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- Educação
Brasil é 71.º em qualidade da educação

 

Lisandra Paraguassú
Estado de São Paulo
21-Dec-2005

 

Brasília - O Brasil corre o risco de não atingir parte das metas de educação traçadas em 2000 pelas Nações Unidas no encontro Educação para Todos. Apesar de ter posto a maior parte das crianças na escola, o País ainda peca pela falta de qualidade na educação e por ter dificuldades de alfabetizar adultos. Entre 121 países, o Brasil aparece em 71.º lugar.

Se a colocação é ruim, fica bem pior quando é avaliado o número de crianças que chegam à 5.ª série do ensino fundamental: 85.º. Lugar próximo de países africanos, como Zâmbia e Senegal.

O relatório global Educação para Todos versão 2006, divulgado nesta quarta-feira pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), apresenta o ranking com base no Índice de Desenvolvimento da Educação (IDE) - uma fórmula que soma dados de alfabetização, matrícula na escola primária, qualidade na educação e paridade de gênero na escola.

No ano passado, o País estava em 72.º. Ganhou alguns pontos. Passou de um IDE de 0,899 para um de 0,905, crescimento pequeno justamente na permanência na escola. No entanto, o Brasil vai bem apenas no índice de matrículas, onde estaria próximo de países como Hungria e Polônia.

Tempo de estudo

A qualidade de educação, que é vista pela Unesco por meio da permanência das crianças até a 5.ª série, empurra o Brasil para baixo. A alta repetência - a maior da América Latina - e a quantidade de horas diárias que as crianças passam na escola são dois dos fatores que a Unesco aponta como problemáticos para o Brasil.

Pelos dados do órgão, seriam necessárias entre 4h25 e 5 horas para as crianças realmente aprenderem. A média brasileira é de 4h15, mas em muitos Estados não chega nem a 4 horas.

Meninos

Na paridade de gênero, o Brasil também tem problemas. Enquanto na maior parte do mundo são as meninas que ficam fora da escola, o Brasil tem perdido os meninos para a repetência e evasão.

O País já tem o maior índice de repetência da América Latina. Entre os meninos, a situação é especialmente ruim. Dados do relatório retirados do governo brasileiro colocam a repetência em cerca de 18% entre as meninas e quase 25% entre os meninos.

Adultos analfabetos

O relatório deste ano é centrado no analfabetismo adulto. Apesar de citado pelas campanhas e projetos de alfabetização, o Brasil é apontado entre os 20 países que podem não atingir a meta de reduzir em 50% o número de analfabetos até 2015. Isso porque o ritmo é lento.

O Brasil tem hoje cerca de 16 milhões de analfabetos. O relatório da Unesco elogia os esforços e as metas do governo - alfabetizar 10 milhões em cinco anos, erradicar o analfabetismo até 2015 -, mas mostra que já foram feitas várias campanhas e ações, do Mobral ao Alfabetização Solidária, e os resultados não foram permanentes.

O País ainda é um dos 12 com o maior número absoluto de analfabetos e concentra hoje 1,9% da população mundial que não sabe ler e escrever - o índice era 2% em 1998.