chegaram ao Egito com dezenas de mortos a bordo. Os sobreviventes foram vendidos como escravos pelos turcos no norte da África. Vários meninos e meninas escaparam, se dispersaram e acabaram sendo recapturados ou sequestrados. Foram escravizados e seviciados.

Os professores ingleses Christopher Tyerman, do Hertford College, em Oxford, e Malcolm Barber, da Universidade de Reading apresentam outras versões e interpretações sobre a “Cruzada das Crianças”. Há opiniões, talvez movidas por suspeitos interesses, que tentam incluir essa tragédia na lista das lendas e fantasias medievais. Todavia, a história está documentada. Consta dos textos dos principais cronistas da época, entre eles o frade dominicano Vincent de Beauvais e o "doutor admirável" , frade e filósofo Roger Bacon. Vestígios desse episódio chegaram aos dias de hoje num conto folclórico intitulado "O Flautista de Hamelin" reescrito pelos irmãos Jacob e Wilhelm Grimm.[**]

De qualquer forma, nenhuma versão ou explicação justificam a ocorrência daqueles atos de violência contra crianças, fatos que permaneceram escondidos por mentalidades inescrupulosas, segmentos da nobreza e parte do clero católico.

CONCLUSÃO: Todo entusiasmo é susceptível de se transformar em fanatismo. A educação religiosa e a introdução de crianças e jovens no pensamento iniciático devem ser feitas com muito critério, sempre acompanhadas dos pais e de especialistas em psicologia e pedagogia. Não se deve admitir apenas o amadorismo, diletantismo ou mera "boa vontade" nesse particular.

 

Este texto é destinado a cópia e livre circulação na intermete, desde que não sofra modificações e seja citado o autor do mesmo.

Convido você para visitar blog do autor
clicando neste sinal ok