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Irm Marcos Coimbra
O objetivo síntese
de uma Sociedade é o de alcançar o Bem Comum,
resumo último decorrente do atendimento das necessidades,
interesses e aspirações vitais. Para isto
é imperioso atingir antes os Objetivos Nacionais
Permanentes que, por representarem necessidades, interesses
e aspirações vitais, subsistem por longo tempo.
Desta forma, é acionado o Poder Nacional, caracterizado
pela capacidade que tem o conjunto interagente dos homens
de dos meios que constituem a Nação, atuando
na conformidade da Vontade Nacional, de alcançar
e manter os objetivos nacionais. Para efeito didático,
desdobra-se o Poder Nacional em cinco expressões:
política, psicossocial, econômica, militar
e científica e tecnológica. Utilizamos a Política
Nacional, conjunto de objetivos nacionais, bem como a orientação
para emprego do Poder Nacional, no sentido de conquistá-los
e mantê-los e a Estratégia Nacional, arte de
preparar e aplicar o Poder Nacional para, superando os óbices,
alcançar e preservar os Objetivos Nacionais Permanentes,
de acordo com a orientação estabelecida pela
Política Nacional, visando garantir a plena consecução
destes objetivos, para garantir o bem estar da Sociedade.
A Política Nacional desdobra-se em diversas políticas,
dentre as quais a Política Industrial.
Sempre defendemos a adoção de uma Política
Industrial, por razões doutrinárias, por fazer
parte de nosso ideário, independentemente de razões
conjunturais, por entender ser indispensável e urgente
recuperar a perda de competitividade internacional da indústria
brasileira, bem como inverter a tendência de reprimarização
da pauta exportadora. E o mais importante, para fazer frente
à progressiva deterioração dos termos
das relações de troca, imposta pelos países
centrais, que manipulam as regras do comércio internacional,
fazendo com que tudo aquilo que vendem seja cada vez mais
escasso e, conseqüentemente, caro, enquanto que o comprado
dos países periféricos deve ser a cada dia
mais barato, por abundante e devido à competição.
Além disto, os países centrais defendem o
livre comércio em tese, porém praticam abusivamente
o protecionismo.
A conseqüência é a crescente dependência
econômica dos países menos favorecidos, levando-os
a se tornarem cada vez mais endividados. E, traço
comum a todos eles, cada vez mais constatam a desnacionalização
de sua economia e a destruição do parque industrial
nacional. Na realidade, a experiência histórica
mostra que nenhum país do mundo experimentou sucesso
na atividade industrial, em função do livre
jogo das forças de mercado. Na verdade, quando ocorre,
é prova da vontade ordenada de uma Política
de Desenvolvimento Industrial, devido a uma forte participação
do Estado.
Analisando-se então a conjuntura, podemos comprovar
o alto grau de dependência econômica do Brasil,
expresso, dentre outros indicadores pelo elevado déficit
do Balanço de Pagamentos em Transações
Corrente, superior a 4% do PIB. Assim, é preciso
estar ciente de que uma das funções mais importantes
do sistema econômico é a produção,
uma variável-meta digna de ser agraciada em um Plano
Nacional de Desenvolvimento, onde o setor industrial deve
funcionar como elemento dinâmico da atividade econômica.
Depois de definido o Que Fazer, ou seja, a implementação
de uma Política Industrial, conceituada como a intervenção,
orientação ou apoio à atividade econômica
privada pelo Estado, além dos limites mínimos
da legislação, regulamentação
e tributação, segue-se o Como Fazer, melhor
dizendo as estratégias a serem empregadas, a fim
de permitir a consecução do objetivo fixado:
A - Proceder a uma Reforma Administrativa no governo, com
a criação de um órgão colegiado,
subordinado diretamente à presidência da República,
com a participação de ministros de Estado,
inclusive do Comércio Exterior, e de representantes
da iniciativa privada, sob a coordenação do
ministro do Desenvolvimento Industrial, com a missão
precípua de elaborar e implementar a Política
de Desenvolvimento Industrial do país;
B - Estabelecer uma parceria entre o setor público
e o setor privado, com definição clara das
responsabilidades e compromissos de cada um dos agentes
participantes;
C - Proceder a uma Reforma Tributária capaz de corrigir
as graves distorções existentes, procurando
desonerar a atividade produtiva, com diminuição
das alíquotas, ampliação do universo
tributário, para aumentar a arrecadação,
diminuindo nível de sonegação praticado
no país;
D - Diminuir a escorchante taxa de juros praticada no Brasil,
trazendo-a para patamares civilizados, adequada às
taxas de juro cobradas nos principais centros financeiros
mundiais e aumentar o crédito oferecido pelo sistema
financeiro, através principalmente da diminuição
do depósito compulsório dos bancos;
E - Empregar os impostos e tarifas de importação
como instrumentos de política, objetivando restabelecer
a isonomia perdida entre a produção doméstica
e a produção importada e contribuir para o
aumento da arrecadação tributária;
Continua no próximo artigo.
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