|
Irm.
Marcos Coimbra ( * )
No mundo de hoje, encontramos uma
superpotência, os EUA, e duas megapotências,
a União Européia (EU) e o Japão, constituindo
a tríade denominada de Centros de Poder Econômico
CPES. Existem ainda as potências ascendentes, constituídas
por países que já dispõem, efetivamente
ou em potencial, das condições indispensáveis
para exercer influência predominante em seu espaço
geopolítico atuando como catalisador do Poder Nacional
dos Estados compreendidos nesse mesmo espaço geopolítico,
como a China, por exemplo. Além disto, visualizamos
ainda as pseudo-potências, que compreendem os países
que reúnem condições para ser potências
ascendentes, mas serão impedidas de assim atuar pela
incompatibilidade entre seus interesses econômicos
e os dos CPES, como o Brasil.
As
características essenciais do panorama internacional
no terceiro milênio são:
a) a existência de três CPES, com interesse
econômicos tendendo à superposição;
b) intensificação da superposição
de interesse dos EUA e do Japão, enquanto a União
Européia avança no processo de efetivação
tácita da liderança germânica e absorção
das economias circunvizinhas;
c) globalização da economia sem o estabelecimento
de genuíno sistema mundial de livre comércio,
devido à prática do comércio gerenciado
e da consolidação dos Blocos Regionais;
d) substituição das vantagens "naturais"
(recursos naturais, posição geográfica,
demografia etc.) pelas vantagens "criadas pelo homem"
(tecnologias de alta sofisticação e de ponta).
Já as principais características da terceira
revolução industrial podem ser enunciadas
como:
1)na produção industrial o insumo básico
é a inteligência humana
e não mais a matéria-prima;
2) a prioridade para P&D (pesquisa e desenvolvimento)
passou de produtos novos para processos produtivos novos;
3) muito maior interação entre os setores
secundário e terciário, fazendo também
que, para com este último, as tecnologias de ponta
sejam indispensáveis;
4) a mão-de-obra será menor em número
mas terá maior grau de instrução;
5) os dirigentes de empresas precisarão de maior
conhecimento tecnológico para orientar suas atividades
no rumo da maior competitividade.
Partindo
das premissas, segundo o embaixador Marcos Côrtes,
conselheiro da ESG, de que" a Segurança de uma
Nação é a capacidade efetiva que tem
de implementar , sem entraves inamovíveis, suas políticas
e estratégias; de que o Desenvolvimento de uma Nação
é a transformação de potencial nacional
em poder nacional, empreendida de forma harmônica
e continuada, almejando a plenitude; de que a Soberania
é o atributo essencial da Nação de
decidir, com liberdade plena, sobre a busca e a manutenção
dos seus objetivos; de que a Globalização
é o processo decorrente do conjunto de políticas
e estratégias dos CPES que visam a ampliar e aprofundar
sua capacidade de conduzir o relacionamento internacional,
em todos os seus aspectos, para satisfação
plena de seus Objetivos Nacionais", podemos concluir
qual o melhor caminho a ser seguido pelo Brasil, objetivando
tornar-se uma potência ascendente. OS CPES, através
da mídia internacional principalmente, começaram
a impor ao mundo as chamadas causas nobres (direitos humanos,
direitos das minorias, justiça social, povos indígenas),
bem como as novas idéias (promoção
da justiça social, através da adoção
da "tarifa antidumping social", penalidades comerciais
para proteção ambiental - selo verde, soberania
limitada, dever de ingerência, direito de intervenção,
interferência humanitária, reformulação
do papel das Forças Armadas).
É
importante realçar que vários Blocos Econômicos
Regionais (BERS) são dirigidos pelos CPES e que os
menores tenderão a ser absorvidos pelos maiores,
bem como que os organismos internacionais são meros
instrumentos auxiliares da política e da estratégia
externa dos países atuantes no âmbito internacional
e muitas ONGS são empregadas subrepticiamente como
verdadeiros mecanismos auxiliares de política externa
pelos CPES. Os dados do intercâmbio comercial mostram
que nossos principais parceiros, em termos de exportação,
são EU (26,84%), EUA (24,26%) e MERCOSUL (16.96%).
Analisando-se a pauta de exportações, de importações,
o setor agro-industrial e o setor de manufaturados, percebemos
que, numa comparação entre as vantagens e
desvantagens de incorporação à ALCA
ou à EU, haverá para o setor agropecuário
vantagens na aproximação com a EU, enquanto
será mais vantajoso para o setor industrial a aproximação
maior com a ALCA.
E
para o Brasil? Num mundo globalizado, só terão
participação as nações soberanas.
Para ser soberana, a Nação precisa ser próspera.
Para que o povo brasileiro participe atualmente do processo
de globalização é preciso que o Brasil
seja plenamente soberano. Para tanto, o Brasil precisa ser
capaz de defender por seus próprios meios o que deseja,
pois, caso não o faça, nenhum organismo internacional
defenderá, além de traçar seu próprio
rumo, pois, se não o fizer, o terá traçado
por outro. Segundo o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães,
diretor do IPRI (Instituto de Pesquisas em Relações
Internacionais): " Está em andamento um processo
de desarmamento econômico e jurídico do Estado
brasileiro, que teria como obstáculo as eleições.
Daí a pressa na implementação das amarras
fiscal e monetária expressas não apenas na
independência do Banco Central, mas também
nas agências reguladoras. Se o Brasil aceitar as regras
da ALCA será o fim das políticas adequadas
para a Economia".
Em conclusão, afirmamos que o ideal para o Brasil
é procurar incrementar as relações
bilaterais com outros países, como a China, a Rússia,
a Índia, bem como ampliar o âmbito do MERCOSUL,
convidando além da Venezuela, a África do
Sul os países de língua portuguesa do resto
do mundo e outros. Comerciar com a EU e com a ALCA sim.
Incorporar-se de forma submissa, assumindo o papel de colônia,
não.
|