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Irm. Marcos Coimbra ( * )
Or do Rio de Janeiro
Art. elaborado em 10/07/2001para o Monitor Mercantil.
O
Mahatma Gandhi foi um dos principais líderes mundiais,
de todos os tempos. De estatura modesta, magro, desarmado,
movimentava milhões de indianos contra a opressão
inglesa. Foi preso, sofreu muito, mas acabou alcançando
seu objetivo principal: a independência da Índia.
Um dos mais importantes instrumentos utilizados por ele
foi a desobediência civil na qual o povo indiano desarmado
(pelos antecessores do Viva Rio) enfrentava a tirania dos
poderosos, escudados em canhões, navios de guerra,
metralhadoras, enfim toda a parafernália bélica
da qual o império britânico era detentor.
Analisando
a conjuntura brasileira, identificamos o Poder Executivo,
utilizando a mídia amestrada, docemente corrompida,
com "musos e musas" do entreguismo, com o poder
de censurar e vetar até qualquer referência
a quem desagrade aos "donos do mundo", seus patrões,
fazendo o que quer. E ainda possuem a desfaçatez
de pregar, contra a censura, em favor da liberdade de expressão,
quando são os primeiros a exercer seu arbítrio,
censurando os que pensam diferentemente. O Poder Legislativo,
inteiramente submisso, mendigando cargos e verbas, com honrosas
exceções. Até o Poder Judiciário,
considerado antigamente como última esperança,
dobra-se, decidindo, por 8 votos a 2, rasgar a Constituição.
A administração FHC, grande e verdadeira responsável
pela grave crise sistêmica enfrentada pela Nação,
da qual a insuficiente oferta de energia é um mero
exemplo, possui poderes ditatoriais. Amanhã, se quiser,
com a complacência do Legislativo e do Judiciário,
vai impor a pena de açoite aos pobres cidadãos.
Quem não se submeter aos seus caprichos, levará
dez chibatadas, em praça pública, com direito
a transmissão direta de TV, para todo o país,
através da principal cadeia de comunicação
do Brasil.
A
propósito do envio ao Congresso pela administração
FHC da proposta de uma pequena reforma tributária,
cujo principal objetivo é a prorrogação
da cobrança da CPMF por mais 30 meses, que fatalmente
será aprovada, em um país como o nosso, onde
a carga tributária chega a 33% do Produto Interno
Bruto (PIB), sem a contrapartida adequada, sob a forma de
prestação de serviços de atendimento
às necessidades coletivas (saúde, educação,
segurança, energia, transportes, comunicações
e outras), fica a idéia de que a única solução
é a desobediência civil.
Afinal,
até hoje, nenhuma instituição de proteção
ao consumidor, nem qualquer partido político questionou
a cobrança da famigerada contribuição
provisória sobre movimentação financeira
sobre os salários e proventos dos trabalhadores.
Ora, quem detém o controle do fator de produção
trabalho recebe em contrapartida sua remuneração,
ou seja, salários. E estes poderiam ser pagos, como
antigamente, na boca do caixa, ou como é feito ainda
hoje pelo SENAC-Rio, para quem quiser, em espécie,
através de envelopes com o numerário no interior.
Só recebe no banco, quem assim o desejar.
Deste
modo, eliminar-se-ia a cobrança da CPMF incidente
sobre os salários. Atualmente, as empresas, além
de não oferecer opção aos seus empregados,
pois impõem aos mesmos a abertura de uma conta no
banco de sua conveniência, usufruem de vantagens concedidas
em função deste movimento, enquanto os bancos
ainda cobram do assalariado diversas tarifas, sob vários
pretextos, além da CPMF. O principal argumento dos
defensores da manutenção desta contribuição
reside justamente no fato de que ela não pode ser
sonegada, possibilitando a descoberta de agentes econômicos
que fraudam o recolhimento de tributos, através do
cruzamento de informações. Ora, isto não
é válido para o assalariado, que assim poderia
ficar isento de mais uma contribuição, além
de livre da extorsão dos bancos. Por que os sindicatos,
as centrais de trabalhadores não agem neste sentido?
Será que a maioria dos integrantes do Supremo Tribunal
Federal também vai obrigar os cidadãos a terem
conta nos bancos, uma para cada fonte empregatícia,
escolhida pelos patrões, em função
de seus interesses? E quem garante que o recolhimento da
CPMF é feito com a correção devida?
Por acaso alguma instituição fiscaliza o processo?
Ou, falando em português claro, será que o
que é debitado em nossa conta é rigorosamente
e imediatamente depositado nos cofres do Tesouro? E este,
faz o que com os recursos? Lembram-se de que, no início
da cobrança, o governo relutava em fornecer os dados
relativos aos valores arrecadados? Agora, estima-se que
seja do montante de R$ 18 bilhões anuais.
Fica
a sugestão para os partidos ditos de oposição,
para os candidatos também e para as centrais sindicais
que, ao invés de defenderem os verdadeiros interesses
dos trabalhadores, entram em conchavos vergonhosos com a
administração FHC, como , por exemplo, o "acordo
do FGTS". Lutem, enquanto é tempo, por bandeiras
justas como esta. Se não lutarem, estarão
jogando o povo no caminho da desobediência civil,
praticada atualmente por milhões de pessoas, que
não pagam conta de luz e estão ignorando o
racionamento, pois possuem "gatos" (ligações
clandestinas). A autoridade governamental que quiser verificar
é só conferir, por exemplo, no Rio de Janeiro,
comparando a escuridão nos bairros de classe média,
em comparação com outros logradouros, fartamente
iluminados. Ou então observar os milhares de ambulantes
que vendem de tudo, sem pagar qualquer tributo, impedindo
o livre trânsito das pessoas, em frente dos comerciantes
legalmente estabelecidos, em qualquer cidade grande. Ou
nas centenas de "vans" que praticam irregularmente
o transporte coletivo, estacionando em local proibido, engarrafando
o já caótico trânsito das grandes cidades.
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