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Irm. Marcos
Coimbra
O presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva
teceu, recentemente, duras críticas ao Poder Judiciário,
apresentando alguns argumentos consistentes. Foi, de pronto, rebatido
pelos principais dirigentes do Judiciário, preocupados com
a manutenção da independência e soberania entre
os três poderes. Há vários aspectos a considerar.
Não há dúvida sobre a ineficácia da
ação do Poder Judiciário. A boa Justiça,
além de ser a esperança daqueles que a procuram, deve
ser rápida. Para a maioria da população é
inconcebível a excessiva demora da decisão final e
da concretização dos seus efeitos. Todos possuímos
vários exemplos a enumerar. Ganhamos grande parte de uma
ação contra uma instituição particular
de ensino, que demorou quinze anos para terminar. É algo
inacreditável. Outro exemplo, um arrolamento de bens, oriundo
de um testamento para um herdeiro único, sem qualquer problema,
demorou quase três anos para ser concluído. E isto
se pagando parcela considerável do montante para advogado,
cartório, tributos federais, estaduais e municipais.
Em recente ação contra a antiga FRONAPE, atual TRANSPETRO,
pertencente à PETROBRAS, duas assistentes sociais foram contratadas
e exerceram suas funções, com dezenas de testemunhas,
inclusive representando a empresa em congressos, com obrigação
de sobreaviso, durante cerca de três anos. Recebiam como prestadoras
de serviço, sem carteira assinada, sem receber férias
e outros direitos trabalhistas. Ambas, com o mesmo advogado, foram
à Justiça do Trabalho, em busca de Justiça.
Na primeira instância, uma perdeu e a outra ganhou. Na segunda
instância, ambas perderam, pois os juízes consideraram
que elas não teriam direito, em virtude de não terem
sido aprovadas em concurso público. Só que não
houve concurso. E, no lugar das duas, trabalham outras duas assistentes
sociais, sem concurso, mas com as carteiras assinadas.
Outro juiz indeferiu
outra ação, em virtude de ter falecido o reclamante.
O mesmo está até agora procurando provar que está
vivo. Até hoje a ação do sindicato dos bancários
do Rio de Janeiro, que entrou com uma ação em favor
de funcionários do Banco do Brasil, solicitando equiparação
com os do Banco Central, apesar de ganha em última instância,
não foi paga. O Banco, fora do prazo, inventou um recurso
para esfera superior, para protelar o pagamento, em uma evidente
demonstração de má fé. E ninguém
faz nada. Cada leitor poderia apontar vários outros exemplos.
Na realidade, a culpa não reside só no Judiciário.
Também é do Legislativo e do Executivo. Há
necessidade de controle externo dos três poderes, apesar de
o Legislativo e o Executivo afirmarem que já os possuem.
Porém, eles são ineficientes e ineficazes. E o Judiciário
precisa também de ter um efetivo. É inaceitável
a situação atual, em que, de fato, ninguém
controle ninguém. O corporativismo impera. Cada um faz o
que quer. Aumentam seus próprios salários, contratam
parentes e apaniguados sem concurso. Até estrangeiros, como
o Sr. Felipe Belisário Wermus Dit, codinome Luis Favre. É
a política da nova administração de criar empregos.
Só para os correligionários. Enquanto isto, milhões
de brasileiros sequer conseguem um modesto trabalho, com carteira
assinada, para receber um salário mínimo, devido ao
cruel modelo econômico em execução, o mesmo
da administração anterior.
A Sociedade Brasileira não suporta mais a extorsão
a que é submetida todos os dias, pelos eternos marajás.
A atual administração já procura aumentar a
carga tributária total para 40% do PIB. De um lado, os privilegiados,
detentores de todas as benesses materiais existentes. Viagens de
primeira classe, a preços mais baixos, para o mundo inteiro.
Várias e abundantes refeições, todos os dias,
de preferência "churrascadas" com "peladas",
pagas pelos contribuintes. O ministério da Segurança
Alimentar gasta mais em passagens, diárias e salários,
do que com a assistência aos beneficiários. "Boquinhas"
para os correligionários. No meio, a classe média
em extinção, sendo explorada por todos e ainda sendo
culpada, pela mídia amestrada, pelo "privilégio"
de poder aposentar-se. Do outro, a classe denominada de menos favorecida,
que sobrevive graças a expedientes diversos, acomodada à
pobreza.
E a solução? Ela existe. Basta que os cidadãos
façam as escolhas certas, na hora correta.
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