Samaúma







A revolução na França: reflexões

 

 

 

 



Trechos do artigo de
Daniel Pipes

no New York Sun

Diário do Comércio

07/12/2005
MidiaSemMascara.org

 

 

 

 

 

Os tumultos que jovens muçulmanos desencadearam na França em 27 de outubro aos gritos de "Allahu Akbar" podem significar uma virada na história da Europa. O que teve início em Clichy-sous-Bois, nos arredores de Paris, em sua décima primeira noite tinha se espalhado por trezentas cidades e vilas francesas, assim como pela Bélgica e Alemanha. A violência, que já recebeu nomes sugestivos - intifada, jihad, guerrilha, insurreição, rebelião e guerra civil - dá margem a várias reflexões.

Final de uma era. O tempo da inocência cultural e da ingenuidade política, em que os franceses podiam cometer erros sem enxergar ou sofrer suas conseqüências, está chegando ao fim. Como já acontece em outros países europeus (em particular na Dinamarca e na Espanha), uma série de problemas, todos relacionados à presença muçulmana, ocupa agora o primeiro lugar na agenda política francesa, e ali deverá permanecer pelas próximas décadas.

Precedentes. A insurreição francesa não foi de modo nenhum a primeira tentativa de insurgência muçulmana semi-organizada na Europa - foi precedida, um pouco antes, por tumultos em Birmingham, Inglaterra, e acompanhada por uma outra em Arhus, Dinamarca. A própria França experimentou a violência muçulmana em 1979. O que diferencia o fenômeno atual dos anteriores é a sua duração, magnitude, planejamento e ferocidade.

Ocultação na mídia. A imprensa francesa fala em "violência urbana" e descreve os rebelados como vítimas do sistema. A grande mídia nega que os distúrbios tenham ligação com o Islã e ignora a penetração da ideologia islamista.

Uma outra forma de jihad. Muçulmanos do noroeste da França empregaram, no decorrer do ano passado, três formas diferentes de jihad: no Reino Unido, a versão violenta, de matar ao acaso os usuários de transporte público em Londres; na Holanda, a de alvo predeterminado, que seleciona, ameaça e, em alguns casos, ataca personalidades do mundo político e cultural; e agora na França, a de violência mais difusa, menos mortal, mas nem por isso menos significativa do ponto de vista político.

Sarkozy vs. Villepin. Dois líderes políticos e prováveis candidatos à presidência da França em 2007, Nicolas Sarkozy e Dominique de Villepin, reagiram aos tumultos de maneiras distintas, o primeiro adotando uma linha dura e o segundo, uma linha conciliadora.

Contra o Estado. O levante começou oito dias depois de Sarkozy anunciar uma nova política de "guerra sem perdão" à violência urbana e dois dias após ele chamar os jovens agressores de "ralé".

A França precisará que algo maior e mais terrível aconteça para despertar da sonolência. O prognóstico a longo prazo, contudo, é inescapável: na definição de Theodore Dalrymple, "o doce sonho da compatibilidade cultural universal deu lugar ao pesadelo do conflito permanente".