Adriana David
09/12/2005
A MÉDIA INCLUI OS AUMENTOS DE ITENS COMO MATERIAIS ESCOLARES E MENSALIDADES, NOS ÚLTIMOS ANOS
Evelson de Freitas/AE
Preço de mensalidades deve subir 8%, em média, no próximo ano. Índice de inadimplência é de 15%.
Levantamento do Índice do Custo de Vida no Município de São Paulo, divulgado ontem pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) mostra que, em nove anos (entre janeiro de 1997 e novembro de 2005), o grupo educação, composto por material escolar e mensalidades, teve seus preços reajustados em 110,10%. O valor que mais subiu foi o das mensalidades das universidades, com reajuste foi de 147,99%. O setor de educação pesa 6,92% no índice.
"É muito importante para os proprietários de escolas aumentarem sem critérios", afirmou a coordenadora do índice de preços do Dieese, Cornélia Nogueira Porto.
De acordo com o levantamento, a inflação medida pelo Dieese registrou 90,60% no período pesquisado. "Em quase todos os anos entre 1997 e 2005 os reajustes do setor foram maiores que os da inflação", afirmou Cornélia.
O Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo (Sieeesp) não concorda com os índices apresentados pelo Dieese. "Desconheço a metodologia desse levantamento. Acompanhamos a pesquisa da Fipe (Fundação do Instituto de Pesquisas Econômicas), que mostra que apenas em 1997 o setor reajustou as mensalidades acima da alta da inflação", afirmou o presidente do Sieeesp, José Augusto de Mattos Lourenço.
Pelo estudo do Dieese, os reajustes em 2005 foram de 8,42%, contra inflação de 4,70%. Segundo Lourenço, as mensalidades em 2004 foram reajustadas abaixo da inflação, conforme o índice da Fipe, que ficou em menos de 5%.
Em 2006 — Para 2006, a expectativa do presidente do Sieeesp é de que haja um reajuste médio de 8% no valor das mensalidades. Os fatores que mais pesam são a folha de pagamento, que representa entre 60% e 70%, e os impostos. A projeção do sindicato é de que os salários dos professores e funcionários sejam reajustados entre 5% e 6%, dependendo de vários índices de inflação calculados até março.
Além da folha de pagamento, as instituições de ensino analisam investimentos de tecnologia, laboratórios e inadimplência. Dados do Sieeesp mostram que o índice médio de inadimplência passou de 7%, em 2001, para 15% até outubro deste ano. Mas na opinião de Cornélia, do Dieese, a falta de pagamento é alta pelo aumento excessivo das mensalidades. "Como as pessoas não têm o mesmo reajuste salarial, deixam de pagar porque não têm dinheiro e não porque agem de má-fé", diz. "Se tivermos uma inflação menor que 5%, não há razão para aumentarem mais. |