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Irm Marcos Coimbra
O
povo brasileiro sofre, já há muito tempo,
as conseqüências de uma guerra civil não
declarada. Milhares de brasileiros já foram mortos,
dezenas de milhares feridos, em função da
ação do crime organizado no Brasil. O pânico
já assola até o interior do país, não
se limitando a Rio de Janeiro e São Paulo. São
seqüestros, "saidinhas", invasões
a edifícios, fuga de presos até por intermédio
de helicópteros. Tudo isto por causa da incompetência
das autoridades, em especial federal e estadual, que deixaram
a situação chegar a este caos. E , de efetivo,
poucas providências foram adotadas, pois as vítimas
eram do povo. Lembramo-nos até do lamentável
episódio do seqüestro do empresário Abílio
Diniz, quando os marginais, autores de crime hediondo, vários
estrangeiros e um brasileiro, estão em liberdade,
fruto de uma intensa campanha liderada por personalidades
políticas (até o ex-ministro da Justiça),
sob a justificativa de que o crime tinha tido motivação
política e, agora, defendem até a decretação
de medidas de exceção. É porque agora
os detentores do poder político no país estão
sendo diretamente ameaçados. Descobriram que, apesar
de terem vários seguranças fortemente armados,
não estão imunes à violência.
E apresentavam como solução para o problema
o desarmamento do cidadão digno e de bons costumes,
que possui domicílio conhecido, cadastrado pela polícia.
É um absurdo! Agora, pode ser que alguma coisa efetiva
seja realizada, se bem que várias das atuais autoridades
responsáveis pelo assunto sempre estiveram do outro
lado da lei.
As
atribuições dos entes federadas estão
bem explícitas na Carta Magna. A Segurança
Externa é de responsabilidade das Forças Armadas
que podem , em caso de necessidade, mobilizar outros recursos,
até civis, para cumprimento de sua missão.
A Segurança Pública é de responsabilidade
dos Estados, possuidores das Polícias Militar e Civil,
além dos bombeiros militares. Os Municípios
podem criar suas guardas municipais com efetivos ponderáveis.
Quanto à Segurança Interna, contudo, há
uma área cinzenta. Parte dela cabe, como já
vimos, aos Estados, porém existe outra parcela que
extrapola suas jurisdições respectivas. Para
isto a União possui a Polícia Federal, a ABIN
(Agência Brasileira de Inteligência), a Polícia
Rodoviária Federal e tantas outras.
Segundo a doutrina da Escola Superior de Guerra, "Segurança
Interna é a garantia relativa, para a Nação,
de que seus Objetivos Permanentes estão sendo alcançados
e preservados, em face de sua capacidade para superar quaisquer
ameaças a esses objetivos, de origem interna ou externa,
que produzam efeitos internos". Já "Segurança
Pública é a garantia relativa da manutenção
da ordem pública, mediante a aplicação
do poder de polícia, encargo do Estado". "Ordem
Pública é a situação de tranqüilidade
e normalidade que o Estado assegura, ou deve assegurar,
às Instituições e aos membros da Sociedade,
consoante as normas jurídicas legalmente estabelecidas".
Entretanto, como os fatores adversos podem se projetar no
universo dos antagonismos, há uma possível
proximidade entre as questões de Segurança
Pública e de Segurança Interna. Eis a área
cinzenta. Por esta razão, em caso de uma situação
onde haja grave comprometimento da ordem pública,
grave e iminente instabilidade institucional ou comoção
grave de repercussão nacional cabem atitudes repressivas
executadas pela expressão militar e política
do Poder Nacional, de acordo com os artigos 90 e 136 a 141
da Constituição (intervenção,
estado de defesa e estado de sítio). Em caso de luta
armada, então, a atitude é operativa, de responsabilidade
preponderante da expressão militar. Por isto, as
Polícias Militares, também pela Carta Magna,
são subordinadas à Força Terrestre,
na qualidade de Força Auxiliar. Afinal, seu efetivo
total, nos 27 Estados, ultrapassa em muito ao efetivo total
das Forças Armadas Brasileiras, de cerca de 300.000
integrantes. E para haver intervenção das
Forças Armadas, deve haver antes a solicitação
prévia de um dos três poderes da República
(Executivo, Legislativo ou Judiciário).
É claro que estamos vivendo uma grave situação
no país, ocasionada pela adoção de
medidas econômicas impostas pelo sistema financeiro
internacional, através de seu representante, o FMI,
trazendo como conseqüências naturais o agravamento
da concentração de renda, o desemprego, a
miséria, a queda dos salários reais, a pobreza,
a destruição do Estado Nacional Soberano,
a desnacionalização da Economia, a doação
do Patrimônio Nacional, a perda da Soberania Nacional.
E, apesar do esforço de contenção da
explosão social exercido pela mídia amestrada,
as reações começam a surgir. Saques
ocorrem, rebeliões bem sucedidas em presídios
em todos os recantos do país, bloqueios de marginais
são feitos nas principais ruas de cidades como o
Rio de Janeiro e São Paulo, propiciando assaltos
de motoristas pelos organizados bandidos. Com a crescente
miséria e pobreza, aliada à falta de vontade
política da administração FHC, não
é preciso ser pitonisa para prever o cenário
futuro.
É evidente que a solução principia
pela adoção de medidas preventivas capazes
de reverter o caos existente e pelo fortalecimento das instituições
existentes, com implementação de um sistema
integrado que estabeleça sintonia fina entre elas,
com a reativação da Inspetoria Geral do Exército
para coordenar a ação das Polícias
Militares, pelo maior investimento em treinamento, adestramento
e aprestamento, pelo pagamento de salários dignos,
pela criação de uma Guarda Costeira, no âmbito
da Marinha ou da Polícia Federal e pela integração
das Guardas Municipais ao combate à violência,
sob o comando de um Estado Maior das Forças Armadas.
Tudo isto em interação com o Poder Judiciário,
o Ministério Público e o sistema penitenciário.
A Legislação Penal deve ser aperfeiçoada
e fielmente cumprida. Prisões de segurança
máxima, no campo federal, deverão ser implementadas.
Enfim, chamem quem entende do assunto, possuindo a prática
necessária e forneçam carta branca para que
eles possam executar o planejamento estratégico adequado
como terapia eficaz.
Abraços
Marcos Coimbra
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