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Irm.
Marcos Coimbra ( * )
Nos últimos dez anos, em especial, agravou-se sobremodo
o processo de repartição de renda no país.
Os salários reais decresceram, o desemprego aumentou,
os assalariados reduziram sua participação
na renda nacional, houve aumento do grau de injustiça
social, caracterizado pelo crescimento da economia informal.
O índice de Gini, um dos principais indicadores da
forma de repartição de renda no Brasil atingiu
em 1998 o valor de 0,60, bastante elevado. Quanto maior
o seu valor, mais concentrada é a forma de repartição
de renda.
Quanto menor, mais justa será a forma de repartição
de renda. De fato, o decil (10%) mais rico no país,
apropria-se de cerca de 48% do total da renda gerada, enquanto
os 90% restantes recebem apenas 52% da renda.
Quem semeia ventos, colhe tempestades. Na realidade, quanto
os atuais membros, mais visíveis, da administração
FHC são hostilizados nas ruas, isto não deve
ser interpretado apenas como um ato de radicalismo de um
determinado grupo político ou como falta de educação.
Infelizmente já tínhamos previsto este estado
de coisas há tempos, chegando mesmo a escrever neste
jornal que o presidente FHC seria obrigado, a partir de
agora, a locomover-se através de um helicóptero,
ou dentro de um carro blindado, ou seria necessária
a evacuação de imensas áreas por tropas
de choque de elite, usando de muita violência, para
poder permitir a sua presença em qualquer solenidade
no território pátrio. Os analistas políticos
esqueceram das pesquisas que apontam um dos mais elevados
índices de rejeição a um presidente.
As pessoas demoraram, mas descobriram aquilo que a mídia
amestrada quer ocultar. Os servidores públicos estão
há mais de cinco anos sem reajuste salarial, com
raras exceções, enquanto todos os outros preços
sobem. A pobreza atinge graus nunca vistos, abrangendo dezenas
de milhões de pessoas. A miséria avança
em todos os rincões do Brasil. O padrão de
vida dos brasileiros decresceu sensivelmente. As notícias
de Brasília só sinalizam problemas e não
soluções. É um escândalo atrás
do outro. E as pessoas revoltam-se ao ler nos jornais que
a administração FHC gasta US$ 7,8 milhões
numa Feira na Alemanha, onde o filho número um é
o comissário e tudo foi feito sem licitação.
No dia da inauguração, nem havia a Bandeira
do Brasil presente. No pavilhão argentino, é
lógico, havia a bandeira argentina e eles gastaram
cerca de 20% apenas do que foi gasto pelas nossas autoridades.
Não se pode mais andar nas ruas de uma grande cidade
tranqüilamente, como antes. A violência aumentou
até o paroxismo e a solução apresentada
pelo notório ministro da Justiça, Sr. José
Gregori, defensor de seqüestradores, é a de
desarmar a população digna e de bons costumes,
ao invés de atacar o problema, ou seja começar
desarmando os marginais e combatendo-os.
Mas, não adianta apenas criticar. É importante
também sugerir soluções. Listamos,
a seguir algumas propostas de políticas e estratégias
correlatas:
A) Melhorar progressivamente a participação
dos rendimentos fixos na partição de rendas;
A1) aumentar a produtividade, ensejada pela melhor capacitação
dos recursos humanos (investimentos em nutrição,
saúde e educação); A2) introduzir tecnologias
mais eficazes, com preparação de mão-de-obra
qualificada;
B) Investir maciçamente em educação
básica e profissionalizante (mais um ano de estudo
obrigatório representa acréscimo médio
de 3% no PIB);
B1) transferir recursos de ensino, eventualmente ociosos,
do 3º grau para o 1º grau;
B2) estimular a população em idade escolar
a manter-se na escola até terminar o 1º e 2º
graus;
B3) estabelecer convênios com empresas privadas e
públicas na área profissionalizante;
B4) utilizar as Forças Armadas no processo de preparo
de mão-de-obra;
B5) buscar investir no mínimo 3% do PIB em pesquisa
pura e/ou aplicada com recursos orçamentários;
C) Valorizar o trabalhador; C1) propiciar-lhe oferta de
trabalho, a qualquer preço; C2) garantir-lhe rendimentos
dignos, oriundos de uma parcela fixa e outra variável,
função da produtividade do trabalhador em
relação à média dos outros trabalhadores
e aos resultados da empresa;
D) Estimular os trabalhadores na economia informal a tornarem-se
microempresários; D1) propiciar apoio técnico,
creditício, educacional aos que aceitem o desafio;
D2) procurar canalizar seus bens e serviços de modo
a serem comprados pelas empresas maiores; D3) aliviar, com
inteligência, os encargos sociais que pesam sobre
o trabalhador, combatendo a sonegação.
Para reflexão dos prezados leitores, ficam estas
proposições.
Acreditamos ser esta a melhor forma de combate à
violência existente
no país. Através de medidas preventivas que
atinjam as verdadeiras causas e não por intermédio
de atitudes repressivas. Enquanto isto não for concretizado,
haja ovo.
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