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Artigo elaborado em 01.05.01


 

( * ) O Irm. Marcos Coimbra - é Professor Titular de Economia junto à Universidade Cândido Mendes
Professor na UERJ
Conselheiro da ESG
Correio eletrônico: mcoimbra@antares.com.br
Site:
www.brasilsoberano.com.br

DAVOS e Porto Alegre.


Irm. Marcos Coimbra ( * )


Os "donos do mundo", reunidos em Davos, na Suíça, temem uma recessão econômica mundial, provocada pela queda de ritmo de crescimento da economia dos EUA. Desconfiam da capacidade de recuperação da economia japonesa, da manutenção do preço do barril do petróleo em US$ 25, confiando numa dramática queda da taxa de juros a ser emprendida pelo FED (Banco Central dos EUA) na principal economia mundial. Em Porto Alegre, os explorados tentam criar um contraponto ao pensamento neoliberal globalizante e suas decorrentes políticas, impostos ao mundo como definitivos e únicos, pela mídia amestrada, no Fórum Social Mundial. O ponto alto foi o debate, ocorrido entre representantes dos exploradores, dentre eles o megaespeculador George Soros, e os espoliados, dentre os quais uma representante argentina que perguntou: "quantas crianças matam por dia com suas políticas assassinas?". Outro ponto importante foi a denúncia, tantas vezes por nós veiculada, da tentativa de mercantilização da água, declarada pela OMC como "commodity", sabendo-se que daqui a 25 anos, 2/3 do mundo não terá água potável. O objetivo dos "donos do mundo" é o de impedir seu controle local e nacional. O ex-prefeito da cidade do México chegou a afirmar que uma guerra será travada, em no máximo dez anos, pelo seu controle. Fica o alerta para os partidários de Joaquim Silvério dos Reis que pretendem privatizar a água no Brasil, em especial aqui no Rio de Janeiro.

Há muito tempo estamos clamando, como profetas, para os riscos a que a economia brasileira está sendo submetida, não só em função da "globalização" e da imposição das idéias preconizadas pelos neoliberais, mas em especial da "política" econômica adotada pelo governo FHC. Em busca da estabilidade monetária, o déficit público nominal alcança cerca de 9% do Produto Interno Bruto (PIB), o saldo negativo do balanço de pagamentos em transações correntes permanece acima de 4% do PIB, o desemprego atinge mais de 12 milhões de brasileiros, os salários reais diminuem e o custo da mão-de-obra é reduzido com demissões. As empresas estatais vão sendo privatizadas a preços vis, vendidas até para estatais estrangeiras com recursos do BNDES. As empresas nacionais vão sendo desnacionalizadas, uma a uma. Aumenta a dependência do capital estrangeiro a cada momento e, em especial, do especulativo.

O governo FHC maquina novas perversidades para pagar os juros aos banqueiros nacionais e internacionais. É repudiado pela maioria da população. No exterior, a situação, como vimos, é grave. De acordo com o insuspeito economista inglês Will Hutton, editor do The Observer, militante do Partido Trabalhista, amigo pessoal de Tony Blair: "Se a Bolsa de Valores de Nova Iorque cair 20% ou 30%, numa correção de preços prevista por alguns analistas do mercado, certamente o mundo vai entrar numa recessão. Os países vão caindo, um após o outro. O Brasil está correndo sério risco. É um efeito dominó e o Brasil será um dos próximos". De fato não como negar que:

1º) A globalização está produzindo efeitos altamente nocivos, em especial com relação aos países emergentes e, em particular, quanto ao desemprego. A catástrofe do continente africano é uma mostra do que pode acontecer. Regiões ricas em recursos naturais são dilaceradas, em conflitos tribais provocados por interesses externos;

2º) As medidas adotadas pelo atual governo FHC diminuíram o grau de segurança econômica do Brasil, tornando-o mais vulnerável a ataques especulativos, em razão do alto grau da dependência econômica a que foi levado;
3º) É um crime de lesa-pátria continuar o processo de privatização neste momento, quando a crise econômica está em pleno curso e o preço das empresas estatais atinge seu preço mínimo e não há capital nacional suficiente para comprar nada. Até a energia elétrica e a água querem vender, quando se sabe que o ouro branco será um dos bens mais escassos no mundo, fato agora reconhecido mundialmente. Chega de entreguismo!

Acreditamos que já passou a hora de discutir, falar e propor. Agora, chegou a vez de agir. Cada um cumprindo sua missão. Se todos o fizerem, a solução ideal, capaz de preencher os interesses nacionais e evitar maiores desastres ao país e ao nosso povo, aparecerá. Agora, as seguintes premissas deverão ser respeitadas:

1) Os Objetivos Nacionais Permanentes (ONP) terão de ser respeitados, acima de eventuais desejos dos detentores do poder político de plantão: Soberania, Democracia, Progresso, Paz Social, Integração Nacional e Integridade do Patrimônio Nacional;

2) Quem colaborar no sentido de que um destes objetivos não seja alcançado, pertence ao universo antagônico e como tal deve ser tratado;

3) A oposição a um governo é legítima e democrática, porém a ação consciente para criar um pressão capaz de impedir o atingimento dos ONP é traição à Pátria;

4) As instituições existentes devem pugnar para alcançar os ONP, eliminando os antagonismos e pressões internos e externos:

5) É vital uma atenção especial aos processos separatistas em ação, oriundos em especial do exterior, através de ONGs e colaboracionistas nativos (Amazônia, em destaque);

6) A Pátria deve estar acima de tudo e todos nós, que juramos defendê-la, teremos que cumprir nossa promessa, sob pena de passarmos à História como covardes, cúmplices ou omissos;

A História do Brasil ensina que, geralmente, conseguimos alcançar pacificamente nossos objetivos, porém, em casos extremos, outros meios foram empregados com sucesso.