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Irm.
Marcos Coimbra ( * )
A administração
FHC anunciou, no dia 18 do corrente, seu "plano"
destinado a tentar evitar o chamado "apagão",
representado pela interrupção do fornecimento
de energia, indiscriminadamente, nas regiões Sudeste,
Centro-Oeste e Nordeste. É de estarrecer a falta
de vergonha das "autoridades", principais responsáveis
pela caótica situação vivenciada pela
já sofrida população brasileira. Inicialmente
optaram por colocar a culpa em São Pedro e eximir-se
de qualquer responsabilidade. Agora, perceberam que é
inútil procurar continuar a enganar o povo e assumiram
descaradamente parte da irresponsabilidade cometida. O grupo
constituído pela administração FHC
está sendo presidido pelo ex-funcionário do
FMI, Sr. Pedro Parente. Ora, qualquer cidadão razoavelmente
informado sabe que sobra energia, no momento, no Sul e no
Norte, que o terceiro "linhão" de Itaipu
ainda não foi construído por descaso das autoridades
(ir)responsáveis pelo setor. Afinal, o ex-diretor
do Banco Mundial, Sr. Pedro Malan, candidato real do sistema
à presidência da República em 2002,
foi o (ir)responsável que proibiu o investimento
na geração e transmissão de energia,
nestes mais de seis anos, o qual deveria ter sido concretizado
na época certa, justamente para evitar mais esta
tortura imposta à população brasileira,
em função do acordo firmado com o FMI, pois
este órgão considera o investimento, mesmo
em infra-estrutura, com financiamento público como
componente do déficit.
Agora o "plano" é imposto goela abaixo
do povo, com características do mais puro requinte
de sadismo, atingindo em especial a classe média,
alvo predileto sempre. Eles são os culpados, mas
quem vai cumprir a pena é o cidadão, honesto,
digno e de bons costumes, que paga suas contas, inclusive
a de energia, em dia. E eles próprios é que
estipulam as penalidades. De início, o limite inferior
de 100 kwh é ridículo, pois representa um
consumo mínimo de sobrevivência. E o autoritarismo
dos tecnoburocratas de plantão, que continuam a permanecer
no ar condicionado com temperatura de 19 graus centígrados,
a exemplo de Washington, ganhando o provento oficial e mais
estipêndios de origem, como por exemplo o denunciado
pelo ex-ministro Fernando Bezerra, no tocante a assalariados
da CNI (Confederação Nacional da Indústria),
os quais ocupam ainda altos cargos na administração
pública, e de outros órgãos, é
inimaginável. Além da cobrança de multas
extorsivas, a partir de 200 kwh, ainda acenam com a ameaça
de corte de energia por três dias, seis dias... Quem
vai calcular? Quem vai ficar com o excedente arrecadado?
E os investimentos em geração e transmissão
para evitar a continuação da vergonha? E os
"gatos" utilizados até por grandes empresas?
Daqui a pouco, vão querer punir os consumidores,
que acreditaram que viviam num país decente, com
planejamento, administrado por pessoas sérias, com
privação da liberdade ou com chibatadas. Acreditamos
que tais medidas, se adotadas, provocarão uma avalanche
de recursos à Justiça. Será que tudo
isto é a preparação da "dolarização"
das tarifas de energia, tão desejadas pelas empresas
estrangeiras interessadas em explorar o mercado brasileiro,
a exemplo da AES, e inicialmente repelidas pelas autoridades?
Afinal, a paternidade principal do "plano" é
atribuída ao "genro" de FHC, o mesmo que
decretou ; "O petróleo é vosso!".
O medo da administração FHC é o de
ter que impor o "apagão", em virtude das
conseqüências eleitorais nas próximas
eleições. Mas o dano já é irreversível.
Até a velhinha de Taubaté está ciente
da prevaricação praticada pelos corsários
que estão no poder. O governador do Rio de Janeiro
até cunhou outra expressão curiosa: Fernandinho
Beira-Lago, a exemplo do Fernandinho Beira-Mar. A quem será
que ele está se referindo? Antes ele já havia
criado outra expressão curiosa: o partido da "boquinha".
Quem protestou, na ocasião, foram representantes
do PT (Partido dos Trabalhadores).
Afinal,
os nossos antecessores construíram uma boa base econômica,
dotada de infra-estrutura, até o final da década
de 70. Na década seguinte, começou o retrocesso,
agravado nos anos 90. Praticamente toda nossa base está
erodida. Os setores de energia, transportes e comunicações
foram ou estão sendo entregues a empresas estrangeiras,
inclusive algumas estatais. Na energia, que nos EUA continua
em poder do Estado, até com a supervisão do
exército americano, com exceção da
Califórnia, exemplo a não ser seguido, intenta-se
cometer mais um crime, com a entrega de Furnas, CHESF e
Eletronorte aos alienígenas. Querem esquartejar Furnas
em duas empresas de geração e uma de transmissão,
a qual ficaria ainda em poder do setor público.
Segundo o Prof. Joaquim Francisco de Carvalho, seu lucro
líquido foi de R$ 600 milhões em 2000. Com
uma potência instalada de 9.100 MW, Furnas é
uma das maiores geradoras de eletricidade da América
Latina, sendo responsável pelo fornecimento de eletricidade
a 55% dos consumidores brasileiros, numa parte das regiões
Sudeste e Centro-Oeste, de onde são originários
66% do PIB do Brasil. Por outro lado, a racionalização
obriga que se centralize, sob controle público, a
exploração de sistemas hidrelétricos,
pois são múltiplos os usos das bacias hidrográficas.
Um governo responsável não pode permitir que
a operação de usinas elétricas, objetivando
lucros a curto prazo, comprometa o abastecimento de água
para as cidades e para a irrigação, ou o uso
de rios para a navegação interior.
A administração
governa para 5% dos brasileiros. A impopularidade do presidente
ultrapassa a marca de 66 % da população. Estamos
retornando ao passado, à época das trevas.
Talvez o símbolo da administração FHC,
ao invés do bordão de JK (50 anos em 5), seja
o oposto, "8 anos em 80". E pensar que, em países
mais desenvolvidos, os tributos são cobrados em função
do consumo de energia, pois, é óbvio, quanto
maior o consumo, maior o grau de desenvolvimento.
Resta
saber até quando o paciente povo brasileiro agüentará
este festival de incapacidade, fracasso, irresponsabilidade,
entreguismo e corrupção da atual administração.
Afinal, de acordo com a Constituição, prevaricação
é crime. E os (ir)responsáveis deverão
ser punidos com os rigores da lei.
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