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Irm. Marcos Coimbra ( * )
O subchefe do
escritório de comércio da Casa Branca, Sr.
Richard Fisher, declarou a jornais de Santiago e Buenos
Aires que "dizer que o Chile tem que escolher entre
os Estados Unidos e o Brasil é imprudente, beira
a uma situação infantil" e "o Brasil
não poderá deter a ALCA (Área de Livre
Comércio das Américas) e corre um sério
risco de ficar isolado" e, ainda mais, "se a Argentina
se apóia no Brasil ou vice-versa, limitam suas ambições.
O grande mercado são os Estados Unidos, onde está
o futuro". Primeiro, causa espécie a virulência
e grosseria das afirmações, que só
podem ser entendidas no contexto atual, onde a administração
FHC dedica total subserviência aos "donos do
mundo" e seus representantes. Em épocas anteriores,
tal agressão seria respondida a altura. Outro ponto
importante a observar é que a resistência do
Brasil ao ingresso na ALCA está incomodando bastante.
A bem da verdade, é oportuno realçar que a
primeira razão do atraso no processo, decorre da
não aprovação pelo Congresso Americano
do "fast truck", que deixaria o presidente dos
EUA mais a vontade para forçar a entrada do Brasil
no bloco. A outra causa reside no fato de que para nosso
país interessa adiar o máximo possível
a capitulação (a previsão é
para 2007), enquanto que os EUA querem antecipar de 2005
para 2003 a tragédia. A explicação
é simples. Precisamos de tempo para fortalecer o
MERCOSUL, nosso bloco econômico regional, inclusive
procurando atrair não só os países
da América do Sul como também países
da Comunidade da Língua Portuguesa e outros interessados,
como a Rússia, por exemplo. Uma coisa é negociar
com o gigante americano solitariamente. Outra coisa é
enfrentá-lo liderando uma comunidade composta de
vários países, detentores de produtos significativos.
Por isso, eles procuram sabotar de todas as maneiras o MERCOSUL,
atrapalhando sua consolidação e progresso.
De fato, encontramos atualmente três Blocos Econômicos
Regionais (BER) expressivos: o Bloco Europeu (Comunidade
Econômica Européia), capitaneado pela Alemanha,
Bloco Asiático (chefiado pelo Japão) e pelo
Bloco Americano (comandado pelos EUA, através do
controle do NAFTA). O Mercosul pode ser a nossa chance de
procurar uma inserção soberana no contexto
internacional e não uma subordinação
genuflexa, como o Chile e o México já fizeram
e a Argentina está ansiosa para fazer. Em artigo
anterior já realçamos que poucos países
no mundo podem perturbar o "status quo": China,
Índia, Brasil e Rússia. É óbvio
que os atuais detentores do poder político mundial
tudo farão para impedir qualquer alteração
nas atuais regras do jogo impostas, pois a eles interessa
a incorporação de províncias e não
negociar com Estados Nacionais Soberanos, com o objetivo
de manter o elevado padrão de vida de seus respectivos
povos em detrimento dos demais.
Tempos atrás impuseram ao mundo a colonização,
através da força das armas e das grandes navegações,
dizimando populações, destruindo Nações
prósperas, escravizando povos , a fim de obter matéria
prima gratuita. Agora, utilizam a tecnologia, o capital,
o conhecimento para manter os vínculos de dependência
entre os países menos desenvolvidos e as Nações
centrais. As conseqüências são bastante
parecidas com as de outrora. Na África, populações
inteiras são dizimadas pelas doenças, guerras
e fome, apesar de serem possuidoras de amplos recursos naturais.
No coração da Europa, a antiga Iugoslávia
é retalhada e os chamados grandes países somente
contribuem para acirrar o ódio racial, jogando etnias
e religiões umas contra as outras. Procuram impedir
a Rússia de voltar a equilibrar-se economicamente.
Obstam novos países a dominar a energia nuclear.
Só eles podem possuir o oligopólio do poder
nuclear. A Alemanha e o Japão continuam proibidas
de ingressar no Clube Atômico. Tentam jogar o Paquistão
contra a Índia e esta contra a China, para evitar
uma possível aliança entre estes países,
fato capaz de provocar uma mudança significativa
no atual esquema de dominação empreendido
pelos "donos do mundo". No Oriente Médio
continua o holocausto do povo palestino e a destruição
do Iraque.
E agora, estão voltados para a América do
Sul, pois já conseguiram o domínio da América
do Norte e da América Central. Conquistaram o poder
no Peru, no Paraguai, no Equador e no Uruguai.
Construíram uma gigantesca base aérea no Paraguai
prevendo a possibilidade de necessidade de uma intervenção
armada futura na Amazônia. As antigas Guianas continuam
sob seu controle e agora realizam uma intervenção
direta na Colômbia, fato que poderá provocar
desdobramentos capazes de concretizar uma ameaça
direta à soberania do Brasil sobre a Amazônia.
Este é o cenário identificado. Cabe-nos agora
passar da palavra à ação e agir sobre
a realidade existente, procurando transformá-la,
tentando salvar o que ainda resta do Brasil para depois
resgatar o que perdemos.
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