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Irm. Marcos Coimbra ( * )
Os
"donos do mundo", reunidos em Davos, na Suíça,
temem uma recessão econômica mundial, provocada
pela queda de ritmo de crescimento da economia dos EUA.
Desconfiam da capacidade de recuperação da
economia japonesa, da manutenção do preço
do barril do petróleo em US$ 25, confiando numa dramática
queda da taxa de juros a ser emprendida pelo FED (Banco
Central dos EUA) na principal economia mundial. Em Porto
Alegre, os explorados tentam criar um contraponto ao pensamento
neoliberal globalizante e suas decorrentes políticas,
impostos ao mundo como definitivos e únicos, pela
mídia amestrada, no Fórum Social Mundial.
O ponto alto foi o debate, ocorrido entre representantes
dos exploradores, dentre eles o megaespeculador George Soros,
e os espoliados, dentre os quais uma representante argentina
que perguntou: "quantas crianças matam por dia
com suas políticas assassinas?". Outro ponto
importante foi a denúncia, tantas vezes por nós
veiculada, da tentativa de mercantilização
da água, declarada pela OMC como "commodity",
sabendo-se que daqui a 25 anos, 2/3 do mundo não
terá água potável. O objetivo dos "donos
do mundo" é o de impedir seu controle local
e nacional. O ex-prefeito da cidade do México chegou
a afirmar que uma guerra será travada, em no máximo
dez anos, pelo seu controle. Fica o alerta para os partidários
de Joaquim Silvério dos Reis que pretendem privatizar
a água no Brasil, em especial aqui no Rio de Janeiro.
Há muito tempo estamos clamando, como profetas, para
os riscos a que a economia brasileira está sendo
submetida, não só em função
da "globalização" e da imposição
das idéias preconizadas pelos neoliberais, mas em
especial da "política" econômica
adotada pelo governo FHC. Em busca da estabilidade monetária,
o déficit público nominal alcança cerca
de 9% do Produto Interno Bruto (PIB), o saldo negativo do
balanço de pagamentos em transações
correntes permanece acima de 4% do PIB, o desemprego atinge
mais de 12 milhões de brasileiros, os salários
reais diminuem e o custo da mão-de-obra é
reduzido com demissões. As empresas estatais vão
sendo privatizadas a preços vis, vendidas até
para estatais estrangeiras com recursos do BNDES. As empresas
nacionais vão sendo desnacionalizadas, uma a uma.
Aumenta a dependência do capital estrangeiro a cada
momento e, em especial, do especulativo.
O governo FHC maquina novas perversidades para pagar os
juros aos banqueiros nacionais e internacionais. É
repudiado pela maioria da população. No exterior,
a situação, como vimos, é grave. De
acordo com o insuspeito economista inglês Will Hutton,
editor do The Observer, militante do Partido Trabalhista,
amigo pessoal de Tony Blair: "Se a Bolsa de Valores
de Nova Iorque cair 20% ou 30%, numa correção
de preços prevista por alguns analistas do mercado,
certamente o mundo vai entrar numa recessão. Os países
vão caindo, um após o outro. O Brasil está
correndo sério risco. É um efeito dominó
e o Brasil será um dos próximos". De
fato não como negar que:
1º)
A globalização está produzindo efeitos
altamente nocivos, em especial com relação
aos países emergentes e, em particular, quanto ao
desemprego. A catástrofe do continente africano é
uma mostra do que pode acontecer. Regiões ricas em
recursos naturais são dilaceradas, em conflitos tribais
provocados por interesses externos;
2º)
As medidas adotadas pelo atual governo FHC diminuíram
o grau de segurança econômica do Brasil, tornando-o
mais vulnerável a ataques especulativos, em razão
do alto grau da dependência econômica a que
foi levado;
3º) É um crime de lesa-pátria continuar
o processo de privatização neste momento,
quando a crise econômica está em pleno curso
e o preço das empresas estatais atinge seu preço
mínimo e não há capital nacional suficiente
para comprar nada. Até a energia elétrica
e a água querem vender, quando se sabe que o ouro
branco será um dos bens mais escassos no mundo, fato
agora reconhecido mundialmente. Chega de entreguismo!
Acreditamos que já passou a hora de discutir, falar
e propor. Agora, chegou a vez de agir. Cada um cumprindo
sua missão. Se todos o fizerem, a solução
ideal, capaz de preencher os interesses nacionais e evitar
maiores desastres ao país e ao nosso povo, aparecerá.
Agora, as seguintes premissas deverão ser respeitadas:
1)
Os Objetivos Nacionais Permanentes (ONP) terão de
ser respeitados, acima de eventuais desejos dos detentores
do poder político de plantão: Soberania, Democracia,
Progresso, Paz Social, Integração Nacional
e Integridade do Patrimônio Nacional;
2)
Quem colaborar no sentido de que um destes objetivos não
seja alcançado, pertence ao universo antagônico
e como tal deve ser tratado;
3)
A oposição a um governo é legítima
e democrática, porém a ação
consciente para criar um pressão capaz de impedir
o atingimento dos ONP é traição à
Pátria;
4)
As instituições existentes devem pugnar para
alcançar os ONP, eliminando os antagonismos e pressões
internos e externos:
5)
É vital uma atenção especial aos processos
separatistas em ação, oriundos em especial
do exterior, através de ONGs e colaboracionistas
nativos (Amazônia, em destaque);
6)
A Pátria deve estar acima de tudo e todos nós,
que juramos defendê-la, teremos que cumprir nossa
promessa, sob pena de passarmos à História
como covardes, cúmplices ou omissos;
A
História do Brasil ensina que, geralmente, conseguimos
alcançar pacificamente nossos objetivos, porém,
em casos extremos, outros meios foram empregados com sucesso.
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