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Irm. Marcos Coimbra
( * )
A empresa é a instituição
básica do sistema econômico, sendo o órgão
executor que compreende recursos humanos, recursos materiais
e relações específicas, objetivando
realizar a produção, bem como a intermediação
de bens e serviços. Há necessidade de um ajustamento
à evolução social, com a adoção,
por parte das empresas, de um tipo de ética empresarial
capaz de equilibrar o interesse dos grupos econômicos
com os interesses coletivos. Quase sempre, quando é
feita uma análise sob este enfoque, discute-se muito
o lucro. É imoral? É amoral? Há pessoas
que reagem negativamente com relação ao lucro.
Na realidade, não há razão de ser nesta
discussão. O lucro nada mais é do que a remuneração
do fator de produção Iniciativa. Não
há nada de imoral ou amoral. Existe apenas uma contrapartida.
Um fluxo monetário em decorrência de um fluxo
real. Cabe analisar a essência do lucro. Os empresários,
que recebem os lucros, não só organizam os
demais fatores de produção, dando-lhes a melhor
combinação possível, como também
dirigem as atividades da unidade empresarial, além
de inovar, ou seja, aplicar a invenção. Trata-se
assim de uma complexa gama de funções, de
muita responsabilidade. E o lucro deve ser proporcional
ao risco do empreendimento e não de informações
privilegiadas ou de ligações espúrias
com servidores de qualquer governo, federal, estadual ou
municipal.
Quanto à sua função social, cabe ao
empresário a reaplicação dos lucros
recebidos, traduzindo-se esta aplicação por
um aumento na produção, na oferta de empregos
e o conseqüente aumento na arrecadação
de impostos. Tudo isto contribui para concretizar o ideal
de proporcionar igualdade de oportunidades de um regime
político democrático, de um sistema econômico
neocapitalista.
Uma das maiores dificuldades, com relação
às micro, pequenas e médias empresas, refere-se
ao critério de sua classificação. O
que é uma pequena empresa?
Não existe um critério uniforme, aceito por
todos. A maioria dos países adota os seguintes critérios
gerais, qualitativos e quantitativos, na caracterização:
a) Critério Qualitativo: pequena especialização
na administração, estreito relacionamento
do administrador com empregados, clientes e fornecedores;
relativa dificuldade de acesso ao crédito e ao capital;
pequeno poder de barganha na compra de fatores e na venda
de bens; maior integração com a comunidade
local através de proprietários e gerentes,
bem como relativo grau de dependência com mercados
de bens e em relação a fontes de matérias-primas;
b) Critério Quantitativo: número de pessoas
ocupadas; investimento; capital; volume de vendas; consumo
de energia.
No Brasil, atualmente, podem ser considerados os seguintes
critérios, sujeitos a contestações
e dúvidas:
a)Critério Qualitativo: idêntico ao exposto
no item anterior, no tocante a critérios gerais e
mais: grande número de unidades empresariais, tornando
impraticável a adoção de técnicas
uniformes de assistência e consultoria, exigindo assim
exame setorial e/ou regional para estabelecimento de programas
de assistência;
b) Critério Quantitativo: quanto ao valor do investimento
e ativo fixo; número de empregados; valor do capital.
De um modo geral, as seguintes características podem
ser consideradas próprias das pequenas e médias
empresas:
a) elevada taxa de mortalidade é uma constante no
mundo inteiro, não sendo problema só no Brasil;
b) reduzido número de pequenas e médias empresas
que galgam posições superiores de atividade.
Contudo, é necessário realçar que,
fisicamente, isto é impossível. Todas as empresas
não podem alcançar o patamar superior. E nem
é necessário que isto aconteça. Na
realidade, as empresas devem perseguir eficiência,
eficácia, maximização de lucros, otimização
da produção, minimização de
custos. Não é obrigatório que se tornem
médias ou grandes. Inclusive há tamanhos específicos
de acordo com o ramo de atividade. Uma pequena empresa não
deve ser encarada como uma grande empresa de menor dimensão,
pois tem uma personalidade peculiar;
c) carência de informações nas áreas
de mercado, tecnológica, oportunidade de crédito,
matéria-prima, insumos e principalmente falta de
informação a nível gerencial, sendo
esta a mais sentida em termos de unidade empresarial;
d) dificuldade quanto à qualificação
gerencial dos que têm responsabilidade de dirigir
e traduzir as informações, digerindo-as e
tornando-as instrumentos eficazes de ação,
posicionando assim melhor a sua unidade empresarial, tendo
em vista as políticas macroeconômicas adotadas;
e) tradicionais fornecedoras de peças e serviços
para governos estaduais e municipais, associações
de classe, comunidades e outras.
Continua no próximo artigo.
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